Nesta sexta-feira dia 26 de agosto, foi ao ar o programa Carga Pesada, e nesta semana a crew do Eixo Mole foi convidada a apresentar dois blocos na programação.
Foram selecionados sons que fizeram parte das duas primeiras edições do fanzine de skate. São bandas do pessoal do Eixo Mole e de amigos e que formam a trilha sonora dos rolês e dos videos de skate editados pelos CWB Skt Warriors.
O Carga Pesada é um programa de webradio criado por Jaron Custódio, curitibano, atuante na cena punk e hardcore local, que atualmente é radicado em Lisboa, Portugal. O objetivo do programa é selecionar e tocar música pesada: metal, punk, hardcore e suas vertentes.
Há aproximadamente três anos atrás foi ao ar pela plataforma mixcloud a primeira edição, que além de ter Jaron Custódio à frente, contava com presença de Puga Cavassin que deixou o programa em 2021 para tocar seus projetos pessoais.
Mais recentemente, o programa tem contado com a participação de Nilo Netto na seleção musical e comunicação, enquanto Jaron faz a seleção, locução e edição do programa.
O Carga Pesada vai ao ar semanalmente, toda sexta-feira pelo mixcloud com programas inéditos. E ele é reprisado nas webradios Mutante Radio, Alternativa Rock, Web Rádio Taverna, Rádio da Baixada Santista, Rádio Rock Capital (no Brasil) e 414 Rádio Rock (no Peru) em diversos horários.
Marcelo ‘Bisnaga’ @ganamlb é skatista carioca radicado em Curitiba desde os anos 90 e fez parte da cena paranaense, onde é presente até hoje. Esteve em algumas marcas e entre elas foi parte da equipe da Vândalo junto com @ricardomacieldecarvalho, @kamau_ e Fábio Black @brakko_costa, entre outros. Por volta de 1992 Marcelo teve seu ‘model’ de shape lançado pela marca. Neste relato ele nos conta de sua trajetória e como pensa o skateboard, registrando assim seu shape na coleção Cara-da-Tábua.
Tem modelo de shape lançado em Curitiba ou região? Manda pra nós e conta sua história!
“Prefiro ‘esporte’ do que ‘brinquedo’”
Comecei a andar em Niterói/RJ, aos 11 anos em 87. No Rio a cultura do skt era bem diferente de Curitiba. Lá todo mundo surfa e anda de skt de forma ocasional e, no meu caso, não foi diferente. Comecei a surfar por influência do meu irmão mais velho, André, que surfa um monte até hoje. Ele e alguns amigos começaram a andar no surfstyle e eu fui com meu pai comprar um presente de natal que seria uma roupa de borracha. Não tinha e precisava escolher algo, então pedi um skt e aí começou tudo. Logo nos primeiros dias fui com meu irmão e uns amigos do prédio andar na rua, fui descer uma pequena rampa de garagem e quebrei o braço feio, os dois ossos do braço direito. Foi um trauma que me marcou para a vida toda…ficava no verão do RJ, com braço engessado e tentando entrar no mar sem molhar o gesso, enfim tudo zoado.
Fabio Lango , Rodrigo Careca, eu, Gustavo e André Cavalo – galera do Campo de São Bento, Niterói.
Aí fui me envolvendo cada vez mais com o skt e meu irmão só surfava, à partir daí comecei a ter meus amigos mais próximos ligados ao skt e foi quando fui no Campo de São Bento, uma praça local, e vi o skate street real ao vivo pela primeira vez. Vários caras andavam demais. Fiquei super impressionado, um deles era o Gustavo Black, hj Black Allien. Até hj foi um dos caras que mais me impressionou ao vivo. Depois desse dia, skt estava na alma e era street de verdade. Encontrava os caras no Campo e saía para andar o dia inteiro na rua. Quando batia a fome, pedíamos um pão “bisnaga” na padaria pra dividir entre nós e tomava água da torneira. Meu apelido vem daí. Quando cheguei em Curitiba em 92, fui repetir o processo numa padaria perto do Meracadorama, na frente de uma banca, e os caras não aguentaram, me zoaram demais. Acho que foi Salsicha que botou o apelido.
