O fanzine QUARTO DIMENSÃ 2 trás os impulsos críticos e criativos destes membros da sociedade de consumo que na volta do supermercado frequentemente entram em estado de desgosto com suas próprias práticas inevitáveis e contraditórias.
Você vai encontrar gravuras, textos, fotografias e colagens, trabalhos auto denominados como “sujismo como falsa vanguarda”, que entregam a mensagem latina em resposta a vida contemporânea contemplada sob o véu das convenções inventadas e praticadas por outros que não eles, na tentativa desesperada de pensar a “vida que ainda tem que ser inventada”.
Listas criativas de compras, manual do skatista antenado, poções para hiper realidade, decoração urbana, dicas de capacitação para trabalho e releituras bíblicas.
Conteúdo não indicado à menores de idade.
Baixe a edição #2 e de quebra a primeira edição. Tire umas horas durante o trabalho para a leitura e envie para seus contatinhos.
Quarto Dimensa #2
Quarto Dimensa #1
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Conexão entre música e skate, a identidade forte desta cultura e o universo envolvido na produção de vídeos/fanzines de skate. Por Ricardo GosWod, integrante do Eixo Mole Skate Zine.
O Eixo Mole é o fanzine de skate, em vídeo, que estes malditos velhos skatistas de Curitiba produzem com entrevistas, novas crews da cidade, rolês dos tiozões e bastante arte e música que se associam ao skate de várias formas. Reuni todas as músicas que já usamos como trilha sonora para a produção dos vídeos em uma play list de Spotfy!
Skate (skateboard) tem forte raiz na cultura musical alternativa como rap, punk, metal e todas as “subculturas” ou culturas de rua, fato que pode somar-se às diversas razões pelas quais não se chame skate exatamente de esporte. Trata-se de uma cultura e forma de viver e enxergar o mundo que vai muito além da prática física. Tem muito envolvimento com a experiência urbana, com o uso da cidade como lugar para se estar e não apenas como passagem, visão esta também compartilhada por uma parcela de artistas e músicos que acabam se esbarrando literalmente e conceitualmente com os diversos tipos e estilos de skatista, nas calçadas e praças do mundo. Se esta cultura e forma de ver os espaços vai se manter, se renovar, envelhecer ou desaparecer, não sei dizer. Mas por hora esta é a nossa trilha.
Ainda não desisti de contar outra história que é sobre como muitas coisas chegaram à mim pela música. Explicando rapidamente, vejo que muito do imaginário político e cultural que me formou chegou aos meus ouvidos diversas vezes pela música, com visões de mundo diferentes e compartilhadas musicalmente, principalmente quando esta musicalidade estava, digamos, na margem da cultura predominante. Ainda que com certos privilégios de gênero, cor, etc, nunca tive afinidade com esta cultura predominante, geralmente reflexo dos valores da classe dominante de nosso tempo e lugar. Enfim, treinamento para ver com outros olhos.
E outro aspecto que faz “colar” fácil música com skate vem do histórico de produção dos “vídeos” de skate. Desde o início do skate esta prática foi se consolidando, seja por motivos comerciais, onde a indústria, que era geralmente criada pelos próprios skatistas, divulgava seus produtos e seu time de skatistas em seus “filmes da marca”, seja por pura vontade de registrar a evolução das manobras e compartilhar com seus parceiros de rolê. E claro, era necessário incorporar aos vídeos mais que apenas manobras. Esta é, até hoje, uma forma de expressar o ambiente onde o skate acontece, os amigos que estão presentes e a atmosfera dos momentos, incluindo também algumas metamorfoses para o contexto atual de redes sociais. Assim, a trilha sonora dá mais identidade a cada parte dos vídeos dos skatistas, das crews e marcas. Aqui vem nossa parte, enquanto produtores de conteúdo e vídeos de skate do Eixo Mole, em manter esta tradição que tanto nos apresentou novos artistas e fez girar, inclusive comercialmente, a roda da indústria musical. Estamos fazendo nossa parte nesta divulgação de artistas e do cenário musical que nos rodeia e o apresentando à novas pessoas.
Pessoalmente, aprendi a não confiar em publicidade comprada e muito agressiva, e junto com cartazes de poste, lambes e à indicação direta de amigos, os filmes de skate foram ganhando espaço neste meu esquema mental de informação segura. A música do skate chega e precisa ser interpretada, cada um fazendo seu juízo, e por mais que haja a influência daqueles ou daquelas skatistas mais habilidosos ou estilosos, percebe-se que há um menor impacto da mídia tradicional, do esquema de pagar para parecer bom e popular, dentro do cenário do skate. Espero não estar muito equivocado.
