Casos de utilização de Skate Parks como ferramenta de reurbanização e melhoria das condições urbanas

Este é o resultado de uma das pesquisas realizadas para o Projeto Pás na Ucrânia, que estuda formas de resgatar a antiga pista da Praça da Ucrânia, em Curitiba – PR. Parte ou a íntegra deste texto estará no documento que orienta o projeto.

Conheça o Projeto Pás na Ucrânia

Copenhague: a cidade das pontes. Porque estão permitindo pistas ‘clandestinas’

Em matéria vinculada no “The Guardian” em 19 de dezembro de 2016, o autor escreve sobre como houve uma mudança na percepção da prefeitura quanto às ditas “pistas de skate clandestinas”, onde skatistas da cidade ocuparam terrenos em áreas abandonadas e construíram suas próprias pistas com restos de concreto e com organização independente dos próprios skatistas, que colocavam a mão na massa.

Inicialmente a prefeitura era contra, mas ao observar mais de perto os resultados, passaram a apoiar as iniciativas, principalmente nas áreas negligenciadas da cidade e em regiões de prédios abandonados. Estas áreas passaram a ser vistas como áreas mais ativas, vivas e mais seguras.

Um dos conselheiros da prefeitura de Copenhague envolvidos nesta visão mais moderna e progressista de desenvolvimento urbano disse “Você quer que as pessoas sejam ativas e se envolvam com sua cidade”, diz Strange. “Mesmo que as pessoas estejam mudando o espaço público para seus próprios propósitos, elas o fazem com amor e energia positiva porque querem criar algo.”. Esta visão levou mesmo até a estratégia conhecida como Fælleskab København (Co-criação de Copenhagen). Sua visão é desenvolver a capital em colaboração com quem a usa – moradores e turistas – para transformá-la em uma “cidade viva … uma cidade com fronteiras”.

Na prática, a administração passou a ouvir as pessoas que ocupam a cidade e, ao invés de fechar os olhos para as modificações de hábitos e formas de utiliza-la, passaram a construir juntos um lugar em que todos se sentissem em casa.

Figura 1 Hullet (the Hole) is set to be destroyed to make way for luxury apartments. Photograph: James Clasper
Figura 2 Pista “DIY” na Portland’s Burnside Bridge

Fonte: https://amp.theguardian.com/cities/2016/dec/19/city-with-edge-copenhagen-illegal-skateparks

Kickflips & Curb Cuts: novos parques de skate moldando o design urbano

Em artigo de  Eric Baldwin para o site de arquitetura “mais visitado do mundo”, segundo o próprio site, ele relembra que por mais controle que um arquiteto tente ter sobre seus projetos urbanos é praticamente impossível prever de que forma o equipamento será utilizado. A prática de skate é uma destas formas, que conversa o tempo todo com a arquitetura urbana e reinventa seu uso.

Diversos estudos em arquitetura tratam do assunto, como o manual citado pelo autor chamado “A Skateboarder’s Guide to Architecture” (http://loudpapermag.com/articles/a-skateboarders-guide-to-architecture-or-an-architects-guide-to-skateboarding?utm_medium=website&utm_source=archdaily.com), que basicamente ensina a adaptar as cidades modernas ao novos modos de ocupação do espaço urbano e de áreas antes abandonadas.

Neste sentido, no artigo, o autor ainda reúne diversos exemplos de pistas de skate projetadas para estarem em meio ao ambiente urbano, como exemplificado nas fotos publicadas no texto, reproduzidas abaixo.

Figura 3 Skate Park Jardines de Aureà Cuadrado / SCOB
Figura 4 Skaterhall / Herrmann + Bosch Architekten –  Stuttgart
Figura 5 Navarcles SKATEPLAZA / PMAM + Skate Architects
Figura 6 A Skate-spot near the Krymsky overpass / Snøhetta + Strelka KB + Strelka Architects
Figura 7 Skate Park Nou Barris / SCOB
Figura 8 StreetDome / CEBRA + Glifberg + Lykke

Fonte: https://www.archdaily.com/946371/kickflips-and-curb-cuts-new-skate-parks-shaping-urban-design

West LA Courthouse skate plaza

Este importante local em Los Ângeles é um dos mais conhecidos no mundo por diversas aparições em filmes de skate. Sua história peculiar mostra como um olhar atento para as práticas da população, aliada à organização da comunidade e de empresas do ramo podem transformar a cidade. Por muito tempo este “spot” foi encarado como um local proibido à prática de skate, mas por sua reconhecida importância, a empresa Nike, aliada aos moradores skatistas locais, conseguiram durante uma campanha no evento “Go Skate Day” de 2014 os recursos e a voz necessários para que a prefeitura apoiasse a transformação do espaço em uma pista de skate “oficial”.

Figura 9 West LA Courthouse skate plaza – Pinteres: Os 25 lugares para skate mais icônicos de todos os tempos
Figura 10 Revistalização do “West LA Courthose” para o Go Skateboarding Day 2015 (https://skatekrak.com/mag/go-skateboarding-day-2015-west-los-angeles-courthouse)

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/West_LA_Courthouse_skate_plaza

Necessidade da participação do município nas dinâmicas reais da cidade

Em outra reportagem, esta brasileira, da Folha de São Paulo, temos um exemplo de uma das experiências nacionais de espaços revitalizados pela presença de skate. Em visita à uma pista “feita pelos próprios skatistas”, com as características já  mais próximas à própria realidade brasileira, mais especificamente de subúrbio paulistano, mesmo com ambiente de violência e agressividade que cerca a comunidade, a pista de skate criada pelos próprios skatistas tornou-se um refúgio à esta “contaminação”.

