A história de Marcelo “Bisnaga” e seu model de shape. Agora na exposição virtual Cara-da-Tábua

Marcelo ‘Bisnaga’ @ganamlb é skatista carioca radicado em Curitiba desde os anos 90 e fez parte da cena paranaense, onde é presente até hoje. Esteve em algumas marcas e entre elas foi parte da equipe da Vândalo junto com @ricardomacieldecarvalho, @kamau_ e Fábio Black @brakko_costa, entre outros.  Por volta de 1992 Marcelo teve seu ‘model’ de shape lançado pela marca. Neste relato ele nos conta de sua trajetória e como pensa o skateboard, registrando assim seu shape na coleção Cara-da-Tábua.

Tem modelo de shape lançado em Curitiba ou região? Manda pra nós e conta sua história!

Prefiro ‘esporte’ do que ‘brinquedo’”

Comecei a andar em Niterói/RJ, aos 11 anos em 87. No Rio a cultura do skt era bem diferente de Curitiba. Lá todo mundo surfa e anda de skt de forma ocasional e, no meu caso, não foi diferente. Comecei a surfar por influência do meu irmão mais velho, André, que surfa um monte até hoje. Ele e alguns amigos começaram a andar no surfstyle e eu fui com meu pai comprar um presente de natal que seria uma roupa de borracha. Não tinha e precisava escolher algo, então pedi um skt e aí começou tudo. Logo nos primeiros dias fui com meu irmão e uns amigos do prédio andar na rua, fui descer uma pequena rampa de garagem e quebrei o braço feio, os dois ossos do braço direito. Foi um trauma que me marcou para a vida toda…ficava no verão do RJ, com braço engessado e tentando entrar no mar sem molhar o gesso, enfim tudo zoado.

Fabio Lango , Rodrigo Careca, eu, Gustavo e André Cavalo – galera do Campo de São Bento, Niterói.

Aí fui me envolvendo cada vez mais com o skt e meu irmão só surfava, à partir daí comecei a ter meus amigos mais próximos ligados ao skt e foi quando fui no Campo de São Bento, uma praça local, e vi o skate street real ao vivo pela primeira vez. Vários caras andavam demais. Fiquei super impressionado, um deles era o Gustavo Black, hj Black Allien. Até hj foi um dos caras que mais me impressionou ao vivo. Depois desse dia, skt estava na alma e era street de verdade. Encontrava os caras no Campo e saía para andar o dia inteiro na rua. Quando batia a fome, pedíamos um pão “bisnaga” na padaria pra dividir entre nós e tomava água da torneira. Meu apelido vem daí. Quando cheguei em Curitiba em 92, fui repetir o processo numa padaria perto do Meracadorama, na frente de uma banca, e os caras não aguentaram, me zoaram demais. Acho que foi Salsicha que botou o apelido.

Aqui em Ctba, logo cheguei, e o primeiro pico foi o Gaúcho. Ali conheci toda a galera local rápido, Sal, Postal, Japa, Cajé, Turko, entre outros. Quando cheguei aqui, a cultura do skt era mais forte. Só andava com quem andava de skt, as baladas, as marcas e depois toda a sena dos campeonatos. Tudo nascendo aqui. Achei maravilhoso. No RJ praticamente não existia nada disso. Subcultura total. Aqui já tinha uma estrutura, o pessoal levava skt mais a sério, pensava em patrô, campeonato. Era realmente outro mundo. Até as minas gostavam da gente. Surreal demais.

Júlio Japa, Sal, Cajé, Turko, Potal, Gerson e Eu.
Eu e Rafael Braciak
Shape “Bisnaga”, 1992.

Nunca me dei muito bem nos campeonatos, mas andava muito. Me dediquei de verdade por uns 10 anos eu acho. No meio desse período veio o primeiro patrô pela Vândalo e esse shape. Não lembro de ter pego vários models, esse aí eu segurei. Nessa época da Vândalo faziam parte da equipe eu, Fabio black, Ricardinho, que era uma criança, e o Kamau. Pelo que lembro, eu e o Fabio tivemos o model pela marca. O dono era o Vitinho, sangue bom. Acho que era de Telêmaco Borba, amigo do André Barba.

A minha cultura de skt é o skt Punk. Muita influência de som pesado, andar no gás, na rua e sem regras, fazendo o que desse na cabeça. Isso vem muito da galera de Niterói também. Os caras de lá realmente moldaram meu jeito de andar, dentre eles Lango, Banana, Rodrigo Careca (é um baita pintor hj em dia e faz umas artes com skt, mora SP e é um grande amigo até hj, assim como os demais). Eu realmente amava andar com essa galera, mas Ctba dominou completamente minha alma e logo de cara fiquei uns 5 anos sem voltar pra Niterói. Depois fiz parte da Change como amador, por um período, correndo os campeonatos no Paraná. Essa base de influência do skt punk me moldou e depois a cultura foi mudando muito para o rap, mas nunca me identifiquei da mesma forma. Na real não curtia muito. Skt pra mim era rua, gás, muito ollie e som pesado, tipo Ratos de Porão e Sepultura. Até hoje considero como as principais bandas nacionais e Sepultura como uma das principais da história global. Então, considero que esses ciclos culturais fazem parte do skt e cada um se identifica com uma linha e não precisa mudar porque o ciclo passou. Eu mesmo continuo fiel ao skt punk.