“Grinduation”, como lembra o nome, é sobre graduação em “skateboarding”. Os mais familiarizados com a linguagem do “skate”, com é conhecido pelos brasileiros, farão ligação com “grinds”, uma das “tricks” importantes do “rolê”, mais comum na modalidade “street” e “vert”, deste “esporte” que é mais uma “cultura”… Mas poxa, quantos nomes, quantos códigos! Pois é! Skate é rico e profundo. Uma experiência que vai além da prática de uma atividade física. E é isso que você vai encontrar no livro do Willian Truta: um apanhado histórico, social, evolutivo, prático e técnico, sobre o que é andar de skate e como passar esta arte para as novas gerações.
Já em sua apresentação e ao longo dos capítulos, Truta lembra que a prática de skate tem características de uma cultura viva, que reflete um pertencimento à uma comunidade global e a existência de própria linguagem, visão de mundo, anseios e motivações. O autor passa sua experiência sobre como esta peculiaridade se materializa nas sessões de skate, nas amizades, na indústria e nos eventos, às vezes, competitivos.
Os capítulos se desenrolam a partir do contexto histórico, tanto do próprio skate e sua “invenção”, quanto das pessoas, manobras e locais comuns de sua prática. Além disso, o leitor skatista pode se emocionar muito com as páginas com a descrição de alguns “picos” clássicos conhecidos mundialmente e com as diversas pessoas citadas que fizeram verdadeiras revoluções nesta evolução. Ainda conta com uma abordagem da importância da fotografia e dos “vídeos de skate” e como isso vem se desenvolvendo e se adaptando às novas mídias e redes sociais.
Após uma boa dose de preparação, que ainda envolve uma detalhada descrição de peças, modalidades e equipamentos, Willian apresenta suas experiências como skatista e instrutor de skate, demonstrando técnicas e dicas importantes para o ensino seguro e divertido do skateboarding.
Parte do conteúdo deste livro pode ser encontrado em uma história de décadas de publicações, vídeos, revistas, relatos e vivências, mas o apanhado para um registro atual e bem completo, descrito da perspectiva de um skatista com uma grande história e reconhecimento, dá a sensação de estarmos mesmo de frente a uma cultura vibrante, que me fez, ao degustar este livro, ter aquele orgulho de pertencer à algo tão único.
Truta
Willian Truta é um skatista de Maringá-PR, que frequentou o circuito de skate brasileiro, e atualmente mora em Los Angeles, USA. Mais informações você pode encontrar no próprio livro. Portanto, conto rapidamente minhas próprias experiências de vida junto ao Willian.
Vi o Willian pela primeira vez por volta de 1995, em um campeonato em Londrina-PR, onde já chamava atenção pela velocidade, “pop” e presença marcante. Algum tempo depois estivemos na mesma equipe, na marca Faction, do Ney. Neste período tivemos oportunidade de viajar para alguns campeonatos e fazer sessões pelo sul do país. Além de grande skatista, Truta é bom amigo e conselheiro nos eventos de skate, sempre com muito domínio da cultura. Dá pra dizer que todo brasileiro que andou de skate nos anos 90 deve ter tido contato com o Truta, seja em campeonatos ou sessões. Após sua ida para fora do país, vez por outra trocamos algumas ideias. Recentemente, eu e o pessoal do fanzine de skate Eixo Mole, pedimos ao Willian permissão para o uso de algumas de suas músicas de rap na trilha sonora de nosso vídeo #6. Suas músicas refletem a mesma paixão por skate encontradas em seu livro. Além de nos enviar os sons, ainda gravou um breve vídeo dando um “salve” para o pessoal de Curitiba com algumas lembranças marcantes.
Enfim, é muito bom poder ter contato, não só com Willian, mas com uma comunidade enorme de skatistas pelo mundo. Não tem jeito, skatista é skatista onde quer que se vá.
Evento de Lançamento em Curitiba
No domingo, dia 16 de junho, haverá lançamento do livro “Grinduation : como ensinar skate?”, com Best Trick na Praça 29 e premiação no Bar do Nada, além da venda dos livros no local. Organização por Eixo Mole Skate Zine.
No dia 13 de Agosto de 2022 o Centro de Convenções Vitor Brechret em Atibaia -Sp recebeu no palco do lado de fora o Primeiro Underground Fest Atibaia, festival de bandas underground e alternativas nos estilos hardcore, grindcore, thrash metal, heavy metal e death metal. O headliner foi o R.D.P Ratos de Porão além das bandas locais: Desmorto, Sour Brand, Sicky Mind, DMG ,Sujeito a Lixo, Presto, Cruscifire, Cronofobia e Attack Force, que tiveram excelentes performances como mostrado no vídeo encartado nesta matéria.
A importância desse tipo de festival é abrir espaço para a cultura na cidade já que o local raramente tem sido muito utilizado para shows de bandas underground.
