A história de Marcelo “Bisnaga” e seu model de shape. Agora na exposição virtual Cara-da-Tábua

Marcelo ‘Bisnaga’ @ganamlb é skatista carioca radicado em Curitiba desde os anos 90 e fez parte da cena paranaense, onde é presente até hoje. Esteve em algumas marcas e entre elas foi parte da equipe da Vândalo junto com @ricardomacieldecarvalho, @kamau_ e Fábio Black @brakko_costa, entre outros.  Por volta de 1992 Marcelo teve seu ‘model’ de shape lançado pela marca. Neste relato ele nos conta de sua trajetória e como pensa o skateboard, registrando assim seu shape na coleção Cara-da-Tábua.

Tem modelo de shape lançado em Curitiba ou região? Manda pra nós e conta sua história!

Prefiro ‘esporte’ do que ‘brinquedo’”

Comecei a andar em Niterói/RJ, aos 11 anos em 87. No Rio a cultura do skt era bem diferente de Curitiba. Lá todo mundo surfa e anda de skt de forma ocasional e, no meu caso, não foi diferente. Comecei a surfar por influência do meu irmão mais velho, André, que surfa um monte até hoje. Ele e alguns amigos começaram a andar no surfstyle e eu fui com meu pai comprar um presente de natal que seria uma roupa de borracha. Não tinha e precisava escolher algo, então pedi um skt e aí começou tudo. Logo nos primeiros dias fui com meu irmão e uns amigos do prédio andar na rua, fui descer uma pequena rampa de garagem e quebrei o braço feio, os dois ossos do braço direito. Foi um trauma que me marcou para a vida toda…ficava no verão do RJ, com braço engessado e tentando entrar no mar sem molhar o gesso, enfim tudo zoado.

Fabio Lango , Rodrigo Careca, eu, Gustavo e André Cavalo – galera do Campo de São Bento, Niterói.

Aí fui me envolvendo cada vez mais com o skt e meu irmão só surfava, à partir daí comecei a ter meus amigos mais próximos ligados ao skt e foi quando fui no Campo de São Bento, uma praça local, e vi o skate street real ao vivo pela primeira vez. Vários caras andavam demais. Fiquei super impressionado, um deles era o Gustavo Black, hj Black Allien. Até hj foi um dos caras que mais me impressionou ao vivo. Depois desse dia, skt estava na alma e era street de verdade. Encontrava os caras no Campo e saía para andar o dia inteiro na rua. Quando batia a fome, pedíamos um pão “bisnaga” na padaria pra dividir entre nós e tomava água da torneira. Meu apelido vem daí. Quando cheguei em Curitiba em 92, fui repetir o processo numa padaria perto do Meracadorama, na frente de uma banca, e os caras não aguentaram, me zoaram demais. Acho que foi Salsicha que botou o apelido.

Aqui em Ctba, logo cheguei, e o primeiro pico foi o Gaúcho. Ali conheci toda a galera local rápido, Sal, Postal, Japa, Cajé, Turko, entre outros. Quando cheguei aqui, a cultura do skt era mais forte. Só andava com quem andava de skt, as baladas, as marcas e depois toda a sena dos campeonatos. Tudo nascendo aqui. Achei maravilhoso. No RJ praticamente não existia nada disso. Subcultura total. Aqui já tinha uma estrutura, o pessoal levava skt mais a sério, pensava em patrô, campeonato. Era realmente outro mundo. Até as minas gostavam da gente. Surreal demais.

Júlio Japa, Sal, Cajé, Turko, Potal, Gerson e Eu.
Eu e Rafael Braciak
Shape “Bisnaga”, 1992.

Nunca me dei muito bem nos campeonatos, mas andava muito. Me dediquei de verdade por uns 10 anos eu acho. No meio desse período veio o primeiro patrô pela Vândalo e esse shape. Não lembro de ter pego vários models, esse aí eu segurei. Nessa época da Vândalo faziam parte da equipe eu, Fabio black, Ricardinho, que era uma criança, e o Kamau. Pelo que lembro, eu e o Fabio tivemos o model pela marca. O dono era o Vitinho, sangue bom. Acho que era de Telêmaco Borba, amigo do André Barba.

A minha cultura de skt é o skt Punk. Muita influência de som pesado, andar no gás, na rua e sem regras, fazendo o que desse na cabeça. Isso vem muito da galera de Niterói também. Os caras de lá realmente moldaram meu jeito de andar, dentre eles Lango, Banana, Rodrigo Careca (é um baita pintor hj em dia e faz umas artes com skt, mora SP e é um grande amigo até hj, assim como os demais). Eu realmente amava andar com essa galera, mas Ctba dominou completamente minha alma e logo de cara fiquei uns 5 anos sem voltar pra Niterói. Depois fiz parte da Change como amador, por um período, correndo os campeonatos no Paraná. Essa base de influência do skt punk me moldou e depois a cultura foi mudando muito para o rap, mas nunca me identifiquei da mesma forma. Na real não curtia muito. Skt pra mim era rua, gás, muito ollie e som pesado, tipo Ratos de Porão e Sepultura. Até hoje considero como as principais bandas nacionais e Sepultura como uma das principais da história global. Então, considero que esses ciclos culturais fazem parte do skt e cada um se identifica com uma linha e não precisa mudar porque o ciclo passou. Eu mesmo continuo fiel ao skt punk.

Sobre ser esporte, acho que sim, hoje pode ser chamado de esporte. Prefiro esporte do que brinquedo, como era visto na minha época. Também prefiro o skt enérgico, sem me preocupar quantas vezes ele girou, para qual lado e se estava de frente ou não. Não interessa. O importante é fazer com vontade e voltar do jeito que der. Hj existe esse ciclo das olimpíadas, high performance. Não me identifico. Por ex. Street League nem consigo ver, não vejo graça, não me identifico. Nunca aprendi a andar em pista direito. Sempre precisei embalar pra manobrar, então, pista sempre foi pra encontrar os amigos e vazar. Uma pena que ctba sempre foi precária de lugares na rua. Nesse quesito o RJ sempre foi paraíso.

Eu com meu Pai.

@ganamlb @moldurariamomento

Curitiba, 2014.
Curitiba, 2014.