Sobre ser esporte, acho que sim, hoje pode ser chamado de esporte. Prefiro esporte do que brinquedo, como era visto na minha época. Também prefiro o skt enérgico, sem me preocupar quantas vezes ele girou, para qual lado e se estava de frente ou não. Não interessa. O importante é fazer com vontade e voltar do jeito que der. Hj existe esse ciclo das olimpíadas, high performance. Não me identifico. Por ex. Street League nem consigo ver, não vejo graça, não me identifico. Nunca aprendi a andar em pista direito. Sempre precisei embalar pra manobrar, então, pista sempre foi pra encontrar os amigos e vazar. Uma pena que ctba sempre foi precária de lugares na rua. Nesse quesito o RJ sempre foi paraíso.

Eu com meu Pai.

@ganamlb @moldurariamomento

Curitiba, 2014.
Curitiba, 2014.

#surfskate #riodejaneiro #skaterio #blackalien #bisnaga #salsicha #curitiba #cwbskate  #Sal #Postal #Japa #Caje #Turko #Fabioblack #ricardinho #Kamau #Change #ratosdeporao #sepultura #sompesado #skatepunk #esporte #brinquedo #enio @valterturkinho @caje_nascimento @postalternate @sepultura @ratosdeporao @alexandre.wolf @blackalienofficial @gersonhiromoto @andreprado138 @gus.blackart @eumermogus @rodrigocunha484 @pfaduque


Cara-da-Tábua

Exposição Virtual Cara-da-Tábua, de Decks de skatistas de Curitiba.

Projeto organizado pela Jorle que traz a reunião de diversas imagens de “models” do pessoal de Curitiba. O que chamamos de “models” no ambiente do skate é o conjunto de forma, ou corte, do “shape” junto com a arte estampada na face inferior. Por tradição no “esporte” os skatistas, quando fazem parte de alguma equipe, ou representam alguma empresa do ramo do skate, tem seus próprios “models”, ou seja, definem exatamente como querem o recorte da madeira e as características de altura e forma de ‘nose’, ‘tail’ e ‘concaves’ e fazem, ou convidam algum artista para fazer, o projeto gráfico estampado. Esta é uma importante característica que revela uma vasta cultura, expressão e modo de viver por trás da atividade física ou competitiva. Muitas vezes a arte estampada no “shape” representa um ponto de vista político ou cultural, ou mesmo reflete preferências estéticas ou pessoais do skatista. De qualquer forma, é uma maneira de skatistas profissionais e amadores se comunicarem com sua comunidade e com o mundo externo, para o qual o skate e sua cultura seguem como algo curioso e bem particular.

Cara-da-Tábua + Entrevista: Giulio Sertori – Artista, Skatista e Video Maker de Bérgamo IT, morador de Curitiba

Exposição Virtual Cara-da-Tábua, de Decks de skatistas de Curitiba.Giulio Sertori está no Brasil, mais precisamente em Curitiba, a cerca de 6 anos, mas já tem participado de diversos projetos e interferido no cenário de skate da cidade. Seus trabalhos de vídeo sobre os “capivaras”, sua arte psicodélica, zine e seu model de shape já estão entre os trabalhos que considero muito bons entre as tantas ramificações culturais observadas no meio do skate nos últimos anos. Por conta do conjunto todo de produções, convidei Giulio à inserir seu deck na Galeria Cara-da-Tábua e mandei algumas perguntas para sanar algumas curiosidades. Fique aqui com uma entrevista realizada no início de 2021.

Entrevista com Giulio Sertori (@giugliodelia)

Jorle: Quem é você e como veio parar aqui, no Brasil?
Giulio: Salve, meu nome é Giulio Sertori, sou de Bergamo (Itália), e foi parar aqui, por visitar meu amigo Cristiano e ver como estava a situação da recente nascida Yeah Skateboards aqui no Brasil junto ao meu amigo Lorenzo Lupi (criador da Yeah Skateboards).
Em teoria era para Lorenzo ficar aqui no Brasil mas ele resolveu voltar para Itália e eu peguei o lugar dele, também porque conheci Amanda que sucessivamente virou minha esposa então depois de algumas idas e voltas, casei e fiquei aqui, se era só para o skateboarding ia ficar também na Italia, ainda bem que conheci Amanda ehehe.
Jorle: Você é artista, video maker e tem ligação com a marca Yeah Skateboards. Conte um pouco sobre estes seus trabalhos.
Giulio: Vamos esclarecer que eu não tenho nenhuma marca, a Yeah Skateboards na Itália é do Lorenzo e aqui dos irmãos Cristiano e Celmar, eu sempre fiz de trâmite dos dois continentes, faço parte de todas as decisões (team, produção)  mas principalmente sou o videomaker da marca e nesse momento que Cristiano está fora do país estou na linha de frente, mas a marca (como várias pessoas acham) não é minha.