METAL FEST que acontece em ATIBAIA / SP, desde abril de 2006! Desde sua primeira edição, o Abrigo Atômico vem ganhando espaço na cena underground. Inúmeras bandas consagradas já se apresentaram, como Anthares, Genocídio, NervoChaos, Andralls, Executer, Pentacrostic, Oligarquia, além de bandas da nova geração do metal nacional.
Após mais de 7 anos de hiato, o Abrigo Atômico retorna no dia 10 de Abril, em Atibaia, no Barracão, com:
Nos dias 14 e 15 de agosto estive participando do VIII Vivência em Construção de Pistas. Muitos tópicos foram abordados sobre a construção de pistas e também sobre Bio Construção (construções utilizando materiais da natureza e recursos renováveis). A galera participante mandou muito bem nos comentários, observações e questionamentos, tanto no evento presencial quanto online.
Cartaz do Evento VIII Vivência em Construção de Pistas
George Rotatori, o organizador do evento, tem uma vasta experiência como arquiteto e construtor de pistas e me ajudou num passado não muito distante na elaboração de projetos de pistas na minha cidade natal, Atibaia, no Centro Esportivo Paulo Siqueira, popularmente conhecido como Pista do Quadrado ou Quadrado Skatepark (1996, com o primeiro projeto da pista pronto em 97 e executado somente 10 anos depois, em 2007).
Como também projetou e executou muitos projetos no ABC paulista e na cidade de São Paulo, relatou sua experiência sobre o acabamento do concreto com ferramentas simples e com as técnicas que foram usadas em quase todas as modernas skateparks da cidade de São Paulo (capital), como no Jockey Skate Park, além da própria Arena Radical, também em São Paulo (capital), que cedeu o espaço para o evento presencial onde foi feita uma parte de um bowl como atividade da aula prática.
Julius Amorim foi o convidado especial, engenheiro civil, participante do primeiro Evento Vivência em 2015.
Muitas pessoas conhecidas na área de construção de pistas estavam presentes e para mim foi uma verdadeira honra e um verdadeiro prazer aprimorar meu conhecimento sobre construções de pistas de skate. Muitas técnicas interessantes foram abordadas mas George fez questão de reforçar que o amor ao que se faz é o que gera toda a diferença .
Participei no evento “live” que foi transmitido pelo Canal “Eu sou Skatista” (You tube e Twitch Tv ) à um número limitado de participantes e foi uma ótima experiência, já que nosso trabalho junto ao site MyTrix (www.jorle.com.br/mytrix), é totalmente voltado para Pistas e Picos de Skate. Parabéns ao George Rotatori e a todos envolvidos.
O evento, além de presencial, foi também transmitido on-line, pelos canais Eu Sou Skatista
Nesta Sexta-feira, dia 28 de agosto, 20:30h, estreia a primeira edição do Skate Zine Eixo Mole.
Uma produção da crew CwbSktWarriors, trabalho e projeto em que participo junto à diversos outros amigos e que não promete nada, a não ser, ver o fruto de meses de conversas em redes sociais formatados em um video-fanzine.
Rolês dos tiozões da crew, memórias, os jovens da Cozmic Nomadaz mostrando o skate hoje, um pouco de arte de skatista e ainda os Classificados com algumas iniciativas nossas e de amigos.
Entra no Canal do Youtube e já se inscreve! E não perde a estréia!
“Fazer juntos o que sozinho eu não consigo!”, falava em voz forte o capitão juvenil do Curitiba Rugby ao time, antes das partidas começarem, abraçados em círculo. Esta foi uma das tantas memórias que os anos de jogador e árbitro me proporcionaram para o resto da vida. O Rugby é completamente coletivo, sendo praticamente impossível acontecer qualquer coisa se a equipe não se apoiar, em todos os sentidos. Quem marca o “try” é quase sempre uma mera situação de quem está disponível no momento certo. Mas o que tem a ver “alhos com bugalhos” se o assunto aqui é Skateboarding, individual, sem times, sem uniformes, sem regras, com toda essa liberdade e estilos múltiplos? Mais do que aparenta, na minha opinião.
Andar de skate, em um aspecto mais profissional, exige um grande suporte. Há a necessidade de material, peças, tênis, etc. Há a necessidade de locais, pistas, rampas ou quadras. Participar de eventos exige viagens, hospedagens e apoio local. Mas além disso, na essência, é muito bom quando se tem uma rede de amigos, que compartilham da mesma identidade, que enxergam a cidade da mesma forma, que falam a mesma linguagem e ficam felizes na mesma ‘vibe’ quando qualquer um da galera volta uma manobra depois de tanto tentar. Quem anda sabe que se trata, de diversas formas, de um esporte muito coletivo.