Aqui em Ctba, logo cheguei, e o primeiro pico foi o Gaúcho. Ali conheci toda a galera local rápido, Sal, Postal, Japa, Cajé, Turko, entre outros. Quando cheguei aqui, a cultura do skt era mais forte. Só andava com quem andava de skt, as baladas, as marcas e depois toda a sena dos campeonatos. Tudo nascendo aqui. Achei maravilhoso. No RJ praticamente não existia nada disso. Subcultura total. Aqui já tinha uma estrutura, o pessoal levava skt mais a sério, pensava em patrô, campeonato. Era realmente outro mundo. Até as minas gostavam da gente. Surreal demais.
Júlio Japa, Sal, Cajé, Turko, Potal, Gerson e Eu.Eu e Rafael Braciak
Shape “Bisnaga”, 1992.
Nunca me dei muito bem nos campeonatos, mas andava muito. Me dediquei de verdade por uns 10 anos eu acho. No meio desse período veio o primeiro patrô pela Vândalo e esse shape. Não lembro de ter pego vários models, esse aí eu segurei. Nessa época da Vândalo faziam parte da equipe eu, Fabio black, Ricardinho, que era uma criança, e o Kamau. Pelo que lembro, eu e o Fabio tivemos o model pela marca. O dono era o Vitinho, sangue bom. Acho que era de Telêmaco Borba, amigo do André Barba.
A minha cultura de skt é o skt Punk. Muita influência de som pesado, andar no gás, na rua e sem regras, fazendo o que desse na cabeça. Isso vem muito da galera de Niterói também. Os caras de lá realmente moldaram meu jeito de andar, dentre eles Lango, Banana, Rodrigo Careca (é um baita pintor hj em dia e faz umas artes com skt, mora SP e é um grande amigo até hj, assim como os demais). Eu realmente amava andar com essa galera, mas Ctba dominou completamente minha alma e logo de cara fiquei uns 5 anos sem voltar pra Niterói. Depois fiz parte da Change como amador, por um período, correndo os campeonatos no Paraná. Essa base de influência do skt punk me moldou e depois a cultura foi mudando muito para o rap, mas nunca me identifiquei da mesma forma. Na real não curtia muito. Skt pra mim era rua, gás, muito ollie e som pesado, tipo Ratos de Porão e Sepultura. Até hoje considero como as principais bandas nacionais e Sepultura como uma das principais da história global. Então, considero que esses ciclos culturais fazem parte do skt e cada um se identifica com uma linha e não precisa mudar porque o ciclo passou. Eu mesmo continuo fiel ao skt punk.
Sobre ser esporte, acho que sim, hoje pode ser chamado de esporte. Prefiro esporte do que brinquedo, como era visto na minha época. Também prefiro o skt enérgico, sem me preocupar quantas vezes ele girou, para qual lado e se estava de frente ou não. Não interessa. O importante é fazer com vontade e voltar do jeito que der. Hj existe esse ciclo das olimpíadas, high performance. Não me identifico. Por ex. Street League nem consigo ver, não vejo graça, não me identifico. Nunca aprendi a andar em pista direito. Sempre precisei embalar pra manobrar, então, pista sempre foi pra encontrar os amigos e vazar. Uma pena que ctba sempre foi precária de lugares na rua. Nesse quesito o RJ sempre foi paraíso.
Projeto organizado pela Jorle que traz a reunião de diversas imagens de “models” do pessoal de Curitiba. O que chamamos de “models” no ambiente do skate é o conjunto de forma, ou corte, do “shape” junto com a arte estampada na face inferior. Por tradição no “esporte” os skatistas, quando fazem parte de alguma equipe, ou representam alguma empresa do ramo do skate, tem seus próprios “models”, ou seja, definem exatamente como querem o recorte da madeira e as características de altura e forma de ‘nose’, ‘tail’ e ‘concaves’ e fazem, ou convidam algum artista para fazer, o projeto gráfico estampado. Esta é uma importante característica que revela uma vasta cultura, expressão e modo de viver por trás da atividade física ou competitiva. Muitas vezes a arte estampada no “shape” representa um ponto de vista político ou cultural, ou mesmo reflete preferências estéticas ou pessoais do skatista. De qualquer forma, é uma maneira de skatistas profissionais e amadores se comunicarem com sua comunidade e com o mundo externo, para o qual o skate e sua cultura seguem como algo curioso e bem particular.