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Cara-da-Tábua

Exposição Virtual Cara-da-Tábua, de Decks de skatistas de Curitiba.

Projeto organizado pela Jorle que traz a reunião de diversas imagens de “models” do pessoal de Curitiba. O que chamamos de “models” no ambiente do skate é o conjunto de forma, ou corte, do “shape” junto com a arte estampada na face inferior. Por tradição no “esporte” os skatistas, quando fazem parte de alguma equipe, ou representam alguma empresa do ramo do skate, tem seus próprios “models”, ou seja, definem exatamente como querem o recorte da madeira e as características de altura e forma de ‘nose’, ‘tail’ e ‘concaves’ e fazem, ou convidam algum artista para fazer, o projeto gráfico estampado. Esta é uma importante característica que revela uma vasta cultura, expressão e modo de viver por trás da atividade física ou competitiva. Muitas vezes a arte estampada no “shape” representa um ponto de vista político ou cultural, ou mesmo reflete preferências estéticas ou pessoais do skatista. De qualquer forma, é uma maneira de skatistas profissionais e amadores se comunicarem com sua comunidade e com o mundo externo, para o qual o skate e sua cultura seguem como algo curioso e bem particular.

Mestres Dos Anos 90 – Entrevista Raphael Braciak e Fabrício da Costa – Eixo Mole Skate Zine #4

Entrevista completa sobre vida e carreira de skatista profissional com Raphael “Urso” Braciak e Fabrício da Costa, ambos com mais de 30 anos de skate e muitas experiências. Parte integrante do Eixo Mole Skate Zine #4.

Inspirado na estética dos ‘fanzines’, o EIXO MOLE é um vídeo revista sobre a cultura do skate. Sessões: Abertura, Skate Hoje, Skate pra Vida Foda, Rolê Tiozão, Passando o Eixo, Arte & Barulho. Editado pela galera dos CWB Skt Warriors, Velhos Malditos Skatistas de Curitiba.

Assista agora no Youtube ou ouça no Sound Cloud!!

https://soundcloud.com/eixomoleskatezine/eixo-mole-skate-zine-4-mestres-dos-anos-90-entrevista-raphael-braciak-e-fabricio-da-costa?si=2687a0e0304544a7b702940aa1dfad98&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing

Canais Eixo Mole:

youtube.com/eixomoleskatezine :: Canal para lançamento dos vídeos.

www.instagram.com/eixomole/ :: Instagram com divulgações e corres do dia a dia. @eixomoleskatezine :: Canal para publicações das trilhas sonoras e podcasts.

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Eixo Mole Skate Zine #4 – Skate para a vida Foda! | Produção CWB SKT Warriors | Fanzine Cultura SK8

Tá no AR!!!

ASSISTE! Se INSCREVE. Não vacila!

Quadrinha Vish | Fabrício da Costa & Raphael Braciak | Marcos Pesch | Luiz Postal

Esta edição conta com entrevista sobre vida e carreira de skatista profissional com Raphael “Urso” Braciak e Fabrício da Costa (37:02), ambos com mais de 30 anos de skate e muitas experiências. O vídeo também traz o depoimento de Marcos Pesch, preparador físico e skatista (10:48), contando um pouco sobre como andar de skate a vida toda e sobre sua experiência de gravar uma “vídeo part”, o “46-36”, lançada este ano.

Ainda, a já tradicional parte dedicada à nova geração. Desta vez o alvo é o “Crew do J.A.”, com a rapaziada do Jardim das Américas (00:59), bairro de tradição no skate de Curitiba. Uma comunidade ativa que organiza o rolê em torno da “Quadrinha da Vish”. Para completar, o Rolê Tiozão, com as sessões de skate da Crew CWB Skate Warriors (17:32), produtores e organizadores do Eixo Mole.

Luiz Postal foi o artista convidado para a sessão “Arte & Barulho” (43:32) e nos presenteou com imagens produzidas especialmente para a abertura e sessões do Eixo Mole (resenha no final da descrição do vídeo).

Fique ligado! Em breve: * Entrevista completa com Urso e Fabrício; * Sonz: com a Trilha sonora do Eixo Mole #4.

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Inspirado na estética dos ‘fanzines’, o EIXO MOLE é um vídeo revista sobre a cultura do skate.

Sessões:

00:00 Abertura

00:59 Skate Hoje

10:48 Skate pra Vida Foda

17:32 Rolê Tiozão

37:02 Passando o Eixo

43:32 Arte & Barulho

Editado pela galera dos CWB Skt Warriors, Velhos Malditos Skatistas de Curitiba.

Canais:

youtube.com/eixomoleskatezine :: Canal para lançamento dos vídeos.

https://www.instagram.com/eixomole/ :: Instagram com divulgações e corres do dia a dia.

https://soundcloud.com/eixomoleskatezine :: Canal para publicações das trilhas sonoras e podcasts.

Página do projeto em Jorle: https://www.jorle.com.br/projetos/eixo-mole-skate-zine/

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Zonz:

* Abertura: Beats: LGRoc “BACK TO THE ROOTS” @LGROC; Rock: Johan Wodzynski “Intro Eixo Mole” @johan.wodzynski;

* Jovens – Quadrinha J.A.: 1) CHERON ft. leo.txt “Million Dollar Baby”, 2021; 2) Mythologyca “Lady of the Crows”; 3) Strogonoff Satânico “Strogonoff Satânico”, Autointitulado, 2021; 4) Rultiplo “Underrated”, Combustão Espontânea, 2017;

* Marcos Pesch: Thiago Marques “RUA”;

* Rolê Tiozão: Orlando Muzg “Areia Branca_Original Mix”, 2021; Orlando Muzg “Cidades de Plástico – Vídeo edit”, 2018; Pepeu Gomes “Mil e Uma Noites de Amor”, Energia Positiva, 1985; Colligeri “Intro”, Split, 2022; Colligeri “Soi Senhores do Destino”, Incerto, 2003; Murder me Slowly “Polar”, Ghost Murder, 2021; 411VM Theme;

* Passando o Eixo: Shwe Dagon “Ganja Dub-11399”;

* Cultura, Arte & Ruído: Cover por Luiz Postal: New Order – Bizarre Love Triangle;

* Créditos finais: Teu Pai Já Sabe? “Vá de bike”, Agora Sabe, 2019.

