Uma das mídias de skate mais tradicionais de Curitiba, feita pelo Ronaldo Miranda e agora com o formato impresso e on-line, abre espaço para as opiniões dos velhos skatistas que produzem o Eixo Mole Skate Zine.
Nesta edição o tema foi Campeonatos, abordando as competições do ponto de vista de alguns dos skatistas menos “campeonateiros” da cidade! Viver a experiência das competições não precisa ser decepcionante nem tóxica.
Leia on-line no link https://fliphtml5.com/zwfba/zroy/ – Página 28! E deguste a revista toda, que está recheada de boas informações, histórias e imagens sobre skateboard!
Com imenso prazer skatistas Eixo Mole participam deste trabalho primitivo e complexo que é o Monolito, projeto construído por Giulio Sertori, que já frequentou aqui o site Jorle com seu shape e fanzine.
Além dos Eixos Moles Olho Wodzynski, Peterson Caetano e Rafael Urso, participam toda a parte selvagem dos skatistas de Curitiba.
Nada melhor que a própria descrição do trabalho, disponível junto ao video no Youtube, reproduzida à seguir.
MONOLITO é Primitivo e Original: alguns dizem que ele veio do céu, direto do interior do Deus cabeludo; outros dizem que veio do mundo subterrâneo, vomitado pelo Deus absconditus. Independente disso, o fato é que ele teve uma aparição imediata em formato de tumba, de modo que os skatistas arqueólogos o esculpiram até que ele obtivesse o atual formato monolítico, pronto para andar de skate.
Ancestral dos modernos “curbs” veio satisfazer as necessidades primitivas dos skatistas que valorizam o skateboard em sua forma criativa, crua e original. A prática de adoração do Monolito parte não de uma atividade estática ou estética, mas em um ritual de ação dinâmico de atropelamento ou o conhecido “slappy” que possibilita a realização de uma dança ditirâmbica ou dionisíaca – a embriaguez é um aspecto que movimenta o ritual!
Ocorre que, além do ritual externo que é perceptível aos sentidos, há uma dança interna que movimenta o aspecto psíquico do dançarino: uma verdadeira transmutação alquímica no ato de criar movimentos externos e internos. É que o slappy no Monolito abre as portas para novas percepções internas, e estas possibilitam criar movimentos externos originais.
Em última instância, se o Monolito promove a metamorfose do slappy-eiro, há uma transformação que ocorre no grupo; o slappy de um dançarino gera uma reação afetiva em outro dançarino, movimentando-o para um novo slappy e, consequentemente, uma nova reação emocional em outro dançarino, em uma infinita retroalimentação: compõe- se a dança primitiva em um verdadeiro ritual circular com emoções bombásticas – o MONOLITO é um verdadeiro transformador individual e coletivo. E por isso mesmo, encontra-se hoje disponível na Praça 29 de março de Curitiba para qualquer um que queira compartilhar alegria, amizade e por último, mas não menos importante, dançar ao som do concreto gritando!
MONOLITO PRIMITIVO, ORIGINAL Um video filmerd idealizado por: Giulio Sertori, Felipe Barbugiani, Mario Kreb e Olavo Andreucci.
Filmado e editado por Giulio Sertori. Filmagens Adicionais: Mario Kreb, Matheus Luz, Olavo Andreucci, Bruno Pestes, Guilherme Trakinas e Felipe Barbugiani.
SKATERS EM ORDEM DE APARÊNCIA: Felipe Barbugiani, Matheus Luz, Renato Souza, Mario Kreb, Giulio Sertori, Luiz Gaida, Cristiano Caetano Augusto, Imad Hamdar, Olavo Andreucci, Alexandre Mais, Percy Jr., Augusto Akio, Pedro Henrique, Hendrik Santos, Carlos De Andrade, Murilo Marques, Luiz Gustavo, Peterson Caetano, Raphael Urso, Olho Wodzynski, Bruno Prestes, Guilherme Trakinas, Leo Castro, Arthur Cercal, Rafael Meyer, Ezequiel Granado, Marcos Pesch, Ederson Duarte, Luccas Cristalvo, Felipe Espindola, Miguel Oliveira Ary Neto, Lucas Ferreira e Gustavo Maximo. FOTOGRAFOS: Mario Kreb, Gabriel Franco e Olho Wodzynski.
TRILHA SONORA: Giugliodelia – Distorções monoliticas / Clan Dos Mortos Cicatriz – Febre (fato encontra falha) | O Lendário Chucrobillyman – Where Should I Lay My Head Lord? | Deaf Kids – Happiness In Slavery Deaf Kids – We’re Born to Die
AGRADECIMENTOS: PRAÇA 29, DEUS MONOLITO, cimento ,curb, breja, maconha, Chicao, Alexandre Wolf, Clan Dos Mortos Cicatriz, O Lendário Chucrobillyman, Deaf Kids, Nada Bar, Porta, Bar Capivara, Yeah Skateboards, Cripta Skateboards, Tropicalients, Slow Skateshop, Öus, pedra TROVÃO. Todo mundo que partecipou e ajudou em alguma forma. Filmado entre 1 de Fevereiro e 23 de Junho do 2022.
Para marcar 2 anos de Eixo Mole cortamos umas lembranças dos fanzines já lançados! E a cada video de cerca de 1 minuto também um pouquinho de história sobre a produção e vibe dos trampos.
Começamos então com os artistas que já participaram. Somos skatistas, portanto artistas. Cada um em suas viagens, usamos o Eixo Mole como tela e também abrimos espaço para convidados que costumam caminhar com a gente.