Duração: 4min Resumo: Reedição de legendas em Português, que contam a história secreta sobre o skate na cidade. Velas e Destruição fazem este segredo ‘escorregar’ para as mãos perigosas da sociedade não-skatista, pondo em risco a continuidade de toda a apropriação urbana cultuada há décadas por estes selvagens das ruas.
Filme original: Fight Club – 1999 – David Fincher Adaptação de texto por Ricardo GosWod
Quer assistir ao show do Grinders + Flicts + Rabo de Galo + RedLightz na faixa? Se liga no Sorteio que a Jorle está agilizando: Ingresso para o FESTIVAL OS VELHOS PUNKS 2018 – Show organizado pelo Coletivo O Velho Punk – Curitiba, dia 15.12.2018. Se inscreva pelo Formulário On-line!! Sorteio dia 14!
ATENÇÃO:
Então é isso! Foi realizado o sorteio para ‘Promo Jorle: Ganhe um Ingresso para ver Grinders no Festival Os Velhos Punks 2018, 15.dez!’. O Ganhador é o seguidor com e-mail “not….com”!
Parabéns! Seu nome será informado ao pessoal do Festival Os Velhos Punks. Aguarde mais informações em seu E-mail ou entre em contato! Até a próxima Promo Jorle. (resultado do sorteio em https://sorteador.com.br/sorteador/resultado/1433970)
Conversei esta semana com Rodrigo Minduim, do No Milk Today, e ele explicou rapidamente sobre seu trabalho no Coletivo O Velho Punk. Como na maioria das conversas/entrevistas que tenho feito, foi uma troca de mensagens, mas foi bem legal saber mais sobre o festival e sobre a página que já tem um ano de atividades.
Rodrigo: – Salve Ricardo! Beleza man? Valeu o contato! Bacana o jorle lá! Então….O Velho Punk é uma página que completa um ano de atividades. Nasceu da união de duas iniciativas: 1. ter um roteiro unificado de tudo que acontece no rock do submundo em Curitiba ( a página funcionou exclusivamente com esta função no início, com post único por mês que era atualizado com os shows que iam aparecendo) e 2. necessidade de produção de eventos e divulgação destes quando éramos nós que fazíamos e nossa banda (no milk today) não tocava. O tal roteiro começou quando nossos amigos de SP vinham para o Rock Carnival/Psycho Carnival e de manhã eu passava para eles o que ia acontecer no dia, estas mensagens de whatsapp acabavam vazando e a cidade inteira compartilhava, daí pensei o porquê não fazer isso permanentemente, daí começou…. Hoje não faço mais por falta de tempo, mas pretendo voltar.
Rodrigo: – A produtora O Velho Punk não objetiva lucro e sim promover shows com preços honestos e que se paguem. A ideia veio com o show do Flicts em 2017, e segue com diversas iniciativas com destaque para os shows semanais que acontecem no Leite Quente Café (na calçada).
Rodrigo: – O primeiro Festival é uma ideia de trazer anualmente bandas que fazem parte da história do punk nacional, como o Grinders dessa vez junto com o Flicts e logicamente colocando as coisas legais daqui para tocar junto (e nós também). Desta vez o No Milk não pode por afazeres profissionais dos integrantes, então segue com os amigos do Rabo de Galo e Redlightz representando a terra.
Para participar do sorteio de um Ingresso para o Festival preencha o formulário on-line no link abaixo e aguarde. O sorteio será realizado no dia 14 de dezembro pelo site sorteador.com.br e o ganhador (1 ganhador) divulgado em www.jorle.com.br e comunicado em seu e-mail cadastrado. Apenas para quem puder estar presente no show em Curitiba. Ver restrições de idade no local do show.
Ricardo GosWod: Marido de artista e pai de roqueiro progressivo. Skatista faz 26 anos. Depois de velho foi jogar rugby e estudar arbitragem. Escreve sobre o que lhe interessa: amigos espertos, música, skate, rugby, zines … Trabalha nas horas de folga com projetos gráficos visuais e geoprocessamento.