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Cultura, Arte & Ruído

Eu sou o Postal. Luiz Antônio Postal Borges… Postal é meu nome mesmo.

Eu me formei em Direito e Design e me deformei em skate (na rua e nas várias roubadas que o skate me ensinou).

Tô na fase do Metal: platina no braço e titânio na boca. Acho que é isso que apita no sensor antirroubo do mercado e faz cócegas no meu crânio quando eu estou na porta giratória do banco. Sou skate/rua desde 1988. Tipo assim – sou uma breve estória do Século Passado. Tô cromado e um skema bem bom vai ser comprar um shampoo Tio Nacho acaju.

Viu!?! Tá saindo uma Água de Cheiro de Cavalo minha agora pela Jequiti. Pode comprar. Vai fazer crescer pelos no peito, pelos no suvaco (tem uns cinco casos comprovados até agora) e pelos na orelha…

Todas as artes feitas para o Zine Eixo Mole são únicas e exclusivas.

A arte inicial foi inspirada no Mark Gonzales. O Gonz, assim como Natas Kaupas, é a essência do street skate. Brainwash Victim é uma percepção do Gonz acerca da falsa realidade que sempre estão tentando nos impor. A arte de fundo é um ollie flip que o Gonzales lançou no Embarcadero lá pelos anos 90. Todo skatista é um visionário, uma pessoa sem medo que aprende por si só. A vida e a arte na prática. Erro não existe.
Arte 2 Steve Olson – Esse cara tem quase 60 anos, tá andando de skate, fazendo arte e vivendo a real, tá namorando e produzindo. ?Ele simplesmente ligou a cena skate com a cena punk.
Arte 3 – cultura arte e ruído: skate é uma forma interdisciplinar ou multidisciplinar de perceber o mundo. Isso me levou a criar e apresentar a imagem do “lavar louvar e lesar”, tudo o que é percepção é consciência mental. O tema “brainwash victim” vai repetir-se forever, and again, and again.
Arte 4 – Passando o eixo. Não existe uma lógica nas relações humanas. Passar o eixo significa transmitir um da pouco tradição daqueles que estiveram aqui antes, para que nós vivêssemos o skate. No skate não existe um poder central. Não há um estado representativo e não há lei. Não há regras ou mesmo condutas. A única tradição, verdade e princípio é a liberdade.
Arte 5 – Skate Hoje. Em todo ambiente urbano e livre desse planeta você vai encontrar e conhecer uma “crew”. Uma turma ou galera local do skate que se destaca ou domina uma pista, uma rua, um bairro… Nesse momento destacamos a galera do Jardim das Américas – Nova Geração. A imagem de fundo é de um filme de suspense das antigas: “Village of the Damned”, Cidade dos Malditos ou Cidade dos Amaldiçoados – em português. Por favor, assistam só a versão original…
Arte 6 – Pesch. Skate a vida Toda. Bem, o Marcos Pesch é um cara que anda desde sempre e tem muito conhecimento acerca das condições físicas para praticar bem o corpo, a alma, a cultura, o espírito e a mente de um skatista. Eu quero muito arrepiar e rasgar um carro, andar de skate nele. ?Isso acontecia em alguns campeonatos gringos no passado. Foi essa a intenção da arte que eu quis passar: skate é transgressão. Andar de skate quando você fica velho então – é transgredir mais ainda.
Arte 7 – Fechamento. Todos os olhos estão sobre nós, em todos os lugares, o tempo todo. ?O “Grande Irmão” é onisciente, onipresente e ?Na real: ?Duvide de tudo (não sei se o bagulho é tão onipotente).

Valeu, eu sou o Postal; se puder, me esqueça, me apague e não me ouça.

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CWB SKT Warriors

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Eixo Mole Skate Zine #3 – Pioneiros do Street em Curitiba – NO AR!

Eixo Mole Skate Zine #3 Pioneiros do street em Curitiba

Já está no ar a nova edição do Eixo Mole Skate Zine!

 

NESTA EDIÇÃO

‘Rolê Tiozão’ com os CWB-SKT-Warriors;

‘Cultura Arte & Ruído’ com Guilherme Vera – G.Veras – e a pista Local Board em Pontal do Sul – PR;

‘Skate Hoje’ com os Skater´s do Litoral-PR Lucas Lima, Eduardo Oliveira (Dudu), Drope EACV, Luiz Lipski, Jeff Jefferson Marques, Alex Pit Bull;

‘Passando o Eixo’ com depoimentos dos Pioneiros do Street Skate em Curitiba Alexandre Kobra, João K-Olho, José Selski e Leonardo Fukuda.

 

CRÉDITOS

Eixo.Mole é um skate-zine montado com arquivos de rolês e conversas das redes sociais da crew CWB-SKT-Warriors.

Inspirado na estética dos ‘fanzines’, o Eixo Mole é um vídeo revista sobre a cultura do skate. Trazendo as sessões ‘Old School’, ‘Memórias’, ‘Passando o Eixo’, ‘Arte & Barulho’ e ainda ‘Skate Hoje’, com a cena atual, é um canal de informação e conexão de gerações, editado pela galera dos CWB Skt Warriors, Velhos Malditos Skatistas de Curitiba.

Pega as novidades seguindo #cwbsktwarriors e #eixomole, ou pela página do Projeto aqui em Jorle!

Inscreva-se no Canal no Youtube para acompanhar os lançamentos!