A reportagem reforça ainda como o skate está presente nos hábitos da população e como espaços dedicados à prática criam as condições para seu crescimento. Em citação do artigo lembra-se que os resultados olímpicos são reconhecidamente consequência de uma cultura existente e viva.

Ainda, após visitas a diversas pistas em São Paulo, verificou-se que a organização destes espaços se faz necessária, até com relação às regras sanitárias relacionadas à pandemia, o que faz ainda mais importante um olhar do município no sentido de apoiar e participar da dinâmica das cidades.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2021/08/skate-em-sao-paulo-ocupa-pracas-e-pistas-viram-refugio-contra-o-preconceito.shtml

Barcelona e Brasília

Menciono ainda dois outros exemplos, mas de forma rápida, pois cada um deles renderia mais outros novos artigos.

No caso de Barcelona, uma das cidades mais importante no cenário do skate mundial principalmente na questão da cultura do skate e uso do equipamento urbano, encontramos uma cidade totalmente amistosa à prática do skate em ruas e praças, mesmo não sendo locais pré-definidos para este uso. Mas trata-se muito mais que uma mera permissão para o uso, mas uma cultura de uma cidade toda que valoriza o uso da cidade e dos espaços públicos pela população. Há de fato o hábito da população de ocupar os espaços públicos. Indico ouvir a conversa muito legal onde o Rafael Petersen “Charlie B”, curitibano que vive em Barcelona já há muitos anos, conta um pouco da cultura que encontrou lá e até como acabou virando cartão postal da cidade com uma foto sua andando de skate em frente ao MACBA.

Entrevista Rafael Petersen Charlie B (Youtube)

Já a cidade de Brasília ganhou recentemente uma praça que chamou muita atenção por suas características “skatáveis”. De fato, o projeto não era de uma “pista de skate”, muito embora cada detalhe tenha sido pensado de forma a proporcionar um local perfeito para receber a comunidade do skate. Em matéria com textos e fotos publicada pela Revista 100% pode-se verificar os detalhes do lugar. Veja no link abaixo onde fica a localização desta “skate plaza”.

Localização da Praça do Povo no Guia de Picos de Skate MyTrix

Conclusão

No importante “TED” de título “Vamos tratar a violência como uma doença contagiosa” apresentado pelo Dr. Gary Slutkin, o experiente médico que trabalhou no combate ao HIV, tuberculose e outras epidemias na África nos conta como ele aplicou os métodos de controle de doenças ao problema da violência urbana observados em algumas das maiores cidades dos EUA. Trata-se de entender a violência urbana como algo que se propaga como uma epidemia. Tanto que, durante a palestra, Gary demonstra com números impressionantes o sucesso das ações nas cidades onde o método foi aplicado. E os resultados extraordinários foram alcançados não com repressão ou afastamento dos cidadãos da administração pública, mas ao contrário, identificando o “foco da doença” e elegendo pessoas das próprias comunidades para serem agentes de fomento aos objetivos.

Citamos aqui esta ação descrita por Gary para exemplificar que o clima de paz, senso de comunidade, zelo pelo patrimônio urbano e orgulho de fazer parte de uma cidade deve vir da ciência envolvida em aproximar a administração pública dos cidadãos até que este limite nem mais seja percebido. E as ações passam por entender a ocupação da cidade, em ouvir e negociar os termos de uso da cidade, e em promover o respeito mútuo entre prefeitura e moradores.

A ação de restauração da Pista de Skate da Ucrânia envolve todos estes fatores e pode gerar uma construção rica que envolverá a comunidade como um todo e aproximará a população da administração pública.

Agradecimentos ao Rafael Fernando da Silva (@rafaelsino) que indicou vários artigos e sites para consultas e à todos os envolvidos com o projeto da Pista da Ucrânia.

Siga o Instagram ou Face Book do Projeto Pás na Ucrânia.

 #panaucrania #voltaucrania #desenterraucrania #pasnaucrania @rafaelsino @pistadaucrania @r_petersen80 @wtruta #macba #barcelona #RafaelPetersen #CharlieB @rafbcn12 #mytrix #pracadopovo #brasilia #cemporcento #DrGarySlutkin #WestLACourthouseskateplaza #WestLA #Courthouse #skateplaza #Copenhague #pistaclandestina #DIY #PortlandsBurnsideBridge #Kickflips #CurbCuts #Stuttgart #curitiba #culturaskate #picosdeskate #pistasdeskate #politicadoskate #revitalizacaourbana #urbanizacao

Ricardo GosWod “Fuça”


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Eixo Mole Skate Zine #3 – Pioneiros do Street em Curitiba – NO AR!

Eixo Mole Skate Zine #3 Pioneiros do street em Curitiba

Já está no ar a nova edição do Eixo Mole Skate Zine!