Aí entra minha verdadeira intenção: formalizar esta coletividade é interessante? Organizar o skateboarding em coletivos é bom? Não sei. Não sei se para todos. Mas trago aqui algumas experiências que já vi por aí, nas minhas décadas andando de skate, além da opinião de alguns amigos.
Ao conversar com o Clésius, acostumado à organização política das coisas, questionou: “Porque skatistas tem dificuldade em se organizarem para terem suas demandas atendidas? Seria porque é difícil o consenso em um grupo formado por gente das mais variadas classes sociais, etnias e culturas? Seria porque jovens em geral tem dificuldade em entender que apenas se organizando, seja politicamente ou em cooperativas, teriam alguma chance de ver suas aspirações e desejos atendidos?”. Ele também lembrou dos “diversos exemplos de grupos de skatistas que se uniram para conseguir realizar as mudanças que desejam, sejam essas mudanças a construção de pistas, apoio para campeonatos ou até mesmo reconhecimento do poder público de que o skate é sim uma atividade esportiva-cultural de grande relevância”. “Como uma cultura fortemente influenciada pela cultura DIY (faça você mesmo), Punk, Hip Hop, se molda aos desejos do mercado, se tornando não só uma cultura de massa, como também um esporte olímpico? Até que ponto isso descaracteriza o skate de uma cultura espontânea de rua para um simples modismo?”.
Responder algumas destas perguntas dariam novo artigo e longa pesquisa, mas algumas tem respostas já conhecidas. Basta dar uma volta por ai. Uma “organização” pode existir em diversos modelos e níveis de profissionalismo e procurei no skate algumas experiências.
Uma destas é a Associação de Skate de Colombo, ligada à Social Plaza, com grande participação do Fábio “Batata”, velho amigo, que contou um pouco de suas experiências.
Veja o Pico Social Plaza no mapa de MyTrix
“Iniciamos os trabalhos ao final de 2012. Havia uma percepção do que era e para que servia, mas até então não havia me dedicado. A motivação há época, foi que um pico antigo na cidade (Centro Social, hoje pela galera do skate chamado de Social Plaza) estava mais uma vez sendo utilizado pela galera, e num dos rolês pensei: – puxa alguma coisa deve ser feita, vim aqui a primeira vez 1992, e pouca coisa mudou. Naquela mesma época, fim de 2012, num role lá na ESC (escola Polivalente em que a crew Ol Dirty Skater andava), em bate papo com nosso amigo Hugo Ponchio (Rato), ele insistiu: – faça uma associação, fizemos em balneário e deu certo. Assim nascia junto com outros skatistas a Associação dos Skatistas de Colombo. Sendo formalizada você tem mais facilidades para realizar ações do tipo eventos, ações sociais, solicitar apoios diversos e principalmente conversar com a administração pública da cidade (prefeitura) e outros poderes para levar as demandas. Como pessoa jurídica, que é a formalização com estatuto, Cnpj ativo, você já é recebido e visto diferente, e isto é uma vantagem. No que se refere as desvantagens citaria a correria que é monstra, e pelo que vi até aqui, a galera do skate (uma parte grande) não está preparada para esta fase burocrática, que exige organização, planejamento e paciência com os agente políticos, pois tem muita promessa e por vezes somos vistos tão somente como curral eleitoral, nada mais. Aqui é uma desvantagem para nós skatistas, pois não é só manobrar. Precisamos ser vistos, somos pagadores de impostos e é um absurdo o que fazem com nosso dinheiro (dinheiro público) quando constroem aquelas pistas horríveis. De verdade, chega! Como se não bastasse, vejo como a pior desvantagem as contas! Uma associação tem custos e poucos ajudam a pagar! Isso é uma desvantagem das grandes e cansa, como disse acima não é só manobrar. Fica aqui inclusive uma observação que a molecada (crianças e adolescentes) é outra pegada, porém os adultos tem que ser mais ativo. Ajudamos na economia deste país, somamos junto ao PIB, somos pais de famílias, empresários, atletas que vivem do skate e muito mais, desta maneira é necessário um choque na nossa cultura”.
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Perguntei ainda ao “Batata” sobre o passo-a-passo para se criar a Associação: “o Passo a passo foi verificar se na cidade já tinha alguma associação ou algo do gênero para não haver conflitos de interesse! Fui buscando estatutos de outras federações e associações e fui escrevendo o nosso, com a ajuda de uma assessora de um vereador conhecido há época. Após procurei um contador que me forneceu os trabalhos contábeis e jurídico, e a partir daí foi uma correria: Achar as pessoas que estavam afim de encarar esta luta; aí publicar edital e chamamento para assembleia, colher assinaturas, reconhecer no cartório e enfrentar várias filas (e pagar tudo também). Assim nasce uma associação! A dica é esta: encontre quem tá afim, ache um contador e um advogado que entenda do assunto e se prepare para questões burocráticas e todo ano (no período do seu mandato) vai ter que declarar estes dados, vai ter que comprar um A2 ou A3 e pagar o alvará de funcionamento, mais o contador; quase R$ 1.000 por ano. Lá na frente vc vai se perguntar: Será que valeu a pena?”. Parece dureza mas Fábio deixa ainda um recado: “Vamos em frente galera, skate4ever”.