 

SONS

:: Abertura: Beats: LGRoc – BACK TO THE ROOTS @LGROC Rock: Johan Wodzynski – Intro Eixo Mole @johan.wodzynski Teaser: “NEVE EM CURITIBA” – FACA CEGA – ep 2016

:: Role Tiozão – Você consegue: Ricardo Goswod: PLUTO – SURF CAMBOJA 2 PLUTO – SURF CAMBOJA 3 IAN MACKAYE Peterson Caetano: “LULA LIVRE REGGAE” – DIGITALDUBS; EARL SIXTEEN – 2019 Diogo Vinícius / Cícero Kato: “PAY TO LIVE” – AGENT HELL FIRE olho: “MORTE ASCETA” – MORTE ASCETA – 2002 Sole / Lgroc /Antonio / Julian/ José Selski GS; SADAT – MESS PROD BY LG ROC Cesar Noda: GS; SADAT – MESS prod by LG ROC Morcego: LOOP (VOODLOOP) – LOOPMAKER (LACUZ12) MIXTAPE: LOOPS IN THE SKY BY LACUZ 12

:: Skate Hoje: Skater´s Litoral-PR: Lucas Lima – Eduardo Oliveira (Dudu) – Drope EACV – Luiz Lipski – Jeff Jefferson Marques – Alex Pit Bull: AW SHIT MPz LG_ROC

:: Cultura Arte & Ruído: Guilherme Vera – G.Veras: A Arte de Viver – Eltin

:: Passando o Eixo Pioneiros do Street Skate em Curitiba: Alexandre Kobra – João K-Olho – José Selski – Leonardo Fukuda: Public domain Street of Fire

:: Merchandising: “ONE MORE TIME” – EVIL IDOLS – EVIL IDOLS/MOTOSIERRA – 2003

:: Créditos: DJ ROMER GOYA – PISTA MECÂNICA

 

PRODUÇÃO

CWB-SKT-WARRIORS Allysson Miko, André Toppel, Antônio Kantek, Cesar Noda, Cícero Kato, Clezinho, Felipe Bico, José Selski, Guilherme Simpson, Jefferson Morcego, Julian Polydoro, Juliano Carlos, Leandro Lgroc, Romer Goya, Olho Wodzynski, Sole, Peterson Caetano, Ricardo Goswod Aviso: As ideias e opiniões expressas nas ‘partes’ de skatistas e nos depoimentos são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do zine.

CONTATO

eixo.mole.skate.zine@gmail.com

Cara-da-Tábua: Shape do Reinaldo Aranha, EverSlick e Miko dono do pico da Mattioli

Na década de 90 o mundo do skate vivia rápidas evoluções técnicas, tanto nas manobras quanto nos materiais. Grandes mudanças nos formatos de shapes, trucks, rodas, tênis e roupas. Umas das experiências desta época foram os shapeseverslick“, que como o nome sugere, eram shapes com o acabamento da parte inferior feito com material que fazia com que o skate deslizasse mais e em qualquer superfície, numa tentativa de substituir a necessidade da boa “vela”. Localmente, mais precisamente em Curitiba, os fabricantes experimentaram diversos materiais para fazer shapes com “everslick“. Enquanto os “gringos” utilizavam uma camada plástica na superfície, a versão local que foi muito utilizada aplicava uma camada de fórmica ao shape como recurso alternativo. Após um período de experiências, a fórmica esteve presente em diversos shapes assinados por atletas da cidade, como é o caso do shape do Reinaldo Aranha, que acaba de ser inserido na Exposição Virtual Cara-da-Tábua, chegando pelas mãos do Alysson “Miko”, numa história de coincidências e surpresas.

Antes de falar de Reinaldo Aranha, uma rápida menção ao Alysson “Miko”, ou “Mestre Miko”, e como ele encontrou estas imagens do shape do Aranha, com Fábio Tamaru. Recentemente, durante uma troca de mensagens de Miko com Fábio, por conta de assuntos comerciais da vida, ambos descobriram que haviam andado de skate e o rapaz mostrou fotos de seu antigo skate que, surpreendentemente, era um skate bem característico da época e com com um shapeeverslick‘ do Reinaldo Aranha, modelo do ano de 92/93. Mestre Miko logo mostrou as fotos aos amigos pelo celular, o que deu animação para que fosse contada esta história aqui. Muito legal que gente como o Fábio guarde certas relíquias como este skate e shape, comprados por ele por volta de 1996 – “shape Maha e rodinhas Moska“, segundo ele mesmo conta.

Sktr: Reinaldo “Aranha”, 1992/1993

Miko era morador do mesmo bairro de Reinaldo, e eram amigos e parceiros de rolê de skate. O Miko era o “dono” do pico da Mattioli, por ser praticamente vizinho do ‘spot‘. O lugar era uma oficina com pátio coberto em que se podia andar de skate nos finais de semana e até à noite, muito frequentado por todos da cidade nos anos 90. Mestre Miko, como ‘dono’, estava sempre lá e acompanhou toda esta geração, suas histórias e evoluções. Também com notória participação em sessões, competições e na cultura de skate da cidade, nos deu suas impressões sobre Reinaldo Aranha:
Conheci Reinaldo Aranha na década de 90 quando ia andar junto na rua dele, além de subirmos no apê para ver vídeos de skate também. Estávamos estudando o fundamental juntos no OPET ali da Av. Iguaçú, nessa época o bicho já andava pra caramba, tinha campeonato de skate no colégio e ele sempre ficava em primeiro rsrsrs. Já se dava bem em campeonatos fora dali também, e não demorou para conseguir patrocínio! Era conhecido como o ‘homem backboniano’ kkkkk o cara era style, inconfundível!

Quem viu Aranha andar por aí sabe que era de um estilo mesmo único, bom de rua e também nas competições, como ele mesmo confirma: “Fui campeão paranaense. Amador 01 e 02. Equipes da Maha, Ferrugem, Pysico Street, Vertpipe, Orbital e WayBack (primeira marca do Eduardo da Drop Dead)“. Aranha ainda nos enviou algumas fotos de seu arquivo pessoal, que mostram o astral da década de 90, organizadas no álbum abaixo. Junto, estão as fotos do seu shape, disponibilizadas por Fábio Tamaku e Mestre Miko.

 

Obrigado ao Fábio, por manter esta raridade, ao Mestre Miko, por compartilhar as fotos e nos dar esta inspiração e ao Reinaldo, pelas informações e imagens. Este shape e outros, estão expostos na Exposição Virtual Cara-da-Tábua, aqui no site jorle.com.br, sobre ‘decks’ assinados por skatistas de Curitiba e região. Veja já todo o acervo, clicando aqui no link, e leia os artigos sobre as demais colaborações, ao final da página do projeto.

Exposição Virtual Cara-da-Tábua, de Decks de skatistas de Curitiba.

 

Abraço.