 

NESTA EDIÇÃO

‘Rolê Tiozão’ com os CWB-SKT-Warriors;

‘Cultura Arte & Ruído’ com Guilherme Vera – G.Veras – e a pista Local Board em Pontal do Sul – PR;

‘Skate Hoje’ com os Skater´s do Litoral-PR Lucas Lima, Eduardo Oliveira (Dudu), Drope EACV, Luiz Lipski, Jeff Jefferson Marques, Alex Pit Bull;

‘Passando o Eixo’ com depoimentos dos Pioneiros do Street Skate em Curitiba Alexandre Kobra, João K-Olho, José Selski e Leonardo Fukuda.

 

CRÉDITOS

Eixo.Mole é um skate-zine montado com arquivos de rolês e conversas das redes sociais da crew CWB-SKT-Warriors.

Inspirado na estética dos ‘fanzines’, o Eixo Mole é um vídeo revista sobre a cultura do skate. Trazendo as sessões ‘Old School’, ‘Memórias’, ‘Passando o Eixo’, ‘Arte & Barulho’ e ainda ‘Skate Hoje’, com a cena atual, é um canal de informação e conexão de gerações, editado pela galera dos CWB Skt Warriors, Velhos Malditos Skatistas de Curitiba.

Pega as novidades seguindo #cwbsktwarriors e #eixomole, ou pela página do Projeto aqui em Jorle!

Inscreva-se no Canal no Youtube para acompanhar os lançamentos!

 

SONS

:: Abertura: Beats: LGRoc – BACK TO THE ROOTS @LGROC Rock: Johan Wodzynski – Intro Eixo Mole @johan.wodzynski Teaser: “NEVE EM CURITIBA” – FACA CEGA – ep 2016

:: Role Tiozão – Você consegue: Ricardo Goswod: PLUTO – SURF CAMBOJA 2 PLUTO – SURF CAMBOJA 3 IAN MACKAYE Peterson Caetano: “LULA LIVRE REGGAE” – DIGITALDUBS; EARL SIXTEEN – 2019 Diogo Vinícius / Cícero Kato: “PAY TO LIVE” – AGENT HELL FIRE olho: “MORTE ASCETA” – MORTE ASCETA – 2002 Sole / Lgroc /Antonio / Julian/ José Selski GS; SADAT – MESS PROD BY LG ROC Cesar Noda: GS; SADAT – MESS prod by LG ROC Morcego: LOOP (VOODLOOP) – LOOPMAKER (LACUZ12) MIXTAPE: LOOPS IN THE SKY BY LACUZ 12

:: Skate Hoje: Skater´s Litoral-PR: Lucas Lima – Eduardo Oliveira (Dudu) – Drope EACV – Luiz Lipski – Jeff Jefferson Marques – Alex Pit Bull: AW SHIT MPz LG_ROC

:: Cultura Arte & Ruído: Guilherme Vera – G.Veras: A Arte de Viver – Eltin

:: Passando o Eixo Pioneiros do Street Skate em Curitiba: Alexandre Kobra – João K-Olho – José Selski – Leonardo Fukuda: Public domain Street of Fire

:: Merchandising: “ONE MORE TIME” – EVIL IDOLS – EVIL IDOLS/MOTOSIERRA – 2003

:: Créditos: DJ ROMER GOYA – PISTA MECÂNICA

 

PRODUÇÃO

CWB-SKT-WARRIORS Allysson Miko, André Toppel, Antônio Kantek, Cesar Noda, Cícero Kato, Clezinho, Felipe Bico, José Selski, Guilherme Simpson, Jefferson Morcego, Julian Polydoro, Juliano Carlos, Leandro Lgroc, Romer Goya, Olho Wodzynski, Sole, Peterson Caetano, Ricardo Goswod Aviso: As ideias e opiniões expressas nas ‘partes’ de skatistas e nos depoimentos são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do zine.

CONTATO

eixo.mole.skate.zine@gmail.com

Cara-da-Tábua + Entrevista: Giulio Sertori – Artista, Skatista e Video Maker de Bérgamo IT, morador de Curitiba

Exposição Virtual Cara-da-Tábua, de Decks de skatistas de Curitiba.Giulio Sertori está no Brasil, mais precisamente em Curitiba, a cerca de 6 anos, mas já tem participado de diversos projetos e interferido no cenário de skate da cidade. Seus trabalhos de vídeo sobre os “capivaras”, sua arte psicodélica, zine e seu model de shape já estão entre os trabalhos que considero muito bons entre as tantas ramificações culturais observadas no meio do skate nos últimos anos. Por conta do conjunto todo de produções, convidei Giulio à inserir seu deck na Galeria Cara-da-Tábua e mandei algumas perguntas para sanar algumas curiosidades. Fique aqui com uma entrevista realizada no início de 2021.