O Eixo Mole surgiu como efeito colateral dessa que foi uma das maiores aventuras que já vivemos, este confinamento por conta da Covid. Amigos, velhos, cada um com suas vidas, mas com o skate em comum. Um grupo de conversas, alguns vídeos de casa compartilhados e foi o suficiente.
Cortes Eixo Mole – Skate Hoje
Skate Hoje é uma sessão do fanzine Eixo Mole onde convidamos crews de skatistas que estão movimentando a cena regional e para além dos jovens que evoluem em manobras pesadas, essa galera também tem a característica de se organizarem.
Como dizem, skate é um “esporte” individual muito coletivo. É perceptível a força quando o pessoal se junta para fazer obstáculos, reformar pistas, organizar eventos independentes e evoluir em conjunto. Quem ainda não viu, dá uma olhada naquela apresentação do Rodney Mullen: Faça um Ollie e inove, onde ele conta sobre poder da comunidade, conhecimento acumulado e inovação. Também vale a leitura do artigo “Associações, crews e outras formas de organização de skatistas” – link na Bio.
Foi o que a gente viu nessa rapeize gente fina e que andam muito de skate dos @cozmicnomadz, da @yeahskateboards e @thefilmerd, pessoal da #pistadematinhos no Litoral do Paraná e da @quadradavish no J.A.!
Obrigado pelos corres de filmagens e pelas video parts que ficaram animais!
Cortes Eixo Mole – Entrevistas
Ao longo das edições, conversamos com camaradas marcantes da história do skate. Papos sobre a cultura e evolução da cena.
Falamos com Júlio Japa @sik__75 sobre música, discos e a cultura do skate; com Marcos Pesch @marcos.pesch sobre preparação física para skate depois de velho; e com o fotógrafo Wester Fernando, entrevistado por @fabiocostabatata, que contou suas aventuras da década de 90.
Também iniciamos a série “Passando o Eixo”, onde exploramos a passagem do bastão do skate de rua, de geração em geração. Começamos pelos lendários Cobra @instacobra_, Zé Selski @joseselski, Fukuda @leonardofukuda e Caolho, a “galera da Tofs”. Na sequência vieram Rafael Urso @urso.skt.cwb e Fabrício Gugu @fabraza, que contaram sobre a geração que consolidou a presença de brasileiros pelo mundo, suas carreiras como profissionais e curiosidades locais e globais.
Cortes Eixo Mole – Rolê Tiozão I
Não! A gente não anda nada mas anda muito! Cortando todas as manobras e colocando em sequência ficou um negócio bonito de ver, principalmente pra nós mesmos. Porque cada cena é mais que uma manobra de skate. São lugares visitados e amigos vistos. São escapes da vida cotidiana para um respiro na rua. Somos velhos, temos contas e trampos. O skate faz furos e areja a rotina banal da sobrevivência.
Cortes Eixo Mole – Rolê Tiozão II
Fazer fanzine é uma tradição meio punk, meio underground. Nos anos 90 muita gente fazia as ‘revistas de fanáticos’ sobre assuntos diversos. Desde ciência experimental até música e skate. Assim era o ‘Sabonete’, do José Selski, que além de PRO, escrevia e registrava as coisas naquele tempo. O ‘zine do Zé’ inspirou a gente, nas antigas e agora. Só pra lembrar, o Zé também teve a marca Ajax, que reuniu um time de selvagens que não sabiam correr campeonato e eram frequentemente vistos pelas ruas da cidade despencando de canteiros e corrimões.
Obrigado Zé! A gente faz umas merdas hoje em dia um pouco por causa de você. Te amamos!!
Cortes Eixo Mole – Rolê Tiozão III
‘Danem-se as habilidades’ estava escrito em uma ilustração feita pelo Bico, um tempo atrás. Esse é o espírito. Tem uns que andam mais, outros menos, tem uns com mais tempo, outros com menos. O lance é estar no rolê, do jeito que pode e faz bem. Certas ‘obrigações sociais’ no mundo do skate vão ficando pra trás conforme envelhecemos. Talvez envelhecer se trate mesmo disso. Deixar o que outros pensam na cabeça dos outros. Segue o barco, vai curtir. Talvez seja o relógio que começa a contar regressivamente e faz a gente focar no que dá retorno na vida.
Eixo Mole não dá retorno! Zoeira, dá sim! Mais uma coisinha da vida que é legal de fazer, só por fazer.
E às vezes sai até umas manobras!
Cortes Eixo Mole – 2 anos de Skate Zine
Último video das lembranças dos dois primeiros anos de fanzine. Teve erro, aprendizado, empolgação, procrastinação. Não teve coach exigindo o impossível e tiveram conversas aos montes. Os bastidores são nossos grupos de mensagens. A gente fala sobre skate, novidades, manobras e eventos. A gente fala muito sobre política! Sim! Porque fazer fanzine é política. Tudo é política. Conversar e discutir está na nossa veia, porque skate já foi, acreditem jovens, coisa de vagabundo e inútil na sociedade! Por décadas estivemos na linha de frente na batalha entre o que é do ‘bem’ e o que é do ‘mal’ para essa gente hipócrita que aponta no outro seus próprios defeitos. Conversar é melhorar, evoluir. A gente faz isso com nossos filhos, com ‘conjes’, com livros, com música, com skate.
Obrigado a todo mundo que participa e acompanha! Tomara que a gente faça mais!!! Se não der preguiça!