Outras experiências tiveram como modelo a construção de uma marca, que no skate é geralmente uma empresa que produz algo e patrocina atletas. Nestes casos as marcas praticamente nasceram para patrocinar skatistas, como foram os casos da Ajax, X-Brain, Latex e Friends, por exemplo.
Logo da antiga Ajax
O José Selski e o Roger Robert, fundadores da Ajax, nos contaram um pouco sobre a marca, antiga, mas que vale a lembrança. “(José) trabalhava na loja Drop Dead da Galeria Pinheiro Lima” onde junto com os demais vendedores tinham “uma oficina onde concertávamos os skates e dávamos um suporte pra galera”. “Não posso deixar de agradecer o Eduardo da Drop Dead, sem ele ter dado ‘ok’ para esse trabalho nada teria sido feito”. “Assim muitos se aproximaram de nós e a Loja em certa época havia virado tipo um clube. Roger Robert veio e tínhamos muitos amigos excelentes skaters mas que não conseguiam apoio pois não iam bem nos ‘champs’ e, vendo isso, surgiu a Ajax Products, onde a ideia inicial era produzir camisetas, adesivos e parafusos de base he he, e criar uma equipe com esses skatistas que eram renegados pelo sistema de campeonatos daquela época. Lembro que o objetivo era apoiar os mais punks, aí veio o Rodrigo Sorvete, teve o Fuça e os demais, e no fim a marca acabou sendo somente algumas camisetas, mas que cumpriu o objetivo de unir a galera da loja com os skatistas punks e os que não se davam bem nos champs. Não tínhamos ideia de quão importante era o que estávamos fazendo, até certo dia eu chegar no Castelo (Museu do Olho) e ver que tinha uns 20 skatistas andando com nossas camisetas. Essa é uma pequena parte da história do street skate em Ctba”. “Então concluindo a Ajax surgiu do amor, amor pelas pessoas e amor pelo skate, queríamos ver os amigos andando de skate, para isso eles precisavam de apoio e motivação e foi o que fizemos.”
Não poderia falar de organizações de skatistas sem falar daqueles tantos grupos que são a alma do skate: as “crews”, as “galerinhas” de amigos, que são de um mesmo bairro, de uma mesma escola ou tem algum vínculo especial. Nota: Enquanto finalizava este artigo, vi esta recente publicação sobre “skate crews” de Curitiba, que indico a leitura sobre a definição de “crew”: Qualé a sua Crew? campeonatosdeskate.com.br. É só correr o Instagram com a hashtag #sktcrew que você vai ver a quantidade de gente que viu no trabalho coletivo uma forma de produzir vídeos e girar sua cena. Além de um puxar o outro nas manobras, isso se transfere também ao suporte material e aos acessos sociais. Por vezes basta um do grupo ter algum destaque em algum evento ou com “visualizações” para todos acompanharem o momento. Alguns grupos partem para lançar seus próprios shapes e estampas, outros passam a produzir vídeos mais profissionais e praticamente acabam como uma empresa de amigos. Esta organização sem muitas regras e que flui naturalmente, é a base social que torna o skate tão coletivo como outros esportes.
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Particularmente posso falar da potência que é uma crew. Nos últimos anos houve uma reaproximação de amigos que costumavam andar de skate juntos, e que agora, além do skate, temos também outras afinidades, como educação dos filhos e como envelhecer sem frustração.
À esse grupo demos o nome de Curitiba Skate Warriors, e desta reaproximação, além de muita camaradagem, risadas e apoios-mútuos, concebemos o projeto Eixo Mole Skate Zine, que é o vídeo que será lançado em breve com nossos esforços em acertar manobras, som e arte relacionada à skate e ainda a apresentação de uma galera atual de skatistas.
Não fosse o trabalho em conjunto, as ideias e a organização, nada teria acontecido.