Entrevista com Giulio Sertori (@giugliodelia)

Jorle: Quem é você e como veio parar aqui, no Brasil?
Giulio: Salve, meu nome é Giulio Sertori, sou de Bergamo (Itália), e foi parar aqui, por visitar meu amigo Cristiano e ver como estava a situação da recente nascida Yeah Skateboards aqui no Brasil junto ao meu amigo Lorenzo Lupi (criador da Yeah Skateboards).
Em teoria era para Lorenzo ficar aqui no Brasil mas ele resolveu voltar para Itália e eu peguei o lugar dele, também porque conheci Amanda que sucessivamente virou minha esposa então depois de algumas idas e voltas, casei e fiquei aqui, se era só para o skateboarding ia ficar também na Italia, ainda bem que conheci Amanda ehehe.
Jorle: Você é artista, video maker e tem ligação com a marca Yeah Skateboards. Conte um pouco sobre estes seus trabalhos.
Giulio: Vamos esclarecer que eu não tenho nenhuma marca, a Yeah Skateboards na Itália é do Lorenzo e aqui dos irmãos Cristiano e Celmar, eu sempre fiz de trâmite dos dois continentes, faço parte de todas as decisões (team, produção)  mas principalmente sou o videomaker da marca e nesse momento que Cristiano está fora do país estou na linha de frente, mas a marca (como várias pessoas acham) não é minha.

Yeah Skateboards no Instagram

Aqui em Curitiba a minha vida partiu do zero então quis  focar nas artes plásticas, eu estudei “decoração” na Itália mas nunca exercitei a minha profissão então decidi de me “soltar” seguir o meu instinto e os meus sonhos artísticos, coisa que na Itália não fazia, pensava só em trabalhar, andar de skate e muitas vezes a minha visão era afetada da opinião dos outros.
A minha forma de me expressar era trâmite o skate, com videos e fotos rigorosamente analogicas (as fotos não eram só de skate) fazia por mim e para minha crew de amigos “Bergamo Fescion”, as fotos colocava no meu flickr (rip) e os vídeos mandava para os poucos mídias italianos, esses vídeos me trouxeram alguns trabalhos no mundo do skate italiano.
Agora aqui em Curitiba deixei a minha “veia artística” sem limites, na Itália a aparência conta muito e isso sempre me incomodou, também aqui importa, mas simplesmente foco em mim e não em que os outros podem pensam de mim, tento não deixar isso me afetar e talvez por isso, que aqui foi acolhido diferentemente, me sinto em casa e a vontade de expressar.Mas

 sempre chega aquele comentário chato “que drogas se usa?”, “que ácido se toma para desenhar assim?”, isso me decepciona bastante porque parece que uma pessoa não pode se expressar em modo psicodélico e colorido sem tomar drogas….minha cabeça é assim, não preciso de drogas para fazer algo de alternativo, parece que as pessoas perderam o contato com eles mesmos e não conseguem acessar a criatividade, no final as vezes só aplico cores complementares e a magia está feita, são umas “regras” de cores da arte.

Jorle: Recentemente você gravou com os skatistas da Yeah uma “vídeo parte” para o Eixo Mole Skate Zine, onde percebe-
se um estilo muito legal que mistura manobras antigas em meio às coisas novas. De onde vem esse formato de andar de skate?

Skate tem regra?

Giulio: Esse estilo veio do skateboarding sem datas e sem compromisso, hoje em dia a galera “moderna” anda como no vídeo “hokus pokus” e nem sabe, as vezes o que é novidade é somente uma releitura do que já foi feito no passado ou simplesmente parece novidade porque não conhece o passado.
Se fala que skate não tem regras, mas acho que é tudo um grande paradoxo, dependendo da época que se iniciou andar de skate, tem regras não escritas diferentes, e isso dá para ver nos diferentes roles das diferentes gerações, mas no final vai por conta dos próprios gostos, o que importa é se divertir e ser espontâneos, talvez seja isso o segreto da Yeah Skateboards, ser espontâneos.
O skateboarding é feito para quebrar as regras, mas isso não justifica algumas ações de vários skatistas, não é porque se dá um rolê da hora que se pode colocar acima de tudo mundo.

Shape inserido na Galeria Virtual Cara-da-Tábua, Jorle. Clique para visitar a Galeria.

Jorle: Te convidei a inserir seu modelo de shape na galeria Cara da Tábua, integrando um grupo de gente que teve sua arte, suas ideias ou apenas seu nome gravado na tábua e na história do skate de Curitiba. Conte um pouco sobre este seu “model”, e o material que acompanha o shape.

Giulio: Eu não considero esse o “meu modelo”, sim me representa, mas fiz por minha vontade, ninguém mandou fazer esse modelo além de eu eheheh.

Queria trazer meu blog de videos  “Filmerd” no papel, então pensei um modo legal de trazer a zine ao físico e como lançar a mesma.
Nunca sonhei de ter meu promodel, também porque isso significa ser professionista, mas sempre sonhei de ter uma gráfica feita por mim no meu shape e ver meus amigos andar com ele, no passado já realizei as minhas gráficas mas era sempre e só para mim.
A motivação de fazer a zine é porque cansei desse mundo instantâneo, obrigado ter feedback de volta, a galera de hoje vive demais o instantâneo e isso não dá valor a história do skateboarding, é tudo tão esquecível e fútil que se não sabe mais o que você fez, com um dígito se apaga ou muda algo que não era para ser mudado, as opiniões não são mais sinceras, muitos agem por conta da opinião dos outros, é bom ver os próprios erros porque é assim que se cresce, errando se aprende.
Se um dia não tiver mais energia para ligar os aparelhos eletrônicos tudo será esquecido, não vai ter aquele aplicativo que te lembrará o que se fez o ano passado….triste verdade do mundo moderno…escravitude digital.
Enfim foi a realização de vários sonhos, agora vou tentar fazer mais números da zine, com mais conteúdos, envolvendo mais pessoas, a capa já está pronta ehehhe.

