Cara-da-Tábua: Shape do Cajé, seus anos em Curitiba e influência na cena de skate – relato de Postal

Apresento à todos, em colaboração ao Projeto Cara-da-Tábua, este shape do skatista “Cajé”, e um pouco da história envolvida, agora parte também desta coleção virtual de decks assinados por skatistas de Curitiba. Esta contribuição foi feita por Felipe “Bico”, velho guerreiro curitibano e skatista da rua da “Raridade”, que tem esta beleza conservada em sua casa. A arte do shape é de Marcelo Mortex Mortex. Cajé, que morou em Curitiba na década de 90 e depois saiu ao encontro de novas terras, vive hoje em Amsterdã, mas deixou sua marca nestas calçadas e ruas de CWB.

1995, Sktr: Carlos José “Cajé”, Art: Macelo Mortex Mortex.

Quando eu comecei a explorar a cidade andando de skate, à procura de novos picos e aventuras, fazia isso sempre acompanhado da rapaziada que costumava colar na rua da “Raridade”, loja de discos do centro de Curitiba, onde nos encontrávamos. De lá, saíamos para curtir a cidade, e vez por outra trombávamos com outras das diversas crews locais. E uma galera que era sempre uma grande experiência encontrar por aí era esse povo onde no meio sempre estavam metidos, entre muitos outros, Rafael Urso, Luiz Postal, Bisnaga, e Carlos José, o Cajé.

Eu, como skatista ainda em desenvolvimento e buscando referências, via no Cajé e seus amigos, a máxima representação da cultura do skate, na contemporaneidade nas manobras e na linguagem sonora, falada e visual. Via, nas sessões de skate das tardes de domingo, ali nos picos clássicos da cidade, a extensão visceral do que para mim significava a própria comunidade global do skate.

Quando o Bico me mandou as fotos do shape do Cajé, fiz um pedido ao Luiz Postal para que nos contasse um pouco sobre este seu grande amigo e companheiro de skate, que, confirmando minhas impressões àquele tempo passado, nos relatou:

Postal – “Tipo assim: o Cajé e a Drop Dead começaram meio juntos. Conheci o Cajé num campeonato no Gaúcho nos anos 90. Cajé – um apelido para Carlos José. Nascido em uma família de artistas portugueses, o Cajé sempre esteve além do que a gente imaginava ou conhecia. Ele já manjava vários sons, sacava várias manobras e andava muito, sempre na mesma e verdadeira atitude ‘low profile’ (discrição). Conhecia os vídeos do Matt Hensley, Rodney Mullen, ouvia Dinosaur Jr. e sabia tudo sobre o Massive Attack antes de qualquer um… O Cajé é um daqueles caras que você sempre vai amar e lembrar com carinho, muito carinho. Na linguagem internacional eles chamam de ‘Heimatlos’ – todos aqueles que não tem uma nação de origem comprovada. Seriam os apátridas, de acordo com o direito internacional. O Cajé, por outro lado, é e sempre foi um polipátrida, além das nações. Ele é brasileiro, português, holandês, angolano, australiano… humano. Demasiadamente humano.

Postal: Uma aventura com o amigo – “Tínhamos combinado de nos encontrar em Heathrow. Eu viria da Alemanha e iríamos para Northhamptom. Havia chego em Munique há um dia e meio, sequer eu tinha ideia do tempo que eu levaria de trem até Londres. Parti logo que me liguei que a fita ia ser sinixxxtraa! Foi um dia/noite/manhã até chegar em London (dia em que havíamos marcado de nos encontrar). O Cajé estava levando quase tudo: malas, skate, shape, tênis, prancha de surf… Eu levava meu skate e vários shapes da Reverse pra vender e capitalizar na gringa… Daí zicou! Quando cheguei na estação fui abordado pela imigração. Os caras acharam que eu era muito fora do contexto. E o Cajé no aguardo! E eu fiquei duas horas no aeroporto respondendo perguntas sobre marfim paraguaio!

Cajé. Ao lado, Postal. Fonte: acervo pessoal Postal.

Talvez mais alguém além de mim tenha ficado com a impressão de que a presença do Cajé na cena de skate da cidade tenha sido mesmo um dos diversos vetores importantes que moldaram ou construíram toda a imagem e “jeito” de ser e praticar skate por aqui. Esta história, assim como todas as histórias, empurram a curva que define os rumos futuros. Agradeço ao Cajé pela contribuição e influência sobre esse caminho, que considero bonito e rico. Agradeço ao Postal por compartilhar suas lembranças. E agradeço ao Felipe Bico por manter esta joia guardada para que pudesse compor este acervo virtual.