Yeah Skateboards no Instagram

Aqui em Curitiba a minha vida partiu do zero então quis  focar nas artes plásticas, eu estudei “decoração” na Itália mas nunca exercitei a minha profissão então decidi de me “soltar” seguir o meu instinto e os meus sonhos artísticos, coisa que na Itália não fazia, pensava só em trabalhar, andar de skate e muitas vezes a minha visão era afetada da opinião dos outros.
A minha forma de me expressar era trâmite o skate, com videos e fotos rigorosamente analogicas (as fotos não eram só de skate) fazia por mim e para minha crew de amigos “Bergamo Fescion”, as fotos colocava no meu flickr (rip) e os vídeos mandava para os poucos mídias italianos, esses vídeos me trouxeram alguns trabalhos no mundo do skate italiano.
Agora aqui em Curitiba deixei a minha “veia artística” sem limites, na Itália a aparência conta muito e isso sempre me incomodou, também aqui importa, mas simplesmente foco em mim e não em que os outros podem pensam de mim, tento não deixar isso me afetar e talvez por isso, que aqui foi acolhido diferentemente, me sinto em casa e a vontade de expressar.Mas

 sempre chega aquele comentário chato “que drogas se usa?”, “que ácido se toma para desenhar assim?”, isso me decepciona bastante porque parece que uma pessoa não pode se expressar em modo psicodélico e colorido sem tomar drogas….minha cabeça é assim, não preciso de drogas para fazer algo de alternativo, parece que as pessoas perderam o contato com eles mesmos e não conseguem acessar a criatividade, no final as vezes só aplico cores complementares e a magia está feita, são umas “regras” de cores da arte.

Jorle: Recentemente você gravou com os skatistas da Yeah uma “vídeo parte” para o Eixo Mole Skate Zine, onde percebe-
se um estilo muito legal que mistura manobras antigas em meio às coisas novas. De onde vem esse formato de andar de skate?

Skate tem regra?

Giulio: Esse estilo veio do skateboarding sem datas e sem compromisso, hoje em dia a galera “moderna” anda como no vídeo “hokus pokus” e nem sabe, as vezes o que é novidade é somente uma releitura do que já foi feito no passado ou simplesmente parece novidade porque não conhece o passado.
Se fala que skate não tem regras, mas acho que é tudo um grande paradoxo, dependendo da época que se iniciou andar de skate, tem regras não escritas diferentes, e isso dá para ver nos diferentes roles das diferentes gerações, mas no final vai por conta dos próprios gostos, o que importa é se divertir e ser espontâneos, talvez seja isso o segreto da Yeah Skateboards, ser espontâneos.
O skateboarding é feito para quebrar as regras, mas isso não justifica algumas ações de vários skatistas, não é porque se dá um rolê da hora que se pode colocar acima de tudo mundo.

Shape inserido na Galeria Virtual Cara-da-Tábua, Jorle. Clique para visitar a Galeria.

Jorle: Te convidei a inserir seu modelo de shape na galeria Cara da Tábua, integrando um grupo de gente que teve sua arte, suas ideias ou apenas seu nome gravado na tábua e na história do skate de Curitiba. Conte um pouco sobre este seu “model”, e o material que acompanha o shape.

Giulio: Eu não considero esse o “meu modelo”, sim me representa, mas fiz por minha vontade, ninguém mandou fazer esse modelo além de eu eheheh.

Queria trazer meu blog de videos  “Filmerd” no papel, então pensei um modo legal de trazer a zine ao físico e como lançar a mesma.
Nunca sonhei de ter meu promodel, também porque isso significa ser professionista, mas sempre sonhei de ter uma gráfica feita por mim no meu shape e ver meus amigos andar com ele, no passado já realizei as minhas gráficas mas era sempre e só para mim.
A motivação de fazer a zine é porque cansei desse mundo instantâneo, obrigado ter feedback de volta, a galera de hoje vive demais o instantâneo e isso não dá valor a história do skateboarding, é tudo tão esquecível e fútil que se não sabe mais o que você fez, com um dígito se apaga ou muda algo que não era para ser mudado, as opiniões não são mais sinceras, muitos agem por conta da opinião dos outros, é bom ver os próprios erros porque é assim que se cresce, errando se aprende.
Se um dia não tiver mais energia para ligar os aparelhos eletrônicos tudo será esquecido, não vai ter aquele aplicativo que te lembrará o que se fez o ano passado….triste verdade do mundo moderno…escravitude digital.
Enfim foi a realização de vários sonhos, agora vou tentar fazer mais números da zine, com mais conteúdos, envolvendo mais pessoas, a capa já está pronta ehehhe.

Jorle: Manda aquele ‘salve’ e mensagem final.

Insta @giugliodelia

Giulio: Agradeço minha família, quem me suporta e quem me obstacula, tudo faz parte do processo então é bom agradecer, das dificuldades vem as melhores ideias.
Queria passar essa mensagem de acreditar em você mesmo, hoje em dia como nunca, tudo está ao nosso alcance, só focar e ser determinados.
Skatea forte contra a parede e que o Fescion esteja com vocês!

Jorle: Obrigado Giulio pelo tempo para responder às perguntas. Grande Abraço!

 

Apreciem a coleção digital Cara-da-Tábua e leia sobre outras contribuições clicando no link abaixo.

Caso queira contribuir, entre em contato!