Jorle: Manda aquele ‘salve’ e mensagem final.

Insta @giugliodelia

Giulio: Agradeço minha família, quem me suporta e quem me obstacula, tudo faz parte do processo então é bom agradecer, das dificuldades vem as melhores ideias.
Queria passar essa mensagem de acreditar em você mesmo, hoje em dia como nunca, tudo está ao nosso alcance, só focar e ser determinados.
Skatea forte contra a parede e que o Fescion esteja com vocês!

Jorle: Obrigado Giulio pelo tempo para responder às perguntas. Grande Abraço!

 

Apreciem a coleção digital Cara-da-Tábua e leia sobre outras contribuições clicando no link abaixo.

Caso queira contribuir, entre em contato!

Abraço.

Ricardo GosWod


Cara-da-Tábua

Exposição Virtual Cara-da-Tábua, de Decks de skatistas de Curitiba.

Projeto organizado pela Jorle que traz a reunião de diversas imagens de “models” do pessoal de Curitiba. O que chamamos de “models” no ambiente do skate é o conjunto de forma, ou corte, do “shape” junto com a arte estampada na face inferior. Por tradição no “esporte” os skatistas, quando fazem parte de alguma equipe, ou representam alguma empresa do ramo do skate, tem seus próprios “models”, ou seja, definem exatamente como querem o recorte da madeira, e fazem, ou convidam algum artista para fazer, o projeto gráfico estampado. Esta é uma importante característica que revela uma vasta cultura, expressão e modo de viver por trás da atividade física ou competitiva. Muitas vezes a arte estampada no “shape” representa um ponto de vista político ou cultural, ou mesmo quando aparentemente não há significado concreto, reflete preferências estéticas do skatista. De qualquer forma, é uma maneira de skatistas profissionais e amadores se comunicarem com sua comunidade e com o mundo externo, para o qual o skate e sua cultura seguem como algo curioso, às vezes obscuro, marginal, talvez incompreensível.


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Conheça MyTrix: Guia de locais para se andar de Skate.
Cadastre-se e Insira Picos de Skate no mapa do Brasil!

Sonz #2 – Trilha sonora do Eixo Mole #2

Sonz #2 – Vcs Sacaram? Eixo Mole Skate Zine
Trilha sonora do Eixo Mole #2
0:11 Ads – Manimal – Álbum: Ads the Barbarian (2020)
2:06 Lessons Learned – Manimal – Álbum: Ads the Barbarian (2020)
5:19 Mar$ Noel – Álbum: Da Intiation Scarecrow (2020)
8:22 Slip Of Tha Tung – Johny Dank And Greenzilla (Produced By LG ROC)
11:50 Instrumental – DJ Romer Goya
16:16 Apollo`s Creed – LG ROC Presents Supreme Team
20:26 Ready For Freddy – Tracktribe
24:57 Giant Iphone – Rage
26:37 Tuff – TK (Produced By LG ROC)
30:16 Disease – Redlightz
32:34 Descendente de Macaco – Vida Ruim / Álbum: Vida Ruim Ep (2016)
34:27 C/E Balad – Evil Idols – Álbum: Don’t Mess With The Evil Idols (2004)
36:51 One More Time – Evil Idols – Àlbum: Evil Idols/Motosierra (2003)
38:32 Mapa – Cãos (2016)
40:55 Finland – Track Tribe
42:21 ::: Eixo Mole – Skate Zine :::

No Youtube:

Compre os Produtos Eixo Mole! Dê seu suporte!! Aqui: https://www.jorle.com.br/…/camiseta-eixo-mole-skate-zine
Inspirado na estética dos ‘fanzines’, o Eixo Mole é um vídeo revista sobre a cultura do skate. Trazendo as sessões ‘Old School’, Entrevistas, Memórias, Arte & Barulho e ainda ‘Skate Hoje’, com a cena atual, é um canal de informação e conexão de gerações, editado pela galera dos CWB Skt Warriors, Velhos Malditos Skatistas de Curitiba.
Pega as novidades seguindo #cwbsktwarriors e #eixomole, ou pelo Canal Eixo Mole no Youtube.
Uma Produção: Cwb Skt Warriors.

Eixo Mole Skate Zine #2 Estreia nesta quinta, 26 de novembro

Eixo Mole Skate Zine #2

Estreia nesta quinta-feira, 26/11, 20h

No Canal Eixo Mole – Youtube

 

 

Eixo.Mole é um Skate-Zine montado com arquivos de rolês e conversas das redes sociais da crew CWB-SKT-Warriors.
Nesta segunda edição você vai ver:
– Momentos Legendários com o Fotógrafo Wester Fernando – @wester.fernando
– Role Tiozão com a crew cwb-skt-warriors, produtores do Zine e donos da bola
– Momento olímpico com Mestre Miko
– Skate Hoje rolê pesado com a “Yeah Skateboards” – @yeahskateboards
– na seção Cultura – Arte & Ruído, Peterson Caetano troca uma idéia com Julio Kondo aka Selector Sik – @selectorsik – sobre música, skate e referências. E ainda alguns momentos do trabalho do DJ e Produtor LG ROC – @lgroc – durante sua estadia no Japão. Finalizando, um pouco de arte com olho wodzynski – @olhoarts.