 

Você, parça, que tem algum shape que possa colaborar à esse acervo, ou tem shapes seus assinados novos ou antigos, e quiser nos mandar fotos, elas serão mais que bem vindas!

Valeu. Abraço. Até logo.

Visite a Exposição completa: só clicar!

 

#caradatabua #caje #carlosjose #dropdead #postal #portugal #heimatlos #polipatrida #skatista #skate #skateboarding #curitiba #cwb #felipebico #historiadoskate #exposicao #shape #deck #skt #sk8 #culturaskate


Coluna RGW

Ricardo GosWod: Marido de artista e pai de roqueiro progressivo. Skatista faz 26 anos. Depois de velho foi jogar rugby e estudar arbitragem. Escreve sobre o que lhe interessa: amigos espertos, música, skate, rugby, zines … Trabalha nas horas de folga com projetos gráficos visuais e geoprocessamento. Escreve a Coluna “Sem tempo pra trabalhar“.

 

Conheça MyTrix: Guia de locais para se andar de Skate e muito mais.

Coluna STT: Counter Fairy Deck e Jogos de Cartas Viciantes: Yugioh

Estamos a ‘60’ meses sem dependência de jogos de cartas.

Estamos a ‘0’ meses sem dependência de jogos de cartas.

É isso aí. Depois de um período de cerca de 5 anos sem me envolver com jogos de cartas, especificamente o TCG (Trading Card Game) Yugioh, resistindo bastante para poder manter uma vida minimamente produtiva dando espaço a tantas coisas descentes e louváveis, eis que estou novamente envolvido! Talvez não dure muito, mas já foi o suficiente para eu gastar um bom tempo me atualizando quando à evolução das regras e aos novos ‘cards’ que estão funcionando bem hoje em dia. E para não ser um desperdício total, vou compartilhar estas pesquisas, que foram especificamente voltadas para um ‘set’ de cartas conhecidas como “Counter Fairy”, ou Fadas e Armadilhas de Resposta.

“Counter Fairy” não é o “set” mais atual nem o mais eficiente do jogo, mas com o lançamento do novo Deck Estrutural voltado para esta mecânica, alguns suportes ajudaram bastante e com um investimento pequeno achei uma boa ideia tentar montar o deck, e me divertir jogando. A estratégia básica é ativar armadilhas de resposta (counter traps) e com isso, além de negar as ações do oponente, obter vantagens a cada negação, como novas invocações especiais e envio de cartas do deck para a mão.

Compre Cards de Yugioh! Veja itens na loja!

Alguns bichos novos tem efeitos com a ativação das armadilhas de resposta, e o interessante é que estes bichos fazem o trabalho “assim que a trap é ativada”. Isso significa que não vão iniciar uma corrente (chain), ficando difícil destes efeitos serem negados pelo oponente, como é o caso de “Meltiel, Sage of the Sky” e “Minerva, Scholar of the Sky”,  que com a carta “The Sanctuary in the Sky” ou “The Sanctum of Parshath” em campo, podem respectivamente, destruir uma carta do oponente e voltar uma trap do cemitério para mão; “Layard the Liberator”, que faz voltar duas Fadas removidas para a mão; “Power Angel Valkyria”, que te permite buscar uma Fada do deck para mão; e a já conhecida “Bountiful Artemis”, que lhe dá uma compra extra do deck.

couter_fairy_monstros_ativacao_com_trap_yugioh_estrategias_deck_fada_armadilha_resposta

Como as armadilhas de resposta geralmente tem um custo, pagando pontos de vida ou descartando cartas da mão, uma opção ótima é “Guiding Ariadne”, monstro com efeito pêndulo te libera de pagar este custo. Junto com “Luster Pendulum, the Dracoslayer” faz um combo ótimo ao destruir “Ariadne”, buscar uma nova cópia dela no deck e utilizar o efeito monstro que foi destruído para buscar uma armadilha de resposta do deck para mão. “Ariadne” ativa seu efeito de monstro mesmo enquanto utilizada como magia, já que, ao resolver, não está mais na zona de magias. E ainda, com dois pêndulos no campo, é possível fazer uma invocação pêndulo da “Ariadne” destruída.

couter_fairy_pendulo_destroi_outro_pendulo_buscanodeck_special_summon_yugioh_estrategias_deck_fada_armadilha_resposta

Outra carta interessante é “Sacred Arch-Airknight Parshath”. Com a armadilha “Rebirth of Parshath” ativando e resolvendo, pode-se buscar o “Parshath” do deck e invoca-lo no campo. Ainda, com “Power Angel Valkyria” no campo e um efeito/magia/armadilha sendo negado, busca-se o “Parshath” do deck para mão, e com seu próprio efeito de remover duas Fadas de qualquer lugar, é só fazer sua invocação especial da mão.

couter_fairy_trap_Parshath_special_summon_monstro_Parshath_Valkyria_yugioh_estrategias_deck_fada_armadilha_resposta

Para quem quiser se arriscar e encontrar um bom equilíbrio, há os “Herald”, que podem negar ações do oponente direto da mão, e fazer efeitos de “Power Angel Valkyria” e “Sacred Arch-Airknight Parshath”, esta, mesmo da mão ou cemitério.