Por fim, como exemplo de organização, gostaria de citar o excelente projeto desenvolvido por um dos maiores ídolos do skate mundial. Tony Hawk, através da Fundação com seu nome, tem no projeto “Skatepark” muitos fundamentos interessantes, segundo seu site (https://tonyhawkfoundation.org/). A missão da Fundação é servir à comunidade colaborando para criação de lugares de qualidade para prática de skate por ser uma atividade que proporciona o exercício necessário e um senso de autoestima aos praticantes. O projeto fornece conhecimento acumulado para a comunidade criar pistas públicas locais, desde a etapa de captação de recursos, desenvolvimento de um projeto, apresentação às instituições municipais, até o reforço dos benefícios da prática de skate, como envolver os jovens em situação de risco com o esporte, as mudanças positivas do envolvimento com a comunidade, desenvolvimento da criatividade, perseverança e até de lideranças. Hawk utiliza sua influência para ajudar na captação de recursos, mas o trabalho é desenvolvido pelos skatistas de um lugar, à partir de sua organização.
Algumas pessoas encontram ou herdam situações muito propícias ao seu desenvolvimento individualmente, já para os demais, não tem jeito, tem que se esforçar por outras maneiras. Não abordei aqui talentos que recebem grandes patrocínios nem estrelas naturais do skate, porque este é o caminho conhecido, talvez desejado, mas para poucos. As coisas aqui foram sobre gente comum. Como disse em recente programa de TV, Emicida, que faz de seu som o veículo do desenvolvimento não só seu, mas de toda uma cadeia “produtiva”, “Só acontece se todos se movem em bloco. Todos precisam evoluir, ou ninguém evolui”. “O que temos somos nós”.
Ricardo GosWod: Marido de artista e pai de roqueiro progressivo. Skatista faz 28 anos, membro da crew CwbSktWrrs. Depois de velho suou um tempo no rugby e arbitragem. Escreve sobre o que lhe interessa: amigos espertos, música, skate, rugby, zines, jogos … Trabalha nas horas de folga com projetos gráficos visuais e geoprocessamento. Escreve a Coluna “Sem tempo pra trabalhar” e desenvolve o projeto MyTrix.
Conheça MyTrix: Guia de locais para se andar de Skate e muito mais.
Muito mais que trazer as informações sobre lugar e hora em que acontece um show, esta extensão da música continua a ser peça importante do projeto todo que envolve criar sons, escrever letras, planejar uma apresentação e divulgar o evento. Especialmente entre as bandas e grupos que fazem aquela crítica política ácida e direta. Um bom cartaz pode, literalmente, fazer a propaganda. Não só da música, mas das ideias e intensões.
Nos últimos tempos ao menos em 3 episódios os cartazes de alguns shows se tornaram o próprio espetáculo, aqui em terras brasileiras. Fazendo uma referência rápida à Sociedade do Espetáculo, de Debord, a internet tem sido uma grande facilitadora da democratização radical dos meios de produção, incluindo a produção artística. Embora esta democratização virtual tenha diversos efeitos colaterais, como por exemplo sua utilização espetacular para criticar ou mesmo difundir um pensamento que se propõe crítico ao espetáculo, fato é que toda esta situação tem promovido estes lindos momentos em que a execração de cartazes de shows com conteúdo ácido ou contrário à normalidade estabelecida acaba, de forma controversa, por dar visibilidade explosiva às estas imagens. Cada vez que alguém se incomoda com um cartaz que espeta os pontos débeis do governo ou de algum aspecto da cultura alienada, o faz replicando esta publicação indefinidamente pela internet, dando alcance e viralizando o conteúdo.
Em julho de 2019 foi lançado o cartaz para o “Facada Fest”, terceira edição de um festival de bandas hardcore/punk que acontece em Belém (Pará). Após toda a agitação em torno de um atentado, alguns meses antes, ao então candidato à presidência, e de reconhecidos apelidos deste candidato, o cartaz traz um palhaço “Bozo” e o título que se refere ao festival, já tradicional, estampados. Isso fez despertar a ira de políticos e autoridades locais, que partiram ao ataque ao conteúdo do cartaz, o replicando impulsivamente pela internet. O público interessado no show fez agradecimentos à publicidade grátis e os organizadores redigiram uma carta de esclarecimentos onde admitem a crítica forte mas reforçam o direito à liberdade de expressão.
Um mês antes, na mesma linha, já havia ocorrido o caso do Cartaz de Show do Dead Kennedys. Esta banda estadunidense, no passado reconhecida como umas das mais influentes do meio punk, que por si só já andava envolvida em polêmicas com seu ex-integrante, Jello Biafra, por direitos autorais e pela postura política da banda (que aparentemente perdeu suas raízes quando dos tempos do Biafra), acabou por cancelar seus shows no Brasil devido à repercussão extraordinária do cartaz. A imagem foi desenhada por um artista brasileiro e rapidamente se alastrou por redes sociais e até mesmo pelos principais jornais eletrônicos de notícias. Em meio à discussão sobre o conteúdo do cartaz ter sido aprovado ou não pela banda, seus integrantes publicaram nota se posicionando “antifascistas e anti-violência” mas também “pouco conhecedores da situação política do país”, o que, junto à assustadora repercussão do cartaz, justificou os cancelamentos. Shows cancelados, mas cartaz multi-divulgado.
