Coluna “Sem tempo pra trabalhar” – OverNight-AndreDeMeijer-RomanceParanoia

 

Olá. Coluna 2.

Uma indicação de orientador de passeio no mato.

Um filme “trash” do filho e amigos.

Mais um quadrinho mofado.

 

cidade
CWB – Foto: Ricardo GosWod

 

Entrevista com The Balcony Man

Você está na escola e mandam um trabalho de línguas. Dá pra fazer aquilo pensando em uma carreira de comércio internacional pra deixar sua família classe média esperançosa. Dá pra fazer um lixo qualquer porque você entende que não vai dar futuro pra ninguém se empenhar nisso. Ou, dá pra se divertir um pouco. Essa gente aí do Balcony Man resolveu misturar tudo: fizeram um “lixo” divertido esperançoso. Eles são estudantes de Curitiba com gosto e afinidade pelas artes cinematográficas e acabaram por desenvolver um pequeno filme “trash” chamado OverNight. Neste curta de terror, os autores/diretores/atores Gabriel, Johan e Karol, idades entre 17 e 18 anos, utilizam material comum, câmera barata, um quintal e um ajudante “pai” para desenvolver sua história. Fiz algumas perguntas para eles:

RGW: Qual foi a grande motivação para se ir um pouco além do esperado e produzirem o primeiro filme do grupo?
BM: Nós tivemos muitas motivações. Dentre elas, o próprio trabalho de inglês. Mas, além dele, nossa paixão por arte e nossa vontade de colocar nossas virtudes em prática por meio dela.

RGW: Como lidaram com a falta de recursos, de material profissional, de estrutura?
BM: Como fizemos um filme Trash, não houve muito problema com a falta de material. A criatividade resolveu tudo, pois utilizamos até salame para representar as tripas do Joey, o personagem fazendeiro, quando morto.

RGW: Sobre a ideia inicial do filme, até chegar no roteiro e detalhes de filmagem, como foi o processo? Já sabiam o que queriam no início ou foi acontecendo?
BM: Nós iniciamos com a ideia simples de filme de terror Trash. Depois, pensamos num local e num tema e, em seguida, planejamos um roteiro básico, apenas com a descrição de cada cena. Por fim, escrevemos um roteiro com todos os detalhes e falas e filmamos. Esse processo foi acontecendo aos poucos, mas desde o início já tínhamos muitas ideias, apenas selecionamos um caminho para seguir por entre elas.

RGW: Como lidam com o pouco tempo e muitas obrigações, ou até mesmo muitos vídeo games para serem jogados, e ideias de se fazer coisas, como a deste filme? Como lidam com o que é prioridade, ou levar ou não a sério um projeto qualquer?

BM: Tempo para jogar nós tivemos, mesmo enquanto fazíamos o filme – jogamos muito enquanto escrevíamos o roteiro -, mas o que nos ajudou muito a ter tempo e dedica-lo ao filme foi a ausência de outras coisas para fazer num curto período de tempo. Nesse tempo, pudemos pegar todas as ideias que já tínhamos para o filme, aprimorá-las e coloca-las em prática.

RGW: Qualquer um pode tentar?
BM: Qualquer um pode tentar. Mas apenas conseguirão aqueles que tiverem vontade e determinação suficientes para isso.

RGW: Novos planos para Balcony Man?
BM: Sim. Por enquanto, temos planos para um filme de terror Trash até o fim do ano e um livro de piadas ruins que ainda não possui data pra ser lançado.

Entrevista respondida por mensagens, por Gabriel Tochetto e Johan Wodzynski – Balcony Man.

 

Excursões guiadas na mata atlântica com André de Meijer

André
André

Uns anos atrás conheci este sujeito muito habilidoso e comprometido em entender a natureza, as espécies vegetais e animais e a dinâmica dos ambientes. De origem holandesa mas no Brasil já a quase 40 anos, André de Meijer tem reunido suas experiências e observações em escritos que chamou de “Cartas da Mata Atlântica”. Agora, após 172 edições (mais recentemente postadas em seu site http://www.andredemeijer.net), André as está editando em um livro a ser lançado em breve.

O que sempre me chamou a atenção em suas cartas, as quais recebo por e-mail há anos, é sua linguagem ao mesmo tempo técnica e com aquele sabor poético de um observador da natureza que se esforça em escrever em uma língua que não é a sua, o que faz muito bem. São cartas que descrevem, por exemplo, a passagem de aves migratórias, datas, horários e sequências anuais; ou os ciclos da floração das espécies; descrição e contagem das espécies moradoras da sua residência (incluindo aí ele mesmo como um homo sapiens sapiens); fungos e pássaros; e até as espécies com folhas largas, presentes nas bordas de estradas, indicadas para emergências “sanitárias” – tudo com tabelas, quantificações, nomenclatura e citações em publicações. Entre o bom humor, o prazer da observação e a pesquisa científica, foram dezenas de cartas com grande conteúdo.

Morador de casas simples em ambientes rurais, André atualmente reside em Guaraqueçaba, às margens do rio Tagaçaba, onde pesquisa, escreve e presta serviços de tradução (Holandês/Alemão/Português) e também como guia para excursões. Este trabalho de guia merece destaque, não só pelo serviço de orientar caminhadas, observações e pesquisas, mas pela própria importância ambiental da atividade. Além de almejar seu próprio sustento, André percebe nesta atividade, com seu aumento de demanda, uma oportunidade para outros moradores locais, muito conhecedores da região, passarem a obter com isso alguma nova renda e diminuírem diretamente a pressão antrópica ao ambiente (caça, pesca, plantios inadequados) em uma região bastante importante ecologicamente.