 

 

 

Pega as novidades seguindo: #cwbsktwarriors #eixomole

Estreia Eixo Mole Skate Zine – Produção Cwb Skt Warriors – Sexta dia 28-08 20:30h

Nesta Sexta-feira, dia 28 de agosto, 20:30h, estreia a primeira edição do Skate Zine Eixo Mole.

Uma produção da crew CwbSktWarriors, trabalho e projeto em que participo junto à diversos outros amigos e que não promete nada, a não ser, ver o fruto de meses de conversas em redes sociais formatados em um video-fanzine.

Rolês dos tiozões da crew, memórias, os jovens da Cozmic Nomadaz mostrando o skate hoje, um pouco de arte de skatista e ainda os Classificados com algumas iniciativas nossas e de amigos.

Entra no Canal do Youtube e já se inscreve! E não perde a estréia!

 

Pega as novidades seguindo #cwbsktwarriors e #eixomole, ou pela página do Projeto aqui em Jorle!

 

Ricardo GosWod.

 

 

 

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Cara-da-Tábua: Shape do Reinaldo Aranha, EverSlick e Miko dono do pico da Mattioli

Na década de 90 o mundo do skate vivia rápidas evoluções técnicas, tanto nas manobras quanto nos materiais. Grandes mudanças nos formatos de shapes, trucks, rodas, tênis e roupas. Umas das experiências desta época foram os shapeseverslick“, que como o nome sugere, eram shapes com o acabamento da parte inferior feito com material que fazia com que o skate deslizasse mais e em qualquer superfície, numa tentativa de substituir a necessidade da boa “vela”. Localmente, mais precisamente em Curitiba, os fabricantes experimentaram diversos materiais para fazer shapes com “everslick“. Enquanto os “gringos” utilizavam uma camada plástica na superfície, a versão local que foi muito utilizada aplicava uma camada de fórmica ao shape como recurso alternativo. Após um período de experiências, a fórmica esteve presente em diversos shapes assinados por atletas da cidade, como é o caso do shape do Reinaldo Aranha, que acaba de ser inserido na Exposição Virtual Cara-da-Tábua, chegando pelas mãos do Alysson “Miko”, numa história de coincidências e surpresas.

Antes de falar de Reinaldo Aranha, uma rápida menção ao Alysson “Miko”, ou “Mestre Miko”, e como ele encontrou estas imagens do shape do Aranha, com Fábio Tamaru. Recentemente, durante uma troca de mensagens de Miko com Fábio, por conta de assuntos comerciais da vida, ambos descobriram que haviam andado de skate e o rapaz mostrou fotos de seu antigo skate que, surpreendentemente, era um skate bem característico da época e com com um shapeeverslick‘ do Reinaldo Aranha, modelo do ano de 92/93. Mestre Miko logo mostrou as fotos aos amigos pelo celular, o que deu animação para que fosse contada esta história aqui. Muito legal que gente como o Fábio guarde certas relíquias como este skate e shape, comprados por ele por volta de 1996 – “shape Maha e rodinhas Moska“, segundo ele mesmo conta.

Sktr: Reinaldo “Aranha”, 1992/1993

Miko era morador do mesmo bairro de Reinaldo, e eram amigos e parceiros de rolê de skate. O Miko era o “dono” do pico da Mattioli, por ser praticamente vizinho do ‘spot‘. O lugar era uma oficina com pátio coberto em que se podia andar de skate nos finais de semana e até à noite, muito frequentado por todos da cidade nos anos 90. Mestre Miko, como ‘dono’, estava sempre lá e acompanhou toda esta geração, suas histórias e evoluções. Também com notória participação em sessões, competições e na cultura de skate da cidade, nos deu suas impressões sobre Reinaldo Aranha:
Conheci Reinaldo Aranha na década de 90 quando ia andar junto na rua dele, além de subirmos no apê para ver vídeos de skate também. Estávamos estudando o fundamental juntos no OPET ali da Av. Iguaçú, nessa época o bicho já andava pra caramba, tinha campeonato de skate no colégio e ele sempre ficava em primeiro rsrsrs. Já se dava bem em campeonatos fora dali também, e não demorou para conseguir patrocínio! Era conhecido como o ‘homem backboniano’ kkkkk o cara era style, inconfundível!

Quem viu Aranha andar por aí sabe que era de um estilo mesmo único, bom de rua e também nas competições, como ele mesmo confirma: “Fui campeão paranaense. Amador 01 e 02. Equipes da Maha, Ferrugem, Pysico Street, Vertpipe, Orbital e WayBack (primeira marca do Eduardo da Drop Dead)“. Aranha ainda nos enviou algumas fotos de seu arquivo pessoal, que mostram o astral da década de 90, organizadas no álbum abaixo. Junto, estão as fotos do seu shape, disponibilizadas por Fábio Tamaku e Mestre Miko.

 

Obrigado ao Fábio, por manter esta raridade, ao Mestre Miko, por compartilhar as fotos e nos dar esta inspiração e ao Reinaldo, pelas informações e imagens. Este shape e outros, estão expostos na Exposição Virtual Cara-da-Tábua, aqui no site jorle.com.br, sobre ‘decks’ assinados por skatistas de Curitiba e região. Veja já todo o acervo, clicando aqui no link, e leia os artigos sobre as demais colaborações, ao final da página do projeto.