Já esta semana, foi a vez da banda Pussy Riot, da Rússia. O grupo de meninas, para show dia 30 de janeiro em São Paulo, lançaram o cartaz que faz uma crítica à figura do presidente. Ao que tudo indica, novo sucesso das redes sociais, graças à ampla divulgação da imprensa e de apoiadores do governo. Provavelmente banda e público vão novamente agradecer.
Assim como nas outras ocasiões citadas, se no passado shows de bandas de rock, punk, hardcore, rap e até funk, tinham seus efeitos restritos ao “underground” ou à círculos sociais específicos, agora correm as telas dos celulares de todo tipo de gente, na maioria das vezes, estas sem conhecimento profundo dos contextos e culturas daqueles grupos. Se bom pela divulgação e alcance, por outro lado, tem-se um choque gigantesco de identidades. E tudo intensificado por conta do momento de discussões políticas acaloradas que vivemos no país. Interessante, ainda, é verificar que estes casos citados são como a ponta de um iceberg, pois todos os dias são publicados cartazes de shows que de alguma forma provocam e fazem pensar. Muitos estão na internet. Muitos colados pelos postes e muros. Muitos estão na porta do lugar do show. A história do rock e da música está repleta de bons exemplos. Dá pra dizer que há casos do uso do espetáculo para gerar espetáculo. Dá pra dizer que se incomoda, é porque acerta o alvo. Dá pra dizer que um cartaz passa e é esquecido. Dá. Mas cartaz é parte do show. Já foi papel. Já foi fotografia, desenho ou gravura. Já foi feito à mão e em computadores. Vai pra poste, tv e pra celular. Mas tá lá, cumprindo seu ‘papel’.
Enfim, dito tudo isso, só queria mesmo reforçar que gosto de cartazes, e apesar das análises medíocres, sobretudo, aprecio esta arte. Abraço. E leia outro artigo sobre cartazes e gente que faz cartazes e fique de olho pela rua. Está repleta de arte!
“A crítica espetacular do espetáculo, funcional a ele, é um empreendimento da sociologia, que estuda a separação recorrendo às ferramentas conceituais e materiais produzidas pela separação. A apologia do espetáculo, ou publicidade, por sua vez, constitui um pensamento do não pensamento, um esquecimento explícito da prática histórica. O falso desespero da crítica espetacular e o falso otimismo da pura publicidade do sistema são idênticos enquanto pensamento submisso.” Fonte: https://outraspalavras.net/sem-categoria/para-compreender-a-sociedade-do-espetaculo/
Ricardo GosWod: Marido de artista e pai de roqueiro progressivo. Skatista faz 28 anos. Depois de velho suou um tempo no rugby e arbitragem. Escreve sobre o que lhe interessa: amigos espertos, música, skate, rugby, zines, jogos … Trabalha nas horas de folga com projetos gráficos visuais e geoprocessamento. Escreve a Coluna “Sem tempo pra trabalhar” e é criador do projeto MyTrix.
Conheça MyTrix: Guia de locais para se andar de Skate e muito mais.
Felipe Urias é jogador de yu-gi-oh (veja o que é este jogo neste outro artigo clicando aqui) e tem participado de torneios de grande porte, com centenas de jogadores, dentro e fora do Brasil. Enviei algumas perguntas à ele sobre esta sua experiência em eventos e competições. Checa aí!
Jorle: Te conheci não faz muito tempo, mais ou menos quando voltei a jogar yugioh depois de um bom tempo afastado. Isso foi por volta de 2018, época em que você foi o vencedor do Nacional naquele ano, jogando de Magician FTK. Pra começar a entrevista, conta um pouco mais sobre a quanto tempo você joga e quais as suas conquistas mais importantes!
Felipe: Então, comecei a jogar com 16 anos, junto com um amigo do ensino médio, eu sempre participava dos torneios que eu podia, mesmo sendo muito inexperiente, não ganhava mts partidas mas gostava de ir jogar. Terminando o ensino médio eu parei de jogar, e só voltei a 3 anos atrás com 20 anos de idade, dae comecei a me empenhar em jogar competitivamente. Primeira vez q ganhei algo fora de Curitiba foi um torneio 3×3 representando as OTS da América Latina, foi side evento do continental de 2017 do Brasil. Depois em 2018 fiz um top 4 no DSC q foi mt importante pra me dar confiança. E ganhei o Nacional de 2018. Fiz top no continental 2018. Ganhei regional em Joinville, Guarapuava e SP. Topei vários DSCs seguintes e até ganhei o último, agora, em outubro. Topei nacional esse ano e fui desqualificado injustamente, por motivo (na minha opinião) de falta de experiência do head Judge na função, não tendo a chance de defender meu título do nacional. E topei o continental desse ano também.