Abraço.

Ricardo GosWod


Cara-da-Tábua

Exposição Virtual Cara-da-Tábua, de Decks de skatistas de Curitiba.

Projeto organizado pela Jorle que traz a reunião de diversas imagens de “models” do pessoal de Curitiba. O que chamamos de “models” no ambiente do skate é o conjunto de forma, ou corte, do “shape” junto com a arte estampada na face inferior. Por tradição no “esporte” os skatistas, quando fazem parte de alguma equipe, ou representam alguma empresa do ramo do skate, tem seus próprios “models”, ou seja, definem exatamente como querem o recorte da madeira, e fazem, ou convidam algum artista para fazer, o projeto gráfico estampado. Esta é uma importante característica que revela uma vasta cultura, expressão e modo de viver por trás da atividade física ou competitiva. Muitas vezes a arte estampada no “shape” representa um ponto de vista político ou cultural, ou mesmo quando aparentemente não há significado concreto, reflete preferências estéticas do skatista. De qualquer forma, é uma maneira de skatistas profissionais e amadores se comunicarem com sua comunidade e com o mundo externo, para o qual o skate e sua cultura seguem como algo curioso, às vezes obscuro, marginal, talvez incompreensível.


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Cara-da-Tábua: Shape do Reinaldo Aranha, EverSlick e Miko dono do pico da Mattioli

Na década de 90 o mundo do skate vivia rápidas evoluções técnicas, tanto nas manobras quanto nos materiais. Grandes mudanças nos formatos de shapes, trucks, rodas, tênis e roupas. Umas das experiências desta época foram os shapeseverslick“, que como o nome sugere, eram shapes com o acabamento da parte inferior feito com material que fazia com que o skate deslizasse mais e em qualquer superfície, numa tentativa de substituir a necessidade da boa “vela”. Localmente, mais precisamente em Curitiba, os fabricantes experimentaram diversos materiais para fazer shapes com “everslick“. Enquanto os “gringos” utilizavam uma camada plástica na superfície, a versão local que foi muito utilizada aplicava uma camada de fórmica ao shape como recurso alternativo. Após um período de experiências, a fórmica esteve presente em diversos shapes assinados por atletas da cidade, como é o caso do shape do Reinaldo Aranha, que acaba de ser inserido na Exposição Virtual Cara-da-Tábua, chegando pelas mãos do Alysson “Miko”, numa história de coincidências e surpresas.

Antes de falar de Reinaldo Aranha, uma rápida menção ao Alysson “Miko”, ou “Mestre Miko”, e como ele encontrou estas imagens do shape do Aranha, com Fábio Tamaru. Recentemente, durante uma troca de mensagens de Miko com Fábio, por conta de assuntos comerciais da vida, ambos descobriram que haviam andado de skate e o rapaz mostrou fotos de seu antigo skate que, surpreendentemente, era um skate bem característico da época e com com um shapeeverslick‘ do Reinaldo Aranha, modelo do ano de 92/93. Mestre Miko logo mostrou as fotos aos amigos pelo celular, o que deu animação para que fosse contada esta história aqui. Muito legal que gente como o Fábio guarde certas relíquias como este skate e shape, comprados por ele por volta de 1996 – “shape Maha e rodinhas Moska“, segundo ele mesmo conta.

Sktr: Reinaldo “Aranha”, 1992/1993

Miko era morador do mesmo bairro de Reinaldo, e eram amigos e parceiros de rolê de skate. O Miko era o “dono” do pico da Mattioli, por ser praticamente vizinho do ‘spot‘. O lugar era uma oficina com pátio coberto em que se podia andar de skate nos finais de semana e até à noite, muito frequentado por todos da cidade nos anos 90. Mestre Miko, como ‘dono’, estava sempre lá e acompanhou toda esta geração, suas histórias e evoluções. Também com notória participação em sessões, competições e na cultura de skate da cidade, nos deu suas impressões sobre Reinaldo Aranha:
Conheci Reinaldo Aranha na década de 90 quando ia andar junto na rua dele, além de subirmos no apê para ver vídeos de skate também. Estávamos estudando o fundamental juntos no OPET ali da Av. Iguaçú, nessa época o bicho já andava pra caramba, tinha campeonato de skate no colégio e ele sempre ficava em primeiro rsrsrs. Já se dava bem em campeonatos fora dali também, e não demorou para conseguir patrocínio! Era conhecido como o ‘homem backboniano’ kkkkk o cara era style, inconfundível!

Quem viu Aranha andar por aí sabe que era de um estilo mesmo único, bom de rua e também nas competições, como ele mesmo confirma: “Fui campeão paranaense. Amador 01 e 02. Equipes da Maha, Ferrugem, Pysico Street, Vertpipe, Orbital e WayBack (primeira marca do Eduardo da Drop Dead)“. Aranha ainda nos enviou algumas fotos de seu arquivo pessoal, que mostram o astral da década de 90, organizadas no álbum abaixo. Junto, estão as fotos do seu shape, disponibilizadas por Fábio Tamaku e Mestre Miko.