Exposição Virtual Cara-da-Tábua, de Decks de skatistas de Curitiba.

 

Abraço.

Ricardo GosWod

 

 

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Conheça MyTrix: Guia de locais para se andar de Skate e muito mais.


 

Coluna STT: Desafio “Leste Oeste PR” 48h de bike concluído com Thiago Gava e seus amigos + Projeto Cidade Fria: histórias do underground curitibano

Olá. Hoje cito um rolê de bike que foi insano e um projeto (sub)cultural. Vê aí!

Desafio “Leste Oeste PR” concluído!

Na última sexta-feira, 13/09, rolou o desafio do Thiago Gava junto à seus 3 amigos: o Leste Oeste Paraná. Partindo de Paranaguá, a ideia era atravessar o estado do Paraná de bike, com previsão de 48h de pedal, até chegar na tríplice fronteira, em Foz do Iguaçu.

4 ciclistas – 23 cidades – 750km – 48horas estimadas.
13 de setembro à partir das 4AM.

Veja o relato dos resultados no post do instagram:

Mais informações no site https://www.lesteoestepr.com.br/.
Relembre ainda outra aventura do Thiago, que em ocasião que colaborou com a Jorle, relatou seu Everesting, feito em 2017, que consistiu em peladar 8848 metros de altimetria acumulada (a altura do Monte Everest), feito no Bosque do Alemão! Isso mesmo! Leia o relato e veja as fotos: http://bit.ly/2kus4zJ
Parabéns à equipe por mais este desafio insano!!

 

Cidade Fria

Por indicação do Carlos Panhoca, editor da Pé-de-Cabra (compre a pé de cabra aqui!), fui conferir o projeto do Christiano Carstensen Neto que está trabalhando no Cidade Fria – Histórias de Curitiba, que segundo o próprio Christiano trata-se de:
Cidade Fria – histórias de Curitiba” é um projeto criado por Christiano Carstensen Neto (baterista, arte educador e ilustrador) e Daniel Gonçalves (vocalista, tatuador e ilustrador). Trata-se de uma compilação impressa de contos, ilustrações e histórias em quadrinhos ambientadas nas ruas de Curitiba. Os trabalhos retratam personagens e o ambiente urbano da capital paranaense, tendo o underground como principal articulador entre os trabalhos. Música, terror, suspense, fantasia e ficção são algumas sugestões de caminhos a serem explorados. O projeto “Cidade Fria – histórias de Curitiba” será disponibilizado via financiamento coletivo pela plataforma Kickante. A iniciativa não possui fins lucrativos e o propósito é de ampliar a visibilidade de artistas locais e estimular trabalhos coletivos e a interação entre artistas da cidade, beneficiando a cena independente de forma geral. São mais de 50 artistas participantes entre escritores e ilustradores. A maior parte dos exemplares será destinada aos financiadores do projeto e outra parte ao acervo de bibliotecas, centros culturais e demais locais fomentadores da cultura. No link você pode conferir a apresentação da proposta pelos próprios criadores e as recompensas disponíveis para os financiadores. O prazo é até 02 de novembro de 2019.  
Colabore com a campanha de financiamento e siga os canais do projeto:
Site da Campanha:

#bicicleta #Bike #CidadeFria #curitiba #CWB #historias #lesteoestepr #pedecabra #carlospanhoca #everesting #thiagosyen #thiagogava #48hbike #estadoparana #parana #desafio #curitibaunderground #insano #desafio #ChristianoCarstensenNeto #DanielGonçalves


Coluna RGW

Ricardo GosWod: Marido de artista e pai de roqueiro progressivo. Skatista faz 27 anos. Depois de velho suou um tempo no rugby e arbitragem. Escreve sobre o que lhe interessa: amigos espertos, música, skate, rugby, zines, jogos … Trabalha nas horas de folga com projetos gráficos visuais e geoprocessamento. Escreve a Coluna “Sem tempo pra trabalhar” e é criador do projeto MyTrix.

 

 

Conheça MyTrix: Guia de locais para se andar de Skate e muito mais.

MyTrix entra no AR dia 06.09, sexta, com a versão inicial “Praça 29”!

Conheça MyTrix: Guia de locais para se andar de Skate e muito mais.

 

MyTrix é uma aplicação em forma de site web, voltada para praticantes de skate e à partir de sexta-feira, à meia-noite, estará no ar no endereço jorle.com.br/mytrix.

MyTrix, que foi construído com diversos apoios, terá seu início pela versão “Praça 29“, que é o nome de um clássico ‘pico’ de skate de Curitiba.

A história do skate foi desenhada através de amigos, paixão e visões em comum. O apoio entre a comunidade sempre foi a base da evolução. MyTrix é inspirado nesta história.