Jorle: Você tem jogado pelo Time Gladiators, de Curitiba. Correto? Qual a diferença entre participar de grandes eventos junto à um time e jogar sozinho? Há vantagens e desvantagens?
Felipe: Então, a questão de time, o Gladiators, é mais um negócio de amigos msm, não é nd promocional, pq eu e meus amigos temos objetivos diferentes em relação ao jogo. Pra mim a melhor parte é mais se reunir msm, jogar umas cartas, dar risada tomando uma cerveja. Competitivamente, quem foca mais é o Gabriel Netz, que treinou pesado junto comigo nesse último nacional e continental, mesmo ele morando em cidade diferente. Mas é pq eu tenho uma personalidade mt forte, posso ser mt chato as vezes em questão de opinião sobre decks ou jogadas, dae tento me controlar pra não perder ou afetar minhas amizades, mas pra todos eu aconselho entrar em um time sim. Não aconselho entrar em um time comigo Hahahah.
Fotos: acervo pessoal F. Urias
Jorle: Um tempo atrás você ministrou um ‘work shop’ para jogadores que querem participar ou melhorar sua experiência em campeonatos grandes. Como foi? Há intensão de fazer novos eventos como esse?
Felipe: A intenção do workshop, foi realmente tentar ajudar o pessoal de Curitiba, pq mt gente não se sente confiante em jogar por falta de experiência. Minha ideia era, além de transmitir conhecimento, motivar a galera, pra que o jogo se tornasse mais atraente pra todos, pra ter uma comunidade maior e com pessoal mais animado em Curitiba.
Jorle: Em um jogo tão dinâmico, é comum serem publicadas duas ou mais listas de “Cartas Banidas” (clique neste link para entender o que é a “ban list”) por ano, o que faz com que em cada torneio se encontrem decks diferentes para se enfrentar. E claro, seus próprios decks precisam se adaptar ao formato. Neste sentido, o que é importante ter em mente ao se construir um deck para um torneio? O que não muda de ‘lista’ para ‘lista’ ou ao longo dos anos?
Felipe: Para construir um deck, tem que conhecer MT bem o formato, e estar adaptado a possíveis mudanças. Sempre que sai banlist, em vez de reclamar ou criticar, eu só analiso o q mudou e tento simular como ficará o novo formato e tento já me adaptar a ele. Mas a principal dica que eu dou é NÃO SE APEGAR DEMAIS, não só no deck em si, mas em toda a ideia, tem que saber analisar todas as suas ideias de maneira muito crítica. Eu adoro testar decks diferentes do padrão, até jogo semanais com eles, mas sempre sabendo o real nível deles. Às vezes acho que tive uma ideia absurda e que o deck vai ser genial, mas depois dos testes a grande maioria das ideias é descartada. Mas nunca desisto de tentar ideias novas.
Jorle: Esta outra dúvida é um tanto subjetiva, mas gostaria da sua percepção: em situações de mesmo deck, ou decks de mesmo “tier” e mesmo nível de jogo dos jogadores, o que se sobressai? Existe um ‘jeito de jogar’ que se difere? Quanto este jeito de jogar pode dar vantagem?
Felipe: Ah, sobre maneira de jogar, até mesmo se você estiver com um deck tier mais baixo, vc pode vencer. Basta estar adaptado ao formato e saber jogar contra todos os decks, conhecer as jogadas de todos os decks do formato e saber onde parar faz toda a diferença. Mas o principal é a tomada de decisão rápida que faz diferença em toda a partida.
Jorle: Pra fechar. Como você ou sua equipe se organizam para participar de eventos? Há algum apoio logístico, patrocínio, suporte? Ou são só despesas mesmo, para fazer algo que gosta?
Felipe: Sobre patrocínios, hoje em dia, em nível competitivo, existem muitos times que patrocinam viagens aos seus jogadores, recebendo marketing como retorno, mas não é meu caso. Eu participo de time apenas como forma de amizade, pago todas as minhas viagens, mas pode ser que futuramente eu vá pra algum time maior, que gere patrocínio.
Ricardo GosWod: Marido de artista e pai de roqueiro progressivo. Skatista faz 27 anos. Depois de velho suou um tempo no rugby e arbitragem. Escreve sobre o que lhe interessa: amigos espertos, música, skate, rugby, zines, jogos … Trabalha nas horas de folga com projetos gráficos visuais e geoprocessamento. Escreve a Coluna “Sem tempo pra trabalhar” e é criador do projeto MyTrix.
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