 

Obrigado ao Fábio, por manter esta raridade, ao Mestre Miko, por compartilhar as fotos e nos dar esta inspiração e ao Reinaldo, pelas informações e imagens. Este shape e outros, estão expostos na Exposição Virtual Cara-da-Tábua, aqui no site jorle.com.br, sobre ‘decks’ assinados por skatistas de Curitiba e região. Veja já todo o acervo, clicando aqui no link, e leia os artigos sobre as demais colaborações, ao final da página do projeto.

Exposição Virtual Cara-da-Tábua, de Decks de skatistas de Curitiba.

 

Abraço.

Ricardo GosWod

 

 

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Cara-da-Tábua: shape do José Selski, andar no gás, Sabonete Zine e Ajax

Mais reservado hoje em dia e difícil de ser achado, agora morador de Pontal do Paraná, local escolhido para viver com sua família, demorou um pouco até que o José Selski soltasse estas fotos de seu model que saiu pela Drop Dead em 1990/1991. O “Zé” nos contou que este shape está em Floripa (SC), na parede do escritório do Eduardo (DD), que diz ser este o primeiro shape da Drop Dead. José tem grande importância para o desenvolvimento do skate da rua (modalidade ‘Street’) em Curitiba, por seus anos como skatista, além do apoio dado à diversos caras de uma nova geração já nos anos 90, através de sua marca Ajax, incluindo o apoio que eu mesmo recebi.

1991/1992, Sktr: José Selski “Zé”.

José foi o tipo de skatista que marcava presença, como nos relatos do Antônio Kantek: “Eu lembro de você andando na rua lisa do Jardim das Américas. Lembra desse pico? Eu lembro que você dava shove it, shove it e flip no gasão, era muito massa”. “Eu nunca vi ele andando parando, sempre no gás”. “O Zé, junto com esses caras aí da rua lisa, Juninho, Bilu, Caolho, Fukuda e Chileno, foram os primeiros streeteiros de Curitiba de verdade”.

Quem também resgatou coisas da memória foi o Roger Robert: “Não lembro muitos detalhes dessa época, mas lembro que o Zé era o maior nome do street paranaense, no final dos anos 80, início dos 90, época que a modalidade ainda buscava seu espaço, independência e reconhecimento. Que era respeitado pelos melhores skaters do país, e reconhecido como um talento ao nível dos ídolos mundiais da época. Não por outro motivo era comparado a Natas Kaupas, um dos maiores skatistas dos anos 80. Sempre preocupado em trabalhar pelo crescimento do esporte, ajudou na evolução das marcas locais e incentivando os novos atletas que surgiam. Essa filosofia buscamos incorporar à Ajax, criada para disponibilizar produtos e apoio a quem realmente andava de skate, nos moldes de como já faziam as marcas americanas. De um modo geral tinha uma visão underground do skate, priorizando o esporte como diversão, em favor de quem realmente praticava o esporte, diferente da visão que ia se afirmando em favor de campeonatos, mídia e que buscava atingir cada vez mais públicos de praticantes eventuais ou de simpatizantes. Em palavras de hoje, foi um legitimo skatista raiz, que em muito influenciou a sua e as próximas gerações, contribuindo muito para a grande evolução que vimos ao longo dos anos 90”. “Do Zé andando o que lembro mais era das sessions no Castelo, sempre andando no gás, acertando as manobras em linha (flips, kick flips) na base e principalmente se divertindo”.

Além destes relatos, eu mesmo posso contar algo sobre o que vivi, que, além de leitor fervoroso e colaborador do Zine de Skate “Sabonete”, feito pelo José, ainda fiz parte dos anos da Ajax. Esta marca, modesta mas importante, era chefiada por José e pelo Roger Robert, que juntos montaram uma das equipes mais expressivas daqueles anos, entre 93 e 97, mais ou menos. Naquele tempo se discutia muito sobre o valor de quem sabia andar de skate nas ruas e pistas no dia a dia com consistência, em contraposição aos que sabiam ganhar campeonatos, e o José e o Roger sabiam reconhecer a galera da rua. E se hoje isso soa polêmico, em tempos em que os campeonatos valorizam bastante quem sabe mesmo andar de skate, imagine duas décadas atrás. De fato a equipe da Ajax era formada pelo pessoal que estava sempre nos picos e para quem os campeonatos eram mais uma grande festa para encontrar os amigos do que uma competição. Tanto era, que quando fui convidado pelo José para fazer parte da equipe, foi algo de tanto orgulho e emoção, que nem parecia séria a proposta. Mas era, e com isso veio o circuito de skate com toda a carga: as pessoas, os eventos, as influências, o glamour, o ‘estrelismo’, as revelações, as decepções, as viagens e o contato com o ‘circo’ do brasil todo. Neste ponto veio a grande importância do José em minha caminhada: após me colocar na equipe, me ensinou a como me manter ‘o mesmo’, a escolher por onde caminhar, a pensar com a própria cabeça e a valorizar quem de fato me desse apoio. Aprendi tudo isso mais ou menos, mas as lições foram tantas e tão especiais que as carrego por toda a vida.

Fanzine Sabonete (Projeto Fanzines da Casa da Ponte)

 

Com tudo isso dito, inserir mais este model de deck na Coleção “Cara-da-Tábua” é uma alegria e uma honra. Assim, junta-se à coleção não só mais um shape, mas um importante pedaço da história do skate de Curitiba.