Ricardo GosWod

 

 

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Conheça MyTrix: Guia de locais para se andar de Skate e muito mais.


 

Coluna STT: Desafio “Leste Oeste PR” 48h de bike concluído com Thiago Gava e seus amigos + Projeto Cidade Fria: histórias do underground curitibano

Olá. Hoje cito um rolê de bike que foi insano e um projeto (sub)cultural. Vê aí!

Desafio “Leste Oeste PR” concluído!

Na última sexta-feira, 13/09, rolou o desafio do Thiago Gava junto à seus 3 amigos: o Leste Oeste Paraná. Partindo de Paranaguá, a ideia era atravessar o estado do Paraná de bike, com previsão de 48h de pedal, até chegar na tríplice fronteira, em Foz do Iguaçu.

4 ciclistas – 23 cidades – 750km – 48horas estimadas.
13 de setembro à partir das 4AM.

Veja o relato dos resultados no post do instagram:

Mais informações no site https://www.lesteoestepr.com.br/.
Relembre ainda outra aventura do Thiago, que em ocasião que colaborou com a Jorle, relatou seu Everesting, feito em 2017, que consistiu em peladar 8848 metros de altimetria acumulada (a altura do Monte Everest), feito no Bosque do Alemão! Isso mesmo! Leia o relato e veja as fotos: http://bit.ly/2kus4zJ
Parabéns à equipe por mais este desafio insano!!

 

Cidade Fria

Por indicação do Carlos Panhoca, editor da Pé-de-Cabra (compre a pé de cabra aqui!), fui conferir o projeto do Christiano Carstensen Neto que está trabalhando no Cidade Fria – Histórias de Curitiba, que segundo o próprio Christiano trata-se de:
Cidade Fria – histórias de Curitiba” é um projeto criado por Christiano Carstensen Neto (baterista, arte educador e ilustrador) e Daniel Gonçalves (vocalista, tatuador e ilustrador). Trata-se de uma compilação impressa de contos, ilustrações e histórias em quadrinhos ambientadas nas ruas de Curitiba. Os trabalhos retratam personagens e o ambiente urbano da capital paranaense, tendo o underground como principal articulador entre os trabalhos. Música, terror, suspense, fantasia e ficção são algumas sugestões de caminhos a serem explorados. O projeto “Cidade Fria – histórias de Curitiba” será disponibilizado via financiamento coletivo pela plataforma Kickante. A iniciativa não possui fins lucrativos e o propósito é de ampliar a visibilidade de artistas locais e estimular trabalhos coletivos e a interação entre artistas da cidade, beneficiando a cena independente de forma geral. São mais de 50 artistas participantes entre escritores e ilustradores. A maior parte dos exemplares será destinada aos financiadores do projeto e outra parte ao acervo de bibliotecas, centros culturais e demais locais fomentadores da cultura. No link você pode conferir a apresentação da proposta pelos próprios criadores e as recompensas disponíveis para os financiadores. O prazo é até 02 de novembro de 2019.  
Colabore com a campanha de financiamento e siga os canais do projeto:
Site da Campanha:

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Coluna RGW

Ricardo GosWod: Marido de artista e pai de roqueiro progressivo. Skatista faz 27 anos. Depois de velho suou um tempo no rugby e arbitragem. Escreve sobre o que lhe interessa: amigos espertos, música, skate, rugby, zines, jogos … Trabalha nas horas de folga com projetos gráficos visuais e geoprocessamento. Escreve a Coluna “Sem tempo pra trabalhar” e é criador do projeto MyTrix.

 

 

Conheça MyTrix: Guia de locais para se andar de Skate e muito mais.

Cara-da-Tábua: shape do José Selski, andar no gás, Sabonete Zine e Ajax

Mais reservado hoje em dia e difícil de ser achado, agora morador de Pontal do Paraná, local escolhido para viver com sua família, demorou um pouco até que o José Selski soltasse estas fotos de seu model que saiu pela Drop Dead em 1990/1991. O “Zé” nos contou que este shape está em Floripa (SC), na parede do escritório do Eduardo (DD), que diz ser este o primeiro shape da Drop Dead. José tem grande importância para o desenvolvimento do skate da rua (modalidade ‘Street’) em Curitiba, por seus anos como skatista, além do apoio dado à diversos caras de uma nova geração já nos anos 90, através de sua marca Ajax, incluindo o apoio que eu mesmo recebi.

1991/1992, Sktr: José Selski “Zé”.

José foi o tipo de skatista que marcava presença, como nos relatos do Antônio Kantek: “Eu lembro de você andando na rua lisa do Jardim das Américas. Lembra desse pico? Eu lembro que você dava shove it, shove it e flip no gasão, era muito massa”. “Eu nunca vi ele andando parando, sempre no gás”. “O Zé, junto com esses caras aí da rua lisa, Juninho, Bilu, Caolho, Fukuda e Chileno, foram os primeiros streeteiros de Curitiba de verdade”.

Quem também resgatou coisas da memória foi o Roger Robert: “Não lembro muitos detalhes dessa época, mas lembro que o Zé era o maior nome do street paranaense, no final dos anos 80, início dos 90, época que a modalidade ainda buscava seu espaço, independência e reconhecimento. Que era respeitado pelos melhores skaters do país, e reconhecido como um talento ao nível dos ídolos mundiais da época. Não por outro motivo era comparado a Natas Kaupas, um dos maiores skatistas dos anos 80. Sempre preocupado em trabalhar pelo crescimento do esporte, ajudou na evolução das marcas locais e incentivando os novos atletas que surgiam. Essa filosofia buscamos incorporar à Ajax, criada para disponibilizar produtos e apoio a quem realmente andava de skate, nos moldes de como já faziam as marcas americanas. De um modo geral tinha uma visão underground do skate, priorizando o esporte como diversão, em favor de quem realmente praticava o esporte, diferente da visão que ia se afirmando em favor de campeonatos, mídia e que buscava atingir cada vez mais públicos de praticantes eventuais ou de simpatizantes. Em palavras de hoje, foi um legitimo skatista raiz, que em muito influenciou a sua e as próximas gerações, contribuindo muito para a grande evolução que vimos ao longo dos anos 90”. “Do Zé andando o que lembro mais era das sessions no Castelo, sempre andando no gás, acertando as manobras em linha (flips, kick flips) na base e principalmente se divertindo”.