É Skatista? Visite o site à partir de sexa-feira e colabore, participe e compartilhe Skateboarding!
Siga o Instagram e o FaceBook para acompanhar:

  Instagram

  FaceBook

 

E se ainda náo conferiu, dá uma lida nas publicações de uns dias atrás sobre o projeto:
Todo mundo que apoiou MyTrix + acervo de fotos!
Novo Projeto em Jorle: MyTrix!!!! e a etapa “Fabricando Imagens”

 

Abraço
Ricardo GosWod

 

 

 

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Cara-da-Tábua: shape do José Selski, andar no gás, Sabonete Zine e Ajax

Mais reservado hoje em dia e difícil de ser achado, agora morador de Pontal do Paraná, local escolhido para viver com sua família, demorou um pouco até que o José Selski soltasse estas fotos de seu model que saiu pela Drop Dead em 1990/1991. O “Zé” nos contou que este shape está em Floripa (SC), na parede do escritório do Eduardo (DD), que diz ser este o primeiro shape da Drop Dead. José tem grande importância para o desenvolvimento do skate da rua (modalidade ‘Street’) em Curitiba, por seus anos como skatista, além do apoio dado à diversos caras de uma nova geração já nos anos 90, através de sua marca Ajax, incluindo o apoio que eu mesmo recebi.

1991/1992, Sktr: José Selski “Zé”.

José foi o tipo de skatista que marcava presença, como nos relatos do Antônio Kantek: “Eu lembro de você andando na rua lisa do Jardim das Américas. Lembra desse pico? Eu lembro que você dava shove it, shove it e flip no gasão, era muito massa”. “Eu nunca vi ele andando parando, sempre no gás”. “O Zé, junto com esses caras aí da rua lisa, Juninho, Bilu, Caolho, Fukuda e Chileno, foram os primeiros streeteiros de Curitiba de verdade”.

Quem também resgatou coisas da memória foi o Roger Robert: “Não lembro muitos detalhes dessa época, mas lembro que o Zé era o maior nome do street paranaense, no final dos anos 80, início dos 90, época que a modalidade ainda buscava seu espaço, independência e reconhecimento. Que era respeitado pelos melhores skaters do país, e reconhecido como um talento ao nível dos ídolos mundiais da época. Não por outro motivo era comparado a Natas Kaupas, um dos maiores skatistas dos anos 80. Sempre preocupado em trabalhar pelo crescimento do esporte, ajudou na evolução das marcas locais e incentivando os novos atletas que surgiam. Essa filosofia buscamos incorporar à Ajax, criada para disponibilizar produtos e apoio a quem realmente andava de skate, nos moldes de como já faziam as marcas americanas. De um modo geral tinha uma visão underground do skate, priorizando o esporte como diversão, em favor de quem realmente praticava o esporte, diferente da visão que ia se afirmando em favor de campeonatos, mídia e que buscava atingir cada vez mais públicos de praticantes eventuais ou de simpatizantes. Em palavras de hoje, foi um legitimo skatista raiz, que em muito influenciou a sua e as próximas gerações, contribuindo muito para a grande evolução que vimos ao longo dos anos 90”. “Do Zé andando o que lembro mais era das sessions no Castelo, sempre andando no gás, acertando as manobras em linha (flips, kick flips) na base e principalmente se divertindo”.

Além destes relatos, eu mesmo posso contar algo sobre o que vivi, que, além de leitor fervoroso e colaborador do Zine de Skate “Sabonete”, feito pelo José, ainda fiz parte dos anos da Ajax. Esta marca, modesta mas importante, era chefiada por José e pelo Roger Robert, que juntos montaram uma das equipes mais expressivas daqueles anos, entre 93 e 97, mais ou menos. Naquele tempo se discutia muito sobre o valor de quem sabia andar de skate nas ruas e pistas no dia a dia com consistência, em contraposição aos que sabiam ganhar campeonatos, e o José e o Roger sabiam reconhecer a galera da rua. E se hoje isso soa polêmico, em tempos em que os campeonatos valorizam bastante quem sabe mesmo andar de skate, imagine duas décadas atrás. De fato a equipe da Ajax era formada pelo pessoal que estava sempre nos picos e para quem os campeonatos eram mais uma grande festa para encontrar os amigos do que uma competição. Tanto era, que quando fui convidado pelo José para fazer parte da equipe, foi algo de tanto orgulho e emoção, que nem parecia séria a proposta. Mas era, e com isso veio o circuito de skate com toda a carga: as pessoas, os eventos, as influências, o glamour, o ‘estrelismo’, as revelações, as decepções, as viagens e o contato com o ‘circo’ do brasil todo. Neste ponto veio a grande importância do José em minha caminhada: após me colocar na equipe, me ensinou a como me manter ‘o mesmo’, a escolher por onde caminhar, a pensar com a própria cabeça e a valorizar quem de fato me desse apoio. Aprendi tudo isso mais ou menos, mas as lições foram tantas e tão especiais que as carrego por toda a vida.

Fanzine Sabonete (Projeto Fanzines da Casa da Ponte)

 

Com tudo isso dito, inserir mais este model de deck na Coleção “Cara-da-Tábua” é uma alegria e uma honra. Assim, junta-se à coleção não só mais um shape, mas um importante pedaço da história do skate de Curitiba.

Visite a Exposição Virtual e leia todos os artigos sobre cada colaboração. Se tem um shape de skatista da cidade ou que fez parte desta história e quiser colaborar, tire uma foto e manda pra gente!

Obrigado!

 

Ricardo GosWod.

 

 

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Conheça MyTrix: Guia de locais para se andar de Skate e muito mais.