Visite a Exposição Virtual e leia todos os artigos sobre cada colaboração. Se tem um shape de skatista da cidade ou que fez parte desta história e quiser colaborar, tire uma foto e manda pra gente!

Obrigado!

 

Ricardo GosWod.

 

 

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Cara-da-Tábua: Shape do Cajé, seus anos em Curitiba e influência na cena de skate – relato de Postal

Apresento à todos, em colaboração ao Projeto Cara-da-Tábua, este shape do skatista “Cajé”, e um pouco da história envolvida, agora parte também desta coleção virtual de decks assinados por skatistas de Curitiba. Esta contribuição foi feita por Felipe “Bico”, velho guerreiro curitibano e skatista da rua da “Raridade”, que tem esta beleza conservada em sua casa. A arte do shape é de Marcelo Mortex Mortex. Cajé, que morou em Curitiba na década de 90 e depois saiu ao encontro de novas terras, vive hoje em Amsterdã, mas deixou sua marca nestas calçadas e ruas de CWB.

1995, Sktr: Carlos José “Cajé”, Art: Macelo Mortex Mortex.

Quando eu comecei a explorar a cidade andando de skate, à procura de novos picos e aventuras, fazia isso sempre acompanhado da rapaziada que costumava colar na rua da “Raridade”, loja de discos do centro de Curitiba, onde nos encontrávamos. De lá, saíamos para curtir a cidade, e vez por outra trombávamos com outras das diversas crews locais. E uma galera que era sempre uma grande experiência encontrar por aí era esse povo onde no meio sempre estavam metidos, entre muitos outros, Rafael Urso, Luiz Postal, Bisnaga, e Carlos José, o Cajé.

Eu, como skatista ainda em desenvolvimento e buscando referências, via no Cajé e seus amigos, a máxima representação da cultura do skate, na contemporaneidade nas manobras e na linguagem sonora, falada e visual. Via, nas sessões de skate das tardes de domingo, ali nos picos clássicos da cidade, a extensão visceral do que para mim significava a própria comunidade global do skate.

Quando o Bico me mandou as fotos do shape do Cajé, fiz um pedido ao Luiz Postal para que nos contasse um pouco sobre este seu grande amigo e companheiro de skate, que, confirmando minhas impressões àquele tempo passado, nos relatou:

Postal – “Tipo assim: o Cajé e a Drop Dead começaram meio juntos. Conheci o Cajé num campeonato no Gaúcho nos anos 90. Cajé – um apelido para Carlos José. Nascido em uma família de artistas portugueses, o Cajé sempre esteve além do que a gente imaginava ou conhecia. Ele já manjava vários sons, sacava várias manobras e andava muito, sempre na mesma e verdadeira atitude ‘low profile’ (discrição). Conhecia os vídeos do Matt Hensley, Rodney Mullen, ouvia Dinosaur Jr. e sabia tudo sobre o Massive Attack antes de qualquer um… O Cajé é um daqueles caras que você sempre vai amar e lembrar com carinho, muito carinho. Na linguagem internacional eles chamam de ‘Heimatlos’ – todos aqueles que não tem uma nação de origem comprovada. Seriam os apátridas, de acordo com o direito internacional. O Cajé, por outro lado, é e sempre foi um polipátrida, além das nações. Ele é brasileiro, português, holandês, angolano, australiano… humano. Demasiadamente humano.

Postal: Uma aventura com o amigo – “Tínhamos combinado de nos encontrar em Heathrow. Eu viria da Alemanha e iríamos para Northhamptom. Havia chego em Munique há um dia e meio, sequer eu tinha ideia do tempo que eu levaria de trem até Londres. Parti logo que me liguei que a fita ia ser sinixxxtraa! Foi um dia/noite/manhã até chegar em London (dia em que havíamos marcado de nos encontrar). O Cajé estava levando quase tudo: malas, skate, shape, tênis, prancha de surf… Eu levava meu skate e vários shapes da Reverse pra vender e capitalizar na gringa… Daí zicou! Quando cheguei na estação fui abordado pela imigração. Os caras acharam que eu era muito fora do contexto. E o Cajé no aguardo! E eu fiquei duas horas no aeroporto respondendo perguntas sobre marfim paraguaio!

Cajé. Ao lado, Postal. Fonte: acervo pessoal Postal.

Talvez mais alguém além de mim tenha ficado com a impressão de que a presença do Cajé na cena de skate da cidade tenha sido mesmo um dos diversos vetores importantes que moldaram ou construíram toda a imagem e “jeito” de ser e praticar skate por aqui. Esta história, assim como todas as histórias, empurram a curva que define os rumos futuros. Agradeço ao Cajé pela contribuição e influência sobre esse caminho, que considero bonito e rico. Agradeço ao Postal por compartilhar suas lembranças. E agradeço ao Felipe Bico por manter esta joia guardada para que pudesse compor este acervo virtual.

 

Você, parça, que tem algum shape que possa colaborar à esse acervo, ou tem shapes seus assinados novos ou antigos, e quiser nos mandar fotos, elas serão mais que bem vindas!