Além destes relatos, eu mesmo posso contar algo sobre o que vivi, que, além de leitor fervoroso e colaborador do Zine de Skate “Sabonete”, feito pelo José, ainda fiz parte dos anos da Ajax. Esta marca, modesta mas importante, era chefiada por José e pelo Roger Robert, que juntos montaram uma das equipes mais expressivas daqueles anos, entre 93 e 97, mais ou menos. Naquele tempo se discutia muito sobre o valor de quem sabia andar de skate nas ruas e pistas no dia a dia com consistência, em contraposição aos que sabiam ganhar campeonatos, e o José e o Roger sabiam reconhecer a galera da rua. E se hoje isso soa polêmico, em tempos em que os campeonatos valorizam bastante quem sabe mesmo andar de skate, imagine duas décadas atrás. De fato a equipe da Ajax era formada pelo pessoal que estava sempre nos picos e para quem os campeonatos eram mais uma grande festa para encontrar os amigos do que uma competição. Tanto era, que quando fui convidado pelo José para fazer parte da equipe, foi algo de tanto orgulho e emoção, que nem parecia séria a proposta. Mas era, e com isso veio o circuito de skate com toda a carga: as pessoas, os eventos, as influências, o glamour, o ‘estrelismo’, as revelações, as decepções, as viagens e o contato com o ‘circo’ do brasil todo. Neste ponto veio a grande importância do José em minha caminhada: após me colocar na equipe, me ensinou a como me manter ‘o mesmo’, a escolher por onde caminhar, a pensar com a própria cabeça e a valorizar quem de fato me desse apoio. Aprendi tudo isso mais ou menos, mas as lições foram tantas e tão especiais que as carrego por toda a vida.

Fanzine Sabonete (Projeto Fanzines da Casa da Ponte)

 

Com tudo isso dito, inserir mais este model de deck na Coleção “Cara-da-Tábua” é uma alegria e uma honra. Assim, junta-se à coleção não só mais um shape, mas um importante pedaço da história do skate de Curitiba.

Visite a Exposição Virtual e leia todos os artigos sobre cada colaboração. Se tem um shape de skatista da cidade ou que fez parte desta história e quiser colaborar, tire uma foto e manda pra gente!

Obrigado!

 

Ricardo GosWod.

 

 

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Entrevista com Carlos Panhoca, da revista de quadrinhos Pé-de-Cabra + Promo Jorle: Sorteio de duas Pé-de-Cabra!

Atenção!!! Sorteio Realizado!

Os sorteados foram:

Ganhador(a) de um exemplar da Revista Pé-de-Cabra #2: E-Mail “is…ns@gmail.com”

Ganhador(a) de um exemplar da Revista Pé-de-Cabra #1: E-Mail “lv…26@gmail.com”

Obs.: Os sorteados serão comunicados e checados sua idade (+18) e endereços. Caso algum não se habilite para receber a revista, será realizado novo sorteio.

Obrigado a todos que participaram!! Em breve mais novidades!

Link para os resultados do Sorteio> https://sorteador.com.br/sorteador/resultado/1649858

 

_______________________

E foi assim: mandei umas perguntas e o Panhoca respondeu. Ele também disponibilizou duas revistas para o sorteio. Segue o papo:

 

Jorle: O que é a Pé-de-Cabra?

PDC: Pé-de-Cabra começou como uma revista ano passado e depois vi que dava pra fazer mais do que isso e a coisa foi evoluindo até virar um selo de publicações voltado pra satisfazer gente puta com toda essa porra que está acontecendo.

Jorle: Você acha que vai ter algum futuro respeitável e se tornar um cidadão de bem fazendo quadrinhos?

PDC: Nem fodendo. O bom da revista é que ela deixa bem claro o que a gente acredita e pensa. Todo esse bonmocismo armamentista é o outro lado da moeda. Eles nos odeiam, nós odiamos eles. Sem espaço pra babaca.

Jorle: Você é o principal responsável. Toca o lance todo sozinho? Tem parceiros?

Panhoca, editor da revista Pé-de-Cabra.

PDC: Eu dei o pontapé inicial porque eu já frequentava o meio da hq e arte degenerada tem uns bons anos. Aí chamei o Junior que tem experiencia de uma porrada de anos no mercado editorial e entende muito da parte gráfica e começamos a revista. Agora no começo do ano minha namorada (Karina) entrou pra equipe fazendo as letras do título da segunda revista e depois ajudando com as tarefas cotidianas, correios, empacotação, divulgação e esse tipo de coisa.

Jorle: Você tem morado em Curitiba, certo? Você é daqui? O que faz por aqui, trabalha, estuda, desenha, toca?

PDC: Gosto de ressaltar um termo que o Chico Félix usa bastante: moro em Curitiba LADO ORIENTAL. Não nos confundam com os babacas da republiqueta de Morolândia. Não sou nascido mas vim pra cá uns oito anos atrás pra assumir uma vaga de bibliotecário. Acabei me habituando e gosto daqui apesar de todos os problemas e o monte de pilantra que tem na rua. Eu desenho meio que por hobby no horário do almoço. Não tenho pretensão de ser artista ou algo do tipo. Ando pensando em me dedicar exclusivamente como editor e largar o lápis também. Me traz mais prazer e se não rola o tesão, não faz sentido, acho.

Jorle: Este é o segundo número da revista. Tem o tema específico de Doenças. Tem planos para novas compilações?

PDC: Tenho. A ideia é repetir essa fórmula porque tá dando certo. Uma vez ao ano abrindo chamado por três meses pra dar tempo de ter a ideia e executar. Não tenho um tema específico ainda mas às vezes vem umas ideias e anoto num papel. Tv, Monstro, Religião, Guardador de Carros. Tem tanto tema bom que ainda não foi tão explorado por aí.

Jorle: Como é a seleção dos trabalhos. Recebeu bastante coisa neste #2? Ficou material de fora?