Com um investimento maior, pode-se ainda dar maior velocidade para o deck com cartas de mecânica de compra, e ainda descolar umas armadilhas melhores que negam invocação de monstros. E claro, um extra deck com mais algumas surpresas para salvar a vida em situações mais complicadas. Mas já aviso que aí a brincadeira começa a ficar cara.

Em pesquisas sobre o funcionamento do deck, encontrei várias opiniões diferentes. Muitos jogadores experientes disseram, com estes novos lançamentos, que este deck seria um candidato a “meta” (decks muito eficientes feitos para ganhar jogos e campeonatos). Outros já não acreditam tanto na sua eficiência. Em minha opinião, com todo o suporte (caro) necessário, pode-se dar bastante trabalho para os decks “meta”, mas vai exigir muito conhecimento dos decks mais encardidos, pois saber a hora correta de negar os efeitos do oponente e o que fazer com os benefícios, é parte integrante da estratégia.

Enfim, depois de utilizar por muito tempo, lá atrás, “Gladiator Beast” e algumas outras coisas mais “for fun”, estou gostando de testar estas Fadas e principalmente, aprender sobre as novas regras e decks atuais. E digo, o jogo não tem nada de brincadeira, e com as a grande diversidade de Pêndulos e os novos monstros Link, a exigência mental está absurda. Pelo menos vou adiar o alzheimer por alguns anos, e, na possibilidade de eu continuar vivo até a velhice, o cérebro vai estar um tanto mais ativo.

Agradecimentos ao Thiago Bittencourt pela leitura de revisão e ao Johan “RHAUD” (colunista de jogos em Jorle) que desde sempre me ensinou a jogar e é grande parceiro na discussão de estratégias.


Yu-gi-oh é um jogo de duelo de monstros, jogado com cartas, onde o jogador que conseguir liquidar os pontos do oponente primeiro ganha a partida, batalhando seus monstros contra os do oponente. Para isso são utilizadas cartas de monstros, que possuem um valor de ataque e de defesa e geralmente algum efeito, cartas de magias e cartas de armadilhas.

Yu-gi-oh é um jogo com Propriedade Intelectual, ou seja, há um registro exclusivo para a empresa que gere a marca, que tem exclusividade para a fabricação, distribuição, criação de novos conjuntos de cartas, novas regras e ainda a organização de um ranking e campeonatos por todo o mundo.

Os “cards” são vendidos aos jogadores e o preço pode variar bastante, basicamente segundo a raridade e importância de cada carta no jogo. Cartas podem custar de alguns centavos até algumas centenas de reais. Por ser um TCG, há uma cultura de trocas que está vinculada aos jogos. Ou seja, o que você tem e não precisa você pode trocar com outros jogadores e assim obter as cartas certas para sua estratégia de jogo.

De 1999 a 2016, já haviam sido lançadas 7649 cartas diferentes do jogo. Este número já deve estar perto de 13000.

 


Fontes:
https://www.ygopro.co/Forum/tabid/95/g/posts/t/28574/Guiding-Ariadne#post135867
http://yugioh.wikia.com/wiki/Card_Tips:Guiding_Ariadne
http://yugioh.tcgplayer.com/db/article.asp?ID=5640&writer=Kelly+Locke&articledate=3-29-2016
http://yugioh.wikia.com/wiki/Wave_of_Light_Structure_Deck

Coluna RGW

Ricardo GosWod: Marido de artista e pai de roqueiro progressivo. Skatista faz 26 anos. Depois de velho foi jogar rugby e estudar arbitragem. Escreve sobre o que lhe interessa: amigos espertos, música, skate, rugby, zines … Trabalha nas horas de folga com projetos gráficos visuais e geoprocessamento.
Escreve a Coluna “Sem tempo pra trabalhar“.

 

 

#couterfairy #monstros #ativacaocomtrap #yugioh #estrategias #deck #fadaarmadilharesposta #vicioemjogo #jogosviciantes #estruturalondadeluz #waveoflight #yu-gi-oh