Valeu. Abraço. Até logo.

Visite a Exposição completa: só clicar!

 

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Coluna RGW

Ricardo GosWod: Marido de artista e pai de roqueiro progressivo. Skatista faz 26 anos. Depois de velho foi jogar rugby e estudar arbitragem. Escreve sobre o que lhe interessa: amigos espertos, música, skate, rugby, zines … Trabalha nas horas de folga com projetos gráficos visuais e geoprocessamento. Escreve a Coluna “Sem tempo pra trabalhar“.

 

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Cara-da-tábua: procuram-se fotos de decks de skate – CWB!

Mande fotos de seu shape – ou deck – ou tábua de skate – para a exposição virtual Cara-da-Tábua!

 

 

Se o seu “rolê” tem a ver com a cidade de Curitiba e arredores e:

– você anda ou andou de skate e tem guardados seus modelos de shape que já assinou, ou

– se tiver decks de outros skatistas guardados no porão, ou

– se é artista gráfico e desenhou shapes para algum skatista ou marca …

Faça uma foto e envie para a Jorle!

As imagens serão inseridas na exposição virtual para serem acessadas e apreciadas por todos. Muita arte e história envolvidos!!

Conheça o acervo já disponível!

Arte-caradatabua-curitiba-CWB-shape-models-Exposicao-galeria-virtual-skate-skateboarding-shapes

 

Envie as imagens do shape inteiro, com ao menos 1000×300 pixels (mais ou menos) de resolução, para:

contato@jorle.com.br

ou como mensagem para

facebook.com/JorleDistroInfoProjetos/

 

Sua contribuição será muito valiosa! A comunidade de skatistas da cidade agradece!!

 

Abraço!

Ricardo GosWod

De Barcelona: Juliano Guimarães na Expo Cara-da-Tábua – Shape em homenagem à Curitiba

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Não faz muito tempo, pesquisando sobre skatistas de Curitiba, li uma matéria escrita pelo Raphael Braciak no site CampeonatosDeSkate.com.br falando sobre o Juliano Guimarães, skatista morador de Barcelona (ES), que lançou shape em homenagem à sua cidade natal, Curitiba. Claro que este seu model tem tudo a ver com a exposição Cara-da-Tábua, então fiz contato com o Juliano e ele nos enviou sua colaboração com fotos e informações deste seu deck.

juliano-guimaraes-model-caradatabua-exposicao-skate-skatista-curitibano-cwb-barcelona-shape-promodelEm uma troca de mensagens com ele e assistindo à um vídeo bem legal sobre sua carreira (Video no Olho de Peixe), conheci um pouco mais de sua trajetória e sobre sua correria de voltar com a família ao Brasil para fazer uma cirurgia no joelho, aguardar carências de plano de saúde, recuperar e voltar à Espanha mais de 1 ano depois, 100% curado, para retomar seu trabalho de skatista.

Agradecimentos ao Juliano pela atenção e envio do material e parabéns pelas vitórias e pela homenagem à CWB. Mais um grande personagem do skate da cidade.

 

Arte do shape: Eduardo Souza, 2015

Visite a Exposição Virtual:Exposição Virtual Cara-da-Tábua, de Decks de skatistas de Curitiba.

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Ricardo GosWod

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Novos shapes do skatista de Curitiba “Chileno” – Expo Cara-da-Tábua

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Os modelos de shape do skatista local de Curitiba “Chileno” já são parte da exposição Cara-da-Tábua, talvez com a maior quantidade de models até agora, e, recentemente, o cara nos enviou mais duas peças para a galeria.

Chileno Skatista Profissional Curitbiba Shapes Models Exposição Virtual Cara-da-tábua Jorle
Leia o Post sobre a primeira colaboração do Chileno – Clique aqui!

Chileno já tem uns bons quilômetros de rodagem, e continua muito ativo. São eventos, campeonatos, apresentações, vídeos e fotos, que semanalmente, vão dando volume à sua atividade profissional.shapes_chileno_aguia_caradatabua_skateboarding_skate_curitiba_skatista_profissional

 

As artes nos decks são assinadas por Fausto Crist (1) e Maurício Leonel (2), 2017.

Mais uma vez um obrigado, Cristian Barrera!

Exposição Virtual Cara-da-Tábua, de Decks de skatistas de Curitiba.

 

#Chileno #SkatistaProfissional #Curitiba #ShapesDeSkate #SkateModels #ExposiçãoVirtual #Cara-da-tábua #Jorle #Skate #CWB

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Decks do Pepeu Prado na exposição Cara-da-Tábua – Skatista Insano de Curitiba

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Neste início de ano o projeto Cara-da-Tábua recebeu importantes colaborações que resultaram na angariação de mais três models de shape para a Galeria. São decks do Pepeu Humberto Prado, skatista curitibano com grande e honrosa participação na história brazuca, que arrebenta há várias décadas half-pipes, banks, bordas e o que aparecer pela frente!