PDC: A gente faz um chamado aberto por Facebook e Instagram com prazo de três meses para receber os trabalhos. Nesses posts de convocatória nós deixamos tudo bem especificado: tamanho, qualidade da imagem, tema, etc. Quando o prazo termina eu começo a olhar os trabalhos (pra não correr o risco de enjoar do trabalho dos primeiros que enviaram). Aí é a parte mais difícil, selecionar os que mais gostei e que encaixem de forma que a revista não vire uma colcha de retalhos. Nesse processo muita coisa boa acaba se perdendo porque contrasta demais com o resto. Dessa vez foram mais de 200 (207 se não me falha a memória) e só 42 entraram. No final acaba sobrando material pra fazer quase mais uma revista completa.

Jorle: O Chico Felix (Vida Ruim, Desvio de Aluguel, Gente Feia na TV) escreveu certa vez algo como: “uns desenhos e algumas folhas de xerox e a vida ganha sentido novamente”. Porque você resolveu se meter com produzir esse material?

Trecho da revista Pé-de-Cabra #2

PDC: Acho que qualquer coisa só faz sentido se você curtir o que você faz. Menos os Ramones. Eles podem se odiar e tocar juntos. Mas a gente não é os Ramones então vale a primeira frase. Eu não sei direito porque me meti a fazer revista. Acho que aproveitei uma brecha. A galera da Prego foi pra Portugal. Samba, Kowalski, Gibi Gibi e tantos outros terminaram. Esse formato de antologia sempre foi um formato que eu curti muito ler. Você compra por causa de uns três artistas que curte e leva de sobra mais um monte pra você conhecer o trampo. E com o Instagram começou a aparecer um monte de gente que gosto do trabalho e nunca via nada impresso. Acho que juntei tudo isso com a vantagem de eu ter um emprego estável que me sustenta pra fazer a revista sem o desespero de ter de vender tantas por mês pra poder me sustentar. No final acho que até daria pra pagar umas contas, mas aí não sei se conseguiria lançar mais coisas tão cedo. Prefiro manter tudo separado.

Jorle: Você tem um selo ou uma editora? Como organiza a impressão, distribuição, venda?

PDC: É um selo. Se sair na mídia que somos uma organização terrorista, uma gangue ou revolucionários comunistas, lembrem-se: somos um selo. As publicações vão acontecendo conforme a gente junta dinheiro pra sair mais uma. Bem pontual. Bateu a grana necessária? Publica. As vendas a gente se organiza pra ir nos correios conforme vão saindo no site (revistapedecabra.iluria.com) conforme nossa disponibilidade de ir aos correios. Eu e minha namorada assumimos essa tarefa. E aí tem as lojas de quadrinhos e bancas e livrarias que a gente manda conforme alguém tiver indo pra lá ou por correio também.

 

Valeu Panhoca, obrigado pela entrevista!

 

 

Se liga! Tem Evento de lançamento da Pé-de-Cabra #2 dia 18/05, 16h, na Itiban – Av. Silva Jardim, 845 – Curitiba

 

Promo Jorle: Inscreva-se para concorrer ao sorteio de 2 Revistas Pé-de-Cabra! Sorteio dia 21.05.19!

Como participar:

Concorra ao sorteio de duas revistas de quadrinhos ‘Pé-de-Cabra’, do editor Carlos Panhoca. Serão sorteadas duas pessoas, onde a primeira receberá um exemplar da Revista Pé-de-Cabra #2, e a segunda um exemplar da Pé-de-Cabra #1.

A canalhice de sempre: você inscreve seu nome e e-mail aqui no formulário até o dia do sorteio e já está concorrendo! Ao se cadastrar, passará a receber via e-mail avisos sobre as atividades da Jorle (caso não queira mais receber notícias, basta descadastrar-se no link no final dos e-mails).

O sorteio será realizado no dia 21 de maio de 2019, pelo site sorteador.com.br e os ganhadores (2 ganhadores) divulgados em www.jorle.com.br e comunicados no e-mail cadastrado.

Apenas para maiores de 18 anos e entrega somente para endereços de Curitiba e Região Metropolitana de Curitiba.

 

Compre as revistas

Compre as revistas e materiais na RevistaPeDeCabra.iluria.com

Ou aqui na Loja Jorle:

 

 

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Coluna RGW

Ricardo GosWod: Marido de artista e pai de roqueiro progressivo. Skatista faz 26 anos. Depois de velho foi jogar rugby e estudar arbitragem. Escreve sobre o que lhe interessa: amigos espertos, música, skate, rugby, zines … Trabalha nas horas de folga com projetos gráficos visuais e geoprocessamento. Escreve a Coluna “Sem tempo pra trabalhar“.

 

 

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Cara-da-Tábua: Shape do Cajé, seus anos em Curitiba e influência na cena de skate – relato de Postal

Apresento à todos, em colaboração ao Projeto Cara-da-Tábua, este shape do skatista “Cajé”, e um pouco da história envolvida, agora parte também desta coleção virtual de decks assinados por skatistas de Curitiba. Esta contribuição foi feita por Felipe “Bico”, velho guerreiro curitibano e skatista da rua da “Raridade”, que tem esta beleza conservada em sua casa. A arte do shape é de Marcelo Mortex Mortex. Cajé, que morou em Curitiba na década de 90 e depois saiu ao encontro de novas terras, vive hoje em Amsterdã, mas deixou sua marca nestas calçadas e ruas de CWB.

1995, Sktr: Carlos José “Cajé”, Art: Macelo Mortex Mortex.

Quando eu comecei a explorar a cidade andando de skate, à procura de novos picos e aventuras, fazia isso sempre acompanhado da rapaziada que costumava colar na rua da “Raridade”, loja de discos do centro de Curitiba, onde nos encontrávamos. De lá, saíamos para curtir a cidade, e vez por outra trombávamos com outras das diversas crews locais. E uma galera que era sempre uma grande experiência encontrar por aí era esse povo onde no meio sempre estavam metidos, entre muitos outros, Rafael Urso, Luiz Postal, Bisnaga, e Carlos José, o Cajé.

Eu, como skatista ainda em desenvolvimento e buscando referências, via no Cajé e seus amigos, a máxima representação da cultura do skate, na contemporaneidade nas manobras e na linguagem sonora, falada e visual. Via, nas sessões de skate das tardes de domingo, ali nos picos clássicos da cidade, a extensão visceral do que para mim significava a própria comunidade global do skate.