Que tal, ao invés de ver o mato de um automóvel que agride animais e vegetais pelo barulho, velocidade e poluição, fazer um passeio à pé, lento, orientado e cheio de informações? Verifique os temas de passeios, organize um grupo e combine uma data. Passeios com temas como conchas, história, borboletas, aves, cogumelos, mutucas e muitos mais – verifique no site a lista completa.

Contato do André: a.de.meijer@gmail.com – Pode ser que leve alguns dias para ele responder pois mora longe de um acesso à internet, mas sempre responde.

Há sim, mais uma coisa, caso eu não tenha agradecido o suficiente, André, obrigado!, pelo trabalho de consultor de pronuncia para o já falecido De Kroeg (bar).

www.andredemeijer.net.

Mais um quadrinho mofado

Pra encerrar, quadrinho “2” de Romance Paranoia. Mais um resgate da gaveta, cheio de poeira e mofo. E se não viu o primeiro, vai no post anterior! Aproveita e não perde o próximo na coluna que vem!

romanceparanoia2

 

 

Abraço.
Ricardo GosWod.
Quer que eu te avise por e-mail quando tiver coisa nova? Cadastre aqui.


Coluna RGW

 

 

Sem tempo pra trabalhar, Coluna por Ricardo GosWod.

 

 


Coluna “Sem tempo pra trabalhar”

Por Ricardo GosWod.

E aí, como vai.

Começando então! Bem vindo! Esta é minha coluna aqui no site Jorle. A tarefa é publicar um artigo a cada porção de dias sobre os assuntos que estiverem mais me interessando, dar vazão às coisas que estão guardadas nas gavetas e manter um canal aberto para conversar sobre amigos espertos e suas façanhas. Sou Ricardo, passo os dias em CWB, de onde tento acompanhar o mundo girar, e a impressão que dá é que parece que estou sempre sem tempo para trabalhar…jorle_coluna_RGW_ilustra

Nesta edição quero mostrar umas artes do Rafael e da Lela, indicar os sons do Vida Ruim e do Ornitorrincos, e empurrar um quadrinho meu que tá mofando já e precisa sair da gaveta, urgente.

Na repleta de ladeiras Ponta Grossa mora um sujeito que me é precioso e que já me emocionava com seu jeito poético de responder e-mails, mesmo os triviais. O Rafael Schwab, que agora, um “pouco de anos” depois, se aproximou mais da arte, especialmente da colagem e apropriação, bem coerente com suas companhias e feitos musicais (ver O Messias por Ele Mesmo, Garrancho em Lápide e recentemente o Clube da Colagem de Curitiba). Recebi deste distinto rapaz, um dia desses pelo correio, um Fanzine com alguns de seus trabalhos e eu gostei muito, e achei por bem mostrar algumas das coisas que ele faz. Veja um pouquinho:

 

ColagemPessoa InterrompidaFerasBob

(clique para ver ampliado)
Code Binare feeling me
Code Binare feeling me – Lela W.

Outra arte que vi e gostei foi de um pessoal que através das ligações digitais/sociais, dão movimento em imagens: um sujeito ou sujeita inicia um trabalho, o distribui por aí, entre seus contatos da internet, e cada um interfere sobre esta imagem original a transformando e a personalizando, e a passa adiante novamente. Os resultados vão se entrelaçando na rede e quem sabe um dia, possam ser novamente reunidos e analisados. Método conhecido aplicado ao veículo digital e ágil da internet. A artista Lela Wodzynski, de Curitiba, trabalhou em algumas destas obras vindas de Melbourne, colaborando com o processo, e ao menos até onde esteve em suas mãos, o resultado ficou assim:

 

Lela W.
Lela W.

 

E só pra lembrar, esses dias atrás o pessoal do Vida Ruim (Curitiba) lançou seu vinil. Tem uma resenha deles no site Chiveta e tem esse vídeo aqui que ficou muito bom. Confere. Ah, e confere no POST.E quando eles tocam novamente em CWB!

 

a2129652401_16Já lá de Poa, o pessoal do Ornitorrincos tá preparando um disco sensacional com sua bem própria versão de vários clássicos do punk/hardcore. O disco “Ladrones de Riffs” ainda tá pra sair mas já tem faixas pra ouvir como “Brand Flag”, “(Violencia no es) Atitude” e “Igrejinha Über Alles”. Sacou do que to falando? Escute on-line no bandcamp.

 

 

E pra fechar, vou tirar da gaveta uns quadrinhos que já tem um bom tempo desde que foram desenhados, e bons ou não, merecem ganhar “liberdade”. É uma pequena série chamada Romance Paranoia, com poucas histórias em homenagem aos habitantes não-humanos lá de casa. Vai aí a primeira delas, e o resto meus amigos e amigas, já sabem, só nas próximas colunas, pra fazer vocês voltarem, servir de isca, “prender” suas almas à espera do próximo capítulo.

Abraço e até mais.

 

Romance Paranoia

 

Ah… sim… “Fora Te_e_!”


 

Coluna RGW

 

 

Sem tempo pra trabalhar, Coluna por Ricardo GosWod.