Pepeu Prado - Hand Plant Backside, 1984, no extinto Half Pipe do Velódromo, que era uma cópia de um Half do Summer Camp da Suécia – Infos: Pepeu
Pepeu Prado – Hand Plant Backside, 1984, no extinto Half Pipe do Velódromo, que era uma cópia de um Half do Summer Camp da Suécia – Infos: Pepeu

Pepeu é de uma geração de desbravadores, de pioneiros. Eram guerreiros sobre rodas e qualquer moleque da cidade sabia que andar de skate exigia muita atitude. Atitude essa que mesmo agora, quase um “cinquentão”, Pepeu ainda tem de sobra.

Já havia escutado muitas histórias, mas perguntamos ao Ronaldo Miranda o que ele sabia. Ronaldo trabalha esportes radicais é um dos locutores de campeonatos de skate mais reconhecidos da cidade, produziu skate para diversas mídias e atualmente trabalha em Radio (Mundo Radical / Radio Mundo Livre FM 93.9) e TV (Sport Session – E-PArana Canal 09) …. Veja o que ele contou sobre Pepeu:

O Pepeu foi um dos primeiros, ou o primeiro, skatista a sair de Curitiba representar a cidade em campeonatos. O cara andava muito no vertical, tinha um estilo muito insano.
O cara dava uns aéreos tão altos… ía batendo os braços, batendo asas … ninguém sabia se ele ía voltar na porra do aéreo! Ele era muito lôco! Anda muito! Foi um dos primeiros caras a ter patrocínio – ele teve patrocínio da *STANLEY uma das melhores marcas de SURF na época e MAHA SKATES. Pepeu foi o cara que representou Curitiba e representou o Paraná por muito tempo.
Além disso é um cara que está na ativa até hoje, tanto que o último campeonato que a gente correu junto, de master, uns dois anos atrás, eu só perdi pra ele: o cara gordo e pesado, e metia os Smiths na borda. Anda pra caramba até hoje. O cara é gente finíssima
“.

 

shapes_pepeu_prado_skatista_insano_curitiba_skateboarding_caradatabua_shape_lendasdoskate_vertical_jorle_underground_alternativoÉ com grande satisfação que te convidamos a visitar a página do Projeto Cara-da-Tábua e ver estes novos decks e também checar todo o acervo.

 

Agradecimentos ao Pepeu e ao Ronaldo, que colaboraram com informações e imagens.

 

Tem shapes de skatistas de Curitiba no seu porão? Fale com a gente e colabore com a exposição.

Abraço
Ricardo GosWod

 

 

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* Errata: Foi publicado originalmente à respeito do patrocínio da “Plancton”, informação incorreta observada pelo Pepeu, e corrigida no texto.

Raphael Urso & Prego – Exposição Cara da Tábua

Curitiba, anos 90, Edifício Castelo Branco, hoje mais conhecido como Museu Oscar Niemeyer. Se tem um lugar na cidade que remete à uma geração “de ouro” brasileira, é lá. Momento marcado por grandes eventos de skate, brasileiros conquistando respeito em outros países, aumento de popularidade do esporte e um ambiente de muita evolução. Local que abrigou com frequência “sessions” memoráveis, muitas com a presença, entre os coadjuvantes, de Raphael “Urso” e “Prego” (R.I.P.), que têm agora seus Decks na exposição virtual Cara da Tábua.

Raphael “Urso”, membro permanente do círculo dos mestres, influenciou muitos, e na linha dos novos tempos, continua influenciando, pois ao que parece, no skate não existe mais idade para se parar. Urso não só nos enviou os models de sua carreira, como também nos contou um pouco sobre o “Prego”, que não fosse seu falecimento precoce, seria mais um a estar por aí no rolê:

“Conheci o Prego em 1991, no Gaucho…. Lembro que ele era um skatista atiradão … Andava sempre no gaz e lançava as manobras de Base sempre muito bem executadas … Lembro que no Gaucho ele dava os maiores e mais extensos ollies nos pão ou teta …. Ele dava fs fifty no cano do gaúcho … Fiquei em choque … Isso em 91 … Lembro que com ele, o Postal, Bisnaga, Roger, Sal, Caje e Gerson Japa agente fazia street pela cidade toda , na remada , do Mercadora Jardim das Américas até o antigo Castelo Branco!!! Lembro da gente colando nas 6feiras final de tarde no top muller e o prego com cabelo azul … Segurança do shopping não acreditava e ficava no nosso vácuo … lembro das baladas do Circus com ele.. Lembro que ele era skatista de verdade man”.Urso e Prego

Raphael, no rolê desde 1986, hoje, além de praticar, trabalha forte com mais outros tantos skatistas da cidade junto à PraSkate (Associação Paranaense de Desenvolvimento da Cultura e da Prática do Skate), que de acordo com site da organização, promove ações estruturadas em “Linhas” de curto, médio e longo prazo, que visam a “promoção da cultura e prática do Skate como instrumento de aprimoramento da formação atlética e cultural das presentes e futuras gerações”.

Agradecimentos ao Sal, gerente da pista da Drop Dead, que guarda lá mesmo, com carinho, o deck do Prego, ao Roger Olho, que fotografou esta raridade para a exposição virtual, e ao Urso, por seu relato e fotografias dos seus shapes.

Visite a página da exposição e se ligue nestes e em outros shapes que contam graficamente a história do skateboarding em CWB, no Paraná e no mundo.

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Ricardo GosWod.