Quando o Bico me mandou as fotos do shape do Cajé, fiz um pedido ao Luiz Postal para que nos contasse um pouco sobre este seu grande amigo e companheiro de skate, que, confirmando minhas impressões àquele tempo passado, nos relatou:

Postal – “Tipo assim: o Cajé e a Drop Dead começaram meio juntos. Conheci o Cajé num campeonato no Gaúcho nos anos 90. Cajé – um apelido para Carlos José. Nascido em uma família de artistas portugueses, o Cajé sempre esteve além do que a gente imaginava ou conhecia. Ele já manjava vários sons, sacava várias manobras e andava muito, sempre na mesma e verdadeira atitude ‘low profile’ (discrição). Conhecia os vídeos do Matt Hensley, Rodney Mullen, ouvia Dinosaur Jr. e sabia tudo sobre o Massive Attack antes de qualquer um… O Cajé é um daqueles caras que você sempre vai amar e lembrar com carinho, muito carinho. Na linguagem internacional eles chamam de ‘Heimatlos’ – todos aqueles que não tem uma nação de origem comprovada. Seriam os apátridas, de acordo com o direito internacional. O Cajé, por outro lado, é e sempre foi um polipátrida, além das nações. Ele é brasileiro, português, holandês, angolano, australiano… humano. Demasiadamente humano.

Postal: Uma aventura com o amigo – “Tínhamos combinado de nos encontrar em Heathrow. Eu viria da Alemanha e iríamos para Northhamptom. Havia chego em Munique há um dia e meio, sequer eu tinha ideia do tempo que eu levaria de trem até Londres. Parti logo que me liguei que a fita ia ser sinixxxtraa! Foi um dia/noite/manhã até chegar em London (dia em que havíamos marcado de nos encontrar). O Cajé estava levando quase tudo: malas, skate, shape, tênis, prancha de surf… Eu levava meu skate e vários shapes da Reverse pra vender e capitalizar na gringa… Daí zicou! Quando cheguei na estação fui abordado pela imigração. Os caras acharam que eu era muito fora do contexto. E o Cajé no aguardo! E eu fiquei duas horas no aeroporto respondendo perguntas sobre marfim paraguaio!

Cajé. Ao lado, Postal. Fonte: acervo pessoal Postal.

Talvez mais alguém além de mim tenha ficado com a impressão de que a presença do Cajé na cena de skate da cidade tenha sido mesmo um dos diversos vetores importantes que moldaram ou construíram toda a imagem e “jeito” de ser e praticar skate por aqui. Esta história, assim como todas as histórias, empurram a curva que define os rumos futuros. Agradeço ao Cajé pela contribuição e influência sobre esse caminho, que considero bonito e rico. Agradeço ao Postal por compartilhar suas lembranças. E agradeço ao Felipe Bico por manter esta joia guardada para que pudesse compor este acervo virtual.

 

Você, parça, que tem algum shape que possa colaborar à esse acervo, ou tem shapes seus assinados novos ou antigos, e quiser nos mandar fotos, elas serão mais que bem vindas!

Valeu. Abraço. Até logo.

Visite a Exposição completa: só clicar!

 

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Coluna RGW

Ricardo GosWod: Marido de artista e pai de roqueiro progressivo. Skatista faz 26 anos. Depois de velho foi jogar rugby e estudar arbitragem. Escreve sobre o que lhe interessa: amigos espertos, música, skate, rugby, zines … Trabalha nas horas de folga com projetos gráficos visuais e geoprocessamento. Escreve a Coluna “Sem tempo pra trabalhar“.

 

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Coluna STT: Livro Cartas da Mata Atlântica | 5INCO – Dead Fish | Demo-tapes Brasil | Interferência Metal

Olá! Este post é para apresentar ou lembrar a todos de algumas coisas legais de gente legal, como o lançamento do livro do André de Meijer, o último episódio do 5INCO, do Marcelo Bacellar e um trabalho de digitalização de K7s “Demo-tapes Brasil”. Ainda gostaria de compartilhar um vídeo doméstico sobre como o metal bagunça a vida da pessoa.

 

Livro “Cartas da Mata Atlântica: histórias da natureza do litoral paranaense”.

Livro-cartasdamataatlancia-andre-de-meijerHá pouco tempo foi lançado o livro do André de Meijer, que já citei aqui em outro artigo. André, que depois de anos escrevendo suas “Cartas” tratando de suas observações científicas do ambiente natural onde residiu na Mata Atlântica, as quais enviava por e-mail à amigos do Brasil, Holanda (seu país de origem) e outros, reuniu todo este rico material e organizou esta publicação. O Livro pode ser comprado na loja da Amazon. Lá, no link “look inside”, pode-se dar uma espiada no conteúdo, prefácio e introdução.

 

5INCO – Edição Final, com Rodrigo Dead Fish

Com a 10ª edição do programa/vídeo/entrevista “5INCO”, o Marcelo Bacellar completa este trabalho com uma baita entrevista com Rodrigo, membro da banda Dead Fish. O trabalho completo foi, segundo o próprio Marcelo, “uma série de gente que curte trocar ideia sobre o punk. Temas discutidos como conversas de porta de show, mesa de bar ou chat do mirc”. Segue o vídeo do último episódio e também links para todos as edições.

 

Links:

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Extra: 5 Perguntas para Fabio Mozine sobre hardcore japonês:

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Demo-tapes Brasil – Descubra o maravilhoso mundo do Rock feito em fita cassete nos anos 80 e 90

Sim, é difícil se livrar do passado! E esse cara fez um favor aos saudosistas, digitalizando um grande número de gravações das mais variadas. Edson Luís Souza organizou um belo acervo, com gente como Adjustment,  Detrito Urbano, Voices, Anões de Jardim, Cólera, e por aí afora. É só entrar no link disponível na página do projeto e baixar. São 553 títulos!

https://demo-tapes-brasil.blogspot.com.br/

 

Interferência Metal

E pra encerrar o papo, deixo aqui este vídeo doméstico sobre fatos do metal: sacode a vida da pessoa!

Abraço!

 

Ricardo GosWod

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Escreve a Coluna “Sem tempo pra